Ceclin
abr 28, 2010 9 Comentários


Vulnerabilidade do jovem LGBT

Reunião mista das Frentes Parlamentares pela Cidadania LGBT da Assembleia Legislativa de Pernambuco e Câmara Municipal do Recife, que acontece na tarde desta terça (27) no auditório da Casa de Joaquim Nabuco, traz à tona um tema preocupante: a vulnerabilidade do jovem LGBT.

Num contexto geral, a vulnerabilidade dos jovens pode ser entendida como o produto da interação entre características do indivíduo ­ cognição, afeto, psiquismo ­ e estruturas sociais de desigualdade ­ gênero, classe e raça ­ determinando acessos, oportunidades e produzindo sentidos para o sujeito sobre ele mesmo e o mundo.

Estudiosos do assunto apontam que uma pessoa pode tornar-se menos vulnerável se for capaz de reinterpretar criticamente mensagens sociais que a colocam em situações de desvantagem ou desproteção, mas a sua vulnerabilidade pode aumentar se a mesma não tem oportunidades de ressignificar as mensagens emitidas no seu entorno.

Sabe-se também que nas sociedades contemporâneas a escola tem despontado como espaço privilegiado para a aquisição de habilidades cognitivas e sociais por crianças e jovens, facilitando os processos de recriação de si e do mundo e, assim, reduzindo a sua vulnerabilidade social.

E que jovens fora da escola têm menos chances de reinterpretar as mensagens pejorativas relacionadas às ideias de pobreza, negritude e feminilidade, o que interfere no modo como será exercida a sua sexualidade.

Essa vulnerabilidade é potencializada entre jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, o que vem preocupando as entidades do Fórum LGBT de Pernambuco. Que propuseram que o tema fosse o primeiro posto em debate este ano pelos membros do colegiado.

Para tanto convidamos representantes do Ministério Público, Juizado da Infância e da Adolescência e representantes de entidades que trabalham com crianças e adolescentes para juntos verificarmos quais as formas dar ferramentas para que estes jovens distanciem-se da vulnerabilidade.

A temática é complexa e certamente ainda será necessária a realização de outros fóruns de discussão para que se crie ou fortaleça redes de proteção social direcionadas a este público. Contudo, o fato de colocá-la em pauta já é um grande passo para que a sociedade também se aproprie deste debate.

por Isaltino Nascimento,
deputado estadual pelo PT e líder do governo na Assembleia Legislativa, escreve para o Blog semanalmente.