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out 28, 2020 0 Comentário


Vitoriosas pretendem inovar os serviços públicos oferecidos pela Prefeitura da Vitória

Por Lissandro Nascimento

Buscando diferenciar-se na escassez de variedade dos últimos pleitos eleitorais, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) da Vitória de Santo Antão faz campanha nas eleições 2020 da primeira chapa coletiva de mulheres a majoritária no Brasil. São quatro mulheres que compõem o desafio de convencer parte do eleitorado conservador vitoriense a mudar conceitos impregnados por primários embates de cores e o rodízio a 50 anos de três famílias no Poder local. Candidata a prefeita dessa iniciativa, Hérika de Araújo Silva, de 43 anos, e sua vice-prefeita Bruna Stephanny Morais de Oliveira Silva, 23 anos, foram a quinta chapa entrevistada pelo  Blog do Cristiano Pilako na noite da terça-feira (27/10). As sabatinas seguem até o dia 29 de outubro promovidas pelo vitoriense Blog do Pilako com os candidatos a Prefeito e Vice da Vitória, através de live’s via canal do seu Youtube.

A chapa coletiva feminina é composta pela gestora de projetos culturais e atriz Hérika Araújo, que é formada em Ciências Contábeis e estudante de Pedagogia da UFPE, enquanto Bruna Morais é formada em Direito e pós-graduanda em Direito Constitucional. Por sua vez, a estudante de Medicina Camila Souza e a Bióloga e Empreendedora Ana Orama integram como co-candidatas a Prefeitura.

As representantes desse coletivo, Hérika e Bruna explicam que o Plano de Governo das “Vitoriosas” é o eixo básico composto por oito pontos que traçam as diretrizes para uma gestão pública inovadora e eficiente. “É o único plano de governo entre os sete candidatos a prefeito em Vitória que traz diagnósticos dos principais problemas enfrentados atualmente pelo Município. Foi uma construção coletiva de diversos setores e de especialistas pelo qual se encontra aberto para discussão popular. Sua razão de ser é para que realmente nós possamos ter de fato uma administração que funcione para a municipalidade”, defenderam.

“Em toda minha vivência sempre trabalhei e militei muito pelo interesse coletivo. Tanto que todos que lançaram nossa chapa são militantes que acreditam que podemos sim administrar Vitória para as pessoas e não para grupos familiares. No futuro governo os nossos secretários serão ativistas, os quais terão um olhar diferenciado à coisa pública, comprometidos e responsáveis com os avanços sociais”, salientou Hérika Araújo.

Instada a falar sobre sua participação direta na pasta da Cultura dos governos Elias Lira (PSD) e Aglailson Júnior (PSB), Hérika fez questão de demonstrar sinceridade: “Lembro do lado bom e do ruim! Ambos os governos me pagaram mal, ganhava um salário mínimo para prestar meus serviços profissionais. Contudo, adquiri experiência nas duas gestões, dei minha importante contribuição no setor cultural quando institucionalizamos a política cultural do Município. Cabe dizer que elevei minha consciência política de que o artista precisa se politizar para que possa melhor intervir nas questões de ordem pública”, respondeu.

Provocada a avaliar a gestão do atual prefeito, Hérika foi taxativa: “Precisamos avaliar os índices diagnosticados pelo governo do prefeito em todos os setores. São índices muito baixos, a exemplo do Ideb da Educação. Outro recente fato vergonhoso foi à falta de ação da gestão junto aos artistas vitorienses no início da pandemia, eles abandonaram os produtores culturais, essa é a verdade! A esse governo dou a nota 01”, sentenciou. A atriz também lamentou a mesquinharia política na grade musical dos eventos públicos de Vitória. “É preciso deixar claro que a Prefeitura é do povo! Vamos acabar com esse ato de selecionar os artistas por predileção política que acaba excluindo os demais nos palcos festivos. Artista é um ser de patrimônio popular. Mas também cabe dizer que o artista vitoriense precisa se politizar e melhorar sua intervenção nas políticas públicas de Vitória”, apontou Araújo.

Hérika e Bruna defenderam que a Secretaria Municipal da Mulher na futura gestão terá relevância destacada pelo fato de serem gestoras e  entenderem perfeitamente as dificuldades vivenciadas socialmente por esse público. Elas entendem que o fortalecimento das políticas públicas à mulher é o reconhecimento de direitos que foram pormenorizados por uma histórica construção social patriarcal. Elas enalteceram os papeis desempenhados por figuras femininas ao longo da história vitoriense, pontuando os nomes de algumas delas.

Para as candidatas, outros três setores terão intervenção pública qualificada caso a chapa Vitoriosas seja eleita, como a segurança pública, educação e saúde. Segundo Bruna Morais, Vitória de Santo Antão se encontra entre os três municípios mais ricos do interior pernambucano, no entanto, possui índices baixos de desenvolvimento, a exemplo de que Vitória está entre as 20 cidades mais violentas do País em termos de 100 mil habitantes. Ainda segundo ela, na Educação, Vitória é uma das 20 piores cidades do Estado, agravado pelo índice de que 50% de suas escolas públicas estão em ‘alerta vermelho’ no desempenho de ensino.

