Ceclin
out 07, 2008 6 Comentários


Vitória vira praça de guerra após eleição

Cerca de 10 mil manifestantes, correligionários do candidato derrotado Dedé (PSB), enfrentaram a Polícia Militar em frente ao Fórum da cidade. Um radialista foi preso, acusado de incitar a violência

Um dia depois de uma das eleições mais disputadas do Estado, Vitória de Santo Antão, virou uma verdadeira praça de guerra no final da tarde e noite de ontem. Cerca de 10 mil correligionários do candidato derrotado, Demétrius Lisboa (Dedé), do PSB, cercaram o fórum da cidade e entraram em confronto com a polícia, usando paus e pedras. Dedé perdeu o pleito para Elias Lira (DEM) por 35.190 a 34.798 (apenas 232 votos de diferença).
Cerca de 70 homens de três unidades diferentes da PM foram destacados para a cidade e reagiram usando bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo. No final da noite, o radialista J. Menezes foi preso em flagrante quando transmitia seu programa na Rádio Cultural Metropolitana, de propriedade de correligionários de Dedé, acusado de incitar a violência. Cerca de 40 pessoas foram detidas e estavam sendo ouvidas ontem à noite na delegacia da cidade. Pelo menos duas foram autuadas por danos ao patrimônio.
A origem do tumulto estaria, na opinião do desembargador-corregedor do Tribunal Regional Eleitoral, Sílvio Romero Beltrão, numa onda de boatos sobre supostas urnas que não teriam sido apuradas após o pleito. Esses boatos, segundo o desembargador, teriam partido de rádios de propriedade de José Aglailson, conhecido como Zé do Povo, ex-prefeito de quem Dedé foi vice, que se desencompatibilizou no início do ano para se candidatar a vereador da cidade (e se elegeu como o mais votado).
Do outro lado da disputa estava Elias Lira, do DEM, apoiado pelo o maior rival político do ex-prefeito, o deputado estadual pelo PR Henrique Queiroz (os dois chegaram a trocar tapas em público durante a campanha). Além disso, Queiroz e o filho de Aglailson, Aglailson Filho, que é deputado estadual, foram presos no dia da eleição por fazer boca-de-urna.
Segundo o desembargador Sílvio Romero, Vitória tem 287 seções eleitorais, mas 17 delas são agregadas (funcionam na mesma urna que outra, por terem poucos eleitores). Por isso, são apenas 270 urnas para 287 seções. “Todas as urnas foram apuradas até as 21h30 do domingo. Não houve nada de errado. O que aconteceu foi uma notícia falsa, dada por rádios locais, de que estariam faltando 27 urnas a serem apuradas. Essas urnas não existem.”
Segundo o desembargador, rádios de propriedade de Aglailson estavam levantando suspeição sobre o pleito e dizendo que se as urnas fossem apuradas, Dedé ganharia. “O grupo não aceita a derrota e está espalhando boatos inflamados”, comentou o desembargador. Havia até a informação de que a população iria invadir o fórum durante a madrugada em busca das tais urnas inexistentes. Às 21h de ontem o clima esquentou ainda mais com a prisão do radialista J. Menezes, que foi determinada pelo juiz de direito da Comarca de Vitória, Uraquitan José dos Santos. Ele acionou a polícia que foi à Rádio Cultural e e prendeu o locutor em flagrante.
A multidão começou a cercar o fórum por volta das 14h e às 17h começaram os confrontos com a PM, que enviou para a cidade homens do Batalhão de Choque, da Companhia Independente de Operações no Sertão em Área de Catinga e do 21º Batalhão. Tiveram ainda o apoio do Departamento de Operações, da Polícia Civil, comandando pelo delegado José Silvestre.
Segundo a polícia, foi quando os militares tentaram dispersar os cerca de 10 mil manifestantes que os confrontos começaram. A população chegou a fechar a BR-232. Dezenas de pessoas foram detidas. Algumas delas – cerca de 20 – ainda permaneciam dentro do fórum às 23h de ontem, amontoadas numa van, aguardando para ser levadas à delegacia, onde iriam depor. A Polícia Militar passaria a madrugada na cidade, onde ontem à noite vigorava um verdadeiro toque de recolher – a população trancou-se em casa e apagou as luzes, enquanto bandos de vândalos circulavam jogando pedras nas residências. (Jornal do Commercio).
Imagens JC On line.