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Vitória de Santo Antão

Escola Senador João Cleofas promoverá evento Baobá focando Educação Antirracista e Pensamento Decolonial

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Escola Senador João Cleofas promoverá evento Baobá focando Educação Antirracista e Pensamento Decolonial

Iniciativa voltada para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do Ensino Médio Noturno na EREM Senador João Cleofas de Oliveira contará com seminários, oficinas, gastronomia e encerramento no Teatro Silogeu.

VITÓRIA DE SANTO ANTÃO, na Mata Sul, entre os dias 16 e 19 de novembro de 2026, com encerramento especial em 25 de novembro, a EREM Senador João Cleofas de Oliveira realiza a culminância do Projeto Baobá 2026: Pedagogia da Liberdade e o Pensamento Decolonial – Saberes Desalienantes na EJA.

Coordenado pelo Professor Antonio Arnaldo em conjunto com a gestão escolar, corpo docente e coordenação pedagógica o Projeto consolida uma trajetória voltada ao enfrentamento do racismo, ao fortalecimento da identidade afro-brasileira e ao protagonismo estudantil. A iniciativa atende às diretrizes da Lei nº 10.639/2003 e do Currículo de Pernambuco.

Em 2026, as ações pedagógicas desenvolvidas ao longo do semestre centraram-se nos estudos sobre a obra de Frantz Fanon, no pensamento decolonial, na Amefricanidade (conceituada por Lélia Gonzalez) e na reflexão sobre o racismo estrutural. Todas as atividades de culminância ocorrem no período noturno (das 18:30h às 21:30h), valorizando a trajetória dos estudantes trabalhadores da EJA e do Ensino Médio Noturno.

“Educar é cultivar raízes que permitam aos estudantes reconhecer sua história, questionar as estruturas de dominação e imaginar novos horizontes de liberdade. Como o Baobá, acreditamos que uma Educação transformadora cresce a partir de raízes profundas, memória coletiva e compromisso com a justiça.” (Antonio Arnaldo da Silva).

APRESENTAÇÃO E HISTÓRICO DO PROJETO

O Projeto Baobá nasceu em 2017, não como resultado de um planejamento institucional, mas de uma inquietação vivida no cotidiano da escola pública. Naquele momento, atuando como professor de História na Escola Estadual Cardeal Dom Jaime Câmara, no Município de Moreno (PE), observava-se, ano após ano, a maneira como o Dia da Consciência Negra era celebrado nas escolas. As comemorações limitavam-se, em geral, a apresentações culturais, rodas de capoeira, estudantes caracterizados com turbantes e roupas consideradas “africanas”, além de cartazes produzidos para marcar a data. A cultura negra aparecia de forma predominantemente folclórica e simbólica, enquanto questões fundamentais — a escravidão, o racismo estrutural, a resistência dos povos africanos e a contribuição da população negra para a formação da sociedade brasileira — permaneciam pouco discutidas.

Essa percepção provocou uma pergunta que passou a orientar a prática docente: como celebrar o Dia da Consciência Negra sem reduzir a história e a cultura afro-brasileira a uma representação folclórica? A inquietação levou à pesquisa.

Não se desejava eliminar as manifestações culturais que já faziam parte da programação escolar, mas construir um projeto que ampliasse o significado daquela data, promovendo reflexão, criticidade e formação cidadã. Foi nesse processo que se encontrou a simbologia do baobá — árvore presente em diversas culturas africanas e frequentemente associada à ancestralidade, à memória, à resistência e à vida. A força dessa imagem dialogava diretamente com o propósito que começava a se delinear. Assim surgiu o nome Projeto Baobá: não apenas um título, mas um símbolo da necessidade de criar raízes para compreender a história e fortalecer identidades.