As candidatas propõem implantar o programa ‘Cidade Segura’ com a criação do Observatório da Segurança e do seu Conselho da Ordem Pública, procurando não gerir sozinha a gestão voltada ao combate à violência urbana. A chapa buscará fortalecer a Guarda Municipal ampliando com concurso público seu efetivo, bem como consolidar parcerias com outros atores sociais, a exemplo das Polícias Militar e Civil. Para tanto, irão implantar o Consórcio Intermunicipal com as demais prefeituras da região a fim de gerir a máquina pública em seus gargalos mais difíceis, prometendo valorizar os Conselhos e garantir uma gestão participativa.

Na sabatina, Pilako destacou que as Vitoriosas trouxeram o debate das Creches públicas à pauta da eleição 2020. “Vitória, de acordo com o Plano Nacional de Educação, precisará criar até 2024 cerca de 2 mil vagas em creches voltadas a infância. O candidato a prefeito do MDB vem prometendo construir 15 creches sem apresentar qualquer estudo técnico para tanto. Isso é mais uma mentira desses grupos que fazem rodízio na prefeitura local. No nosso governo vamos implantar o ‘Projeto Semente’ voltada às creches, com gestão compartilhada com as ONG’s, bem como vamos intervir na evasão escolar abordando com um conjunto de ações os efeitos sociais que fazem nossos adolescentes e jovens se afastarem do ambiente escolar”, crivou Bruna Morais.

“Cabe dizer a esses gestores que passaram por Vitória nas últimas décadas que eles são co-responsáveis pelo estado de desigualdades sociais que vivemos hoje. É preciso dizer que para fazer política pública tem que deixar de ser amador. É importante deixar claro que estamos falando de vidas de crianças e mulheres vitorienses, pois é preciso ter mais responsabilidade e compromisso social ao governar uma cidade complexa como a nossa”, tascou Hérika em ‘uma lição de moral’.

A candidata a prefeita afirmou ainda que as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) precisam encarar amplamente seu papel no combate as desigualdades sociais. Elas propõem que todas as indicações da gestão para coordenar os Postos sejam feitas de pessoas técnicas para cuidar, gerenciar e fiscalizar, com cumprimento de metas nessas unidades.

Na pasta do desenvolvimento econômico, as Vitoriosas entendem que a Prefeitura precisa ser ousada. “Vamos desenvolver parcerias público x privada para qualificar nossa mão de obra local. Vamos estimular o barateamento de abertura dos pequenos negócios, estudando inclusive a viabilidade do fornecimento de crédito, além de atacar a baixa escolaridade de nossas comunidades. É preciso entender que não é só trazer mais fábricas se o nosso povo não está escolarizado. Qualificar nossa mão de obra é urgente, pois 80% de nossos trabalhadores ativos chegam a ganhar apenas dois salários mínimos. Isso é prova que os nossos profissionais ainda não estão qualificados. Precisamos evitar que nossos trabalhadores sejam escravos do parque industrial local, enquanto os melhores cargos e salários fiquem para indivíduos de outros lugares, em detrimento de nossos talentos que devem ser valorizados pelo poder público municipal”, pontuou Hérika.

“Com relação à feira livre isso não é problema para o Município. Desde quando a massa de trabalho é problema?! Os feirantes e ambulantes são partes da solução. A questão é que foram as gestões que passaram que não atualizaram o nosso Plano Diretor Urbano e fecharam os olhos para a favelização de nossa feira livre. Com dialogo e a contribuição de especialistas vamos discutir saídas para esse colapso. Contudo, na nossa gestão enquanto a gente não resolve, o governo pode e deve resolver pequenas coisas que envolvam limpeza e segurança do nosso comércio informal”, tascou Hérika Araújo.

As candidatas prometem requalificar as Avenidas Mariana Amália e Henrique de Holanda assegurando o trânsito para diversos modais de transporte e sua devida acessibilidade. Também pretendem implantar o lixo seletivo, estimulando as cooperativas de recicladores, em um projeto que em longo prazo desponte na ‘economia do lixo’.

“Os gestores das últimas décadas que estiveram na Prefeitura de Vitória provaram que são despreparados. Eles nesta eleição estão sendo desmascarados buscando mais uma vez uma falsa polarização, mas hoje temos nós e outras candidaturas a prefeitura que estão forçando os antigos pólos a discutir política pública. O povo de Vitória começa a reagir e estamos prontas para ajudar a todos a se libertar disso aí”, discursou Bruna Morais.

Hérika Araújo disse não acreditar nessa falsa polarização criada pelos próprios grupos locais. Para ela, os políticos tradicionais de Vitória desqualificam a população local na medida em que menosprezam a participação popular no fazer das políticas públicas. Ela lembrou que qualquer um pode ser candidato a prefeito e que necessariamente não precisa pertencer e nem depender de uma oligarquia familiar.

“No governo das Vitoriosas teremos uma gestão aonde o serviço público vai prestar e ter qualidade. Com nós, o cidadão vitoriense vai ter orgulho de pagar os impostos. Vamos inovar a gestão pública com estudos técnicos e inteligência construindo com o povo, pois Vitória não tem dono!”, finalizou.