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abr 24, 2020 0 Comentário


Diante do aumento de infectados, Prefeitura de Vitória se apressa em usar prédio da UPA e contratar novos leitos

O prédio ocioso da UPA em Vitória será destinado no momento para pacientes com sintomas da Covid-19.  Foto: Arquivo/A Voz da Vitória

O prédio ocioso da UPA em Vitória será destinado no momento para pacientes com sintomas da Covid-19. Foto: Arquivo/A Voz da Vitória

Por Lissandro Nascimento 

Desafiada e cobrada pelo povo a tomar medidas emergenciais para combater o avanço do novo Coronavírus (Covid-19), a Prefeitura da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana, se pronunciou publicamente quanto a contratação de leitos e a implantação de atendimento emergencial às vítimas acometidas pelo vírus no Município. A necessidade se impõe devido ao aumento exponencial de infectados na cidade, na medida em que se computa nesta sexta-feira (24/04), precisamente 52 vitorienses infectados com Covid-19 e 12 cidadãos mortos pela doença.

Essas duas frentes de atuação foram anunciadas pela Prefeitura de Vitória durante uma longa Live (transmissão ao Vivo) em suas redes sociais, que inicialmente batizou de “Coletiva de Imprensa”, mas na verdade foi uma Live com alguns convidados, já que apenas estavam presentes seis veículos de comunicação, metade desses de propriedade da família do prefeito Aglaílson Júnior (PSB), o qual não participou, bem como foi notada a ausência de representante da Vigilância Sanitária.

Contemplada pelo Ministério da Saúde com R$ 1.577.432,37 a serem aplicados nas despesas de custeio no combate à pandemia, a Prefeitura de Vitória dispõe desde o dia 13 de abril deste valor. Vera Sarmento, secretária de Planejamento e coordenadora do Comitê de Monitoramento e Enfrentamento do novo Coronavírus de Vitória, anunciou durante a Live que boa parte deste dinheiro será utilizado na compra de insumos. Outro esforço, que dependerá de outros recursos, será a contratação de 50 leitos de retaguarda, que não contam com respiradores, junto ao Hospital e Maternidade APAMI, que contará com 30 leitos, e o Centro Hospitalar Santa Maria, que terá 20. Segundo a gestão municipal, a estrutura terá custo mensal de R$ 975 mil.  A nova estrutura de atendimento contratada por 90 dias, no entanto, a princípio metade dela, só deve começar a atender daqui a 10 dias, de acordo com a previsão da Secretária Municipal de Saúde Jailce Carla da Silva. Ou seja, são leitos já existentes que poderiam já ter sido providenciados antes, entretanto, a gestora explicou que depende das adequações dos dois hospitais e da vasta burocracia que este tipo de contratação requer.

Na verdade, o prefeito Aglaílson Júnior vai direcionar aos cofres privados da Apami e do Hospital Santa Maria boa parte do valor mensal das verbas adquiridas para o setor. Tudo isso para custear apenas 50 leitos para pacientes que não estejam em situação grave com a doença do Coronavírus. O que implica julgar que Aglailson Júnior age “na direção dos ventos”, sem aparato técnico e sem zelo com as responsabilidades que o cargo de Chefe do Executivo lhe exige e impõe. “Não sei afirmar se são novos leitos. Na verdade é um novo serviço que será prestado pelos dois hospitais”, respondeu Jailce Carla durante indagação do A Voz da Vitória.

“Os pacientes estarão em espaços isolados nestes dois hospitais. As unidades estão sendo readaptadas em sua estrutura física. Os profissionais são treinados para este tipo de atendimento. O fluxo operacional não vai se misturar com pacientes de outras enfermidades”, explicou a gestora da Saúde.

Do mais, Vera Sarmento fez questão de explicar quanto a destinação desse repasse de R$ 1,5 milhão. De acordo com ela, o valor é para despesas de custeio, como aquisição de insumos e equipamentos de proteção individual. “Esse recurso não poderia ser usado para construir um hospital, por exemplo”, esclareceu, o que impede investimentos/compras de equipamentos diversos para a rede de Saúde e ou construções prediais. A manutenção destes leitos será bancada com verbas de custeio já disponibilizadas pelo Fundo Municipal de Saúde (FMS).

A despeito da sugestão de se utilizar a estrutura predial dos Hospitais Pronto Socorro e Geral da Vitória, que estão no momento desativados, os secretários explicaram de que além de não haver tempo hábil para adaptar estas estruturas, há também o impedimento legal, tendo em vista que os hospitais são privados e não possuem as licenças e certidões aptas para funcionamento.

“Um exemplo é o ex-Hospital Geral. O prédio está todo deteriorado e há muito tempo fechado. Não teria lógica utilizar recursos públicos para reformar um hospital de sociedade privada. Outro fato é que os médicos proprietários têm plenas dificuldades em bancar as intervenções necessárias para funcionamento”, explicou Paulo Teixeira, assessor especial da Prefeitura de Vitória. “O fato é que não dispomos de um hospital público gerido pela Prefeitura de Vitória. O que faz com que no momento a gente trabalhe com a estrutura da rede de Saúde que a cidade detém”, sintetizou Jailce Carla.

Diante deste quadro, Vitória foi cobrada pelo Governo de Pernambuco para montar um Serviço de Pronto Atendimento (SPA) na pretensão em ajudar a desafogar a demanda advinda pela Covid-19 no Hospital Regional João Murilo de Oliveira (HJMO). Em contrapartida, o Governo se compromete com a Prefeitura de Vitória para criar um projeto de execução e instalação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no HJMO.

Para tanto, a gestão local vai utilizar o prédio que se encontra ocioso da futura e esperada Unidade de Pronto Atendimento (UPA), instalada no Bairro de Campinas, área urbana de Vitória, a fim de instalar um Serviço de Pronto Atendimento, o qual prestará a primeira assistência aos vitorienses que apresentarem os sintomas iniciais da Covid-19. No local, deverão funcionar 20 leitos de observação, além de sala de estabilização. Mesmo sem apresentar prazos, a Secretaria de Saúde disse que esse atendimento provisório de 90 dias, podendo ser prorrogado a depender dos reflexos da pandemia, depende agora tão somente do estudo epidemiológico e o levantamento de custos.

A UPA de Campinas deveria ter sido entregue em setembro de 2014, mas até o momento não funciona. A respeito da UPA, o governo do Estado agilizou no final do ano passado a conclusão das obras. Em entrevista a uma rádio local, o filho do prefeito de Vitória, deputado Aglailson Victor (PSB) afirmou que o funcionamento completo da UPA está dependendo das últimas tratativas junto ao Ministério da Saúde.

O prédio da UPA no Município será destinado no momento para pacientes com sintomas da Covid-19. Os detalhes desta operação governamental deverão ser anunciados pelo prefeito nos próximos dias.

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