• Ceclin
dez 11, 2016 0 Comentário


Vitória de Santo Antão se despede de Elmo Cândido Carneiro

Elmo Candido Carneiro

Elmo Cândido é parte da segunda geração dos fundadores da Pitú e foi o responsável pela expansão da empresa para o mercado externo 

Foi sepultado na tarde deste domingo (11/12) o corpo do presidente do Engarrafamento Pitú, Elmo Cândido Carneiro. Elmo faleceu na noite do sábado (10), aos 90 anos, deixando esposa, Maria Vitória Férrer Carneiro, seis filhos, netos e bisnetos, após ter sido internado há mais de trinta dias no Hospital Esperança, em Recife. O velório aconteceu no Clube Pitú em Folia, no Maués, em Vitória de Santo Antão, e o enterro, no Cemitério de São Sebastião, na cidade.

Nascido em Vitória de Santo Antão e filho de Joel Carneiro, um dos fundadores da Pitú, Elmo foi professor e presidente do Clube Vassouras