Consolidado como prática pedagógica voltada à valorização da história e cultura afro-brasileira, o projeto articula Filosofia, História, Sociologia, Arte e Literatura. Ao longo de sua trajetória, em 2021 e 2022, figurou entre os cinquenta melhores projetos do Prêmio Professor Nota 10, conquistando reconhecimento nacional.

No Município de Moreno, sua visibilidade foi suficiente para inspirar a aprovação de uma lei municipal que instituiu o Festival Baobá da Consciência Negra como parte do calendário oficial de eventos do Município, bem como o plantio de uma muda de baobá na praça central da cidade. O projeto foi objeto de artigo científico publicado em 2025, documentando a experiência pedagógica realizada na Praça Rútilo Pinheiro, em Vitória de Santo Antão, reforçando seu impacto social e educacional. Sua presença é tão significativa que os estudantes já iniciam o ano letivo querendo saber sobre o que é o Baobá e quando será realizado.

A edição de 2026 marca um passo qualitativo decisivo na trajetória da iniciativa. Pela primeira vez, o tema anual — o pensamento de Frantz Fanon e a decolonialidade — coincide diretamente com o objeto de pesquisa da dissertação de mestrado em desenvolvimento pelo professor-pesquisador no Programa de Pós-Graduação Profissional em Filosofia (PROF-FILO) da UFPE. Mais do que realizar um evento, pretende-se construir uma experiência formativa capaz de permanecer como legado pedagógico para a escola. O Projeto Baobá não é apenas um evento: é uma trajetória de educação antirracista construída ao longo de anos, com raízes que crescem lentamente e sustentam tudo que floresce acima do solo.

MISSÃO DO PROJETO BAOBÁ

Produzir conhecimento filosófico comprometido com a justiça social, a valorização das identidades negras e a construção de uma educação antirracista, crítica e emancipadora.

Destaques da Programação

16 de Novembro (Segunda-feira) – Abertura e Pensamento Decolonial:

19h00: Solenidade de Abertura.

19h30: Apresentação cultural de boas-vindas com o grupo de dança/música da escola.

20h00: Seminário de Abertura: “Peles Negras e Descolonização das Mentes: A atualidade de Frantz Fanon na Educação”.

20h45: Exposições interdisciplinares no pátio central (fotografia, artes plásticas, biografias de intelectuais negros e literatura).

17 de Novembro (Terça-feira) – Amefricanidade e Racismo Estrutural:

19h30: Leitura dramatizada e poesias antirracistas.

20h00: Seminário pedagógico: “Alienação pedagógica: contribuições para a Educação”.

20h30: Cine-debate com exibição de curta-metragem sobre resistência.

18 de Novembro (Quarta-feira) – Saberes e Sabores Populares:

19h30: Exposição e degustação da culinária afro-brasileira e debate sobre os aspectos nutricionais, históricos e químicos dos alimentos.

19 de Novembro (Quinta-feira) – Oficinas Práticas e Protagonismo Estudantil:

19h30: Roda de conversa intercultural entre Brasil e África (com participação de estudante moçambicano).

Oficinas Simultâneas: Roda de capoeira e expressão corporal, confecção de tranças nagô e turbantes, pintura corporal, confecção de bonecas Abayomi e Libras com sinais da cultura afro.

25 de Novembro (Quarta-feira) – Encerramento no Teatro Silogeu:

19h30: Apresentação do espetáculo teatral “Preto no Branco”, escrito e dirigido pelo Prof. Antonio Arnaldo, seguido de debate presencial com o elenco.

21h00: Cerimônia oficial de encerramento.

SERVIÇO

Projeto Baobá 2026

Datas: 16 a 19 de Novembro e 25 de Novembro de 2026

Horário: 18:30h às 21:30h (turno da noite)

Locais:

16 a 19/11: EREM Senador João Cleofas de Oliveira (Vitória de Santo Antão – PE)

25/11: Teatro Silogeu (Matriz da Vitória de Santo Antão – PE)

Público: Comunidade escolar, aberto ao público através de convite.