Ceclin
ago 28, 2017 0 Comentário


87 homicídios: Vitória de Santo Antão lidera violência na Zona da Mata pernambucana

homicidios em Vitória de Santo Antão

Vitória de Santo Antão lidera até agosto de 2017 como a cidade mais violenta de toda a Zona da Mata pernambucana. Foto: Arquivo / Blog

Por Lissandro Nascimento 

O cenário de violência que se alastra pelo Brasil tem deixado a população temerosa diante de um quadro que mais parece “guerra civil”. Com o agravamento da recessão econômica e a marca de 13 milhões de desempregados no País, os índices de criminalidade aumentam vertiginosamente.  Em Pernambuco, nos sete primeiros meses deste ano, 3.323 pessoas foram assassinadas.

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), o mês de julho teve o registro de 447 homicídios, o que representou uma média diária de 14,42 homicídios, contra 12,67 no mês anterior. Em junho, 380 pessoas foram assassinadas no Estado.

Na Zona da Mata pernambucana, infelizmente Vitória de Santo Antão lidera como a mais violenta no primeiro semestre de 2017. No último sábado à noite (26/8), o Município alcançou a cruel marca de 87 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) neste ano.

Júlio César de 15 AnosA 11ª vítima de agosto e a 87ª do ano foi o adolescente de 15 anos, Júlio  César Silva de Deus (foto), assassinado com disparos de arma de fogo na Av. Miguel Arraes de Alencar, conhecida como antiga “Estrada Nova”. A vítima estava retornando para casa junto com parentes, quando foi surpreendida por dois homens não identificados que dispararam contra o jovem, tombando sem vida no local. O adolescente morava no Bairro Jardim São Pedro e já esteve detido na Funase pela prática de furtos.

Tais dados atestam o nível da gravidade da violência em Vitória de Santo Antão, tendo em vista que a cidade é historicamente acometida pelo corredor do tráfico de entorpecentes na região, além de não oferecer espaços urbanos de ocupação sociocultural e mecanismos de qualificação profissional, sobretudo para atender a mão de obra mais jovem da cidade, bem como a ausência de combate ao comércio ilegal de armas de fogo, o que se soma as mazelas presenciadas por nossa cidade.

Para se comprovar que a cidade perdeu o controle no combate ao tráfico e sofre com a crônica impunidade judicial, Vitória de Santo Antão lidera como a cidade mais violenta de toda a Zona da Mata pernambucana. Segundo dados oficiais da SDS/PE, o Município registra até julho de 2017 com 76 assassinatos, seguido de Paudalho (41), Timbaúba (30), Escada (28) e Goiana (27).

O Governo do Estado tem dado sinais de que não consegue intervir com qualidade na grave situação e prefere promover espetáculos midiáticos para passar a ideia à população de que ainda detém controle da criminalidade. Um dos exemplos desta espetacularização em Vitória foi o que ocorreu no último dia 07 de agosto, quando na Sede do 21° BPM, a Operação RONE (Rondas Ostensivas de Natureza Extraordinária), foi apresentada objetivando reforçar as ações policiais militares na região, procurando reduzir dos índices de criminalidade em Vitória de Santo Antão e Região.

Na ocasião, foram apresentadas tropas da Diretoria Especializada de Policiamento, sediada na Capital, para atuarem de forma isolada e também em conjunto com o efetivo do 21° BPM e da 5a CIPM (sediada em Gravatá), visando coibir assaltos, tráfico de drogas, homicídios, entre outros delitos. Contudo, cadê? Alguém viu todo este efetivo circulando nas últimas semanas?

21º BPM Vitória agosto.2017

É notório as péssimas condições de trabalho e a precária infraestrutura de nossa força policial, porém é bom lembrar que isso não justifica deixar o cidadão à mercê dos bandidos. É preciso agir, denunciar e cobrar de quem deva ser cobrado.

Evidente de que o combate a criminalidade perpassa por esforços coletivos que somem o Poder Público de todas as esferas federativas, em parceria com a sociedade civil organizada. É importante também ressaltar a grave omissão da Prefeitura de Vitória de Santo Antão, tanto da gestão anterior quanto da atual administração, em não promover ações pontuais que ajudem a tornar a cidade um lugar dignamente melhor para se viver. Até o momento, o Poder Público municipal (Executivo, Legislativo e Judiciário), não se posicionaram como pretendem ajudar a enfrentar “esta guerra civil” que acomete Vitória de Santo Antão. Não há ações conjuntas, não há estímulo a formação de Conselhos comunitários voltados a atuar no setor, não há mutirão judicial no Presídio local; e o mais importante, não há vontade política em dar respostas concretas à sociedade local.

Frisa-se também a inércia dos nossos deputados estaduais e federais majoritariamente bem votados nas últimas eleições em Vitória.

Tem boca de fumo em Vitória? Tem sim senhor! Tem lugares com comércio de venda ilegal de armas em Vitória? Têm sim senhor! Tem guetos em praças públicas e portas de escolas consumindo entorpecentes a qualquer hora? Têm sim senhor! Tem aliciamento descarado de  menores nas periferias? Tem sim senhor! Então, o que falta? Todos sabem onde atuam, se brincar alguns pontos têm até CNPJ.

Qual o receio em combater diretamente “na raiz do problema”?

Há quem interessa o não combate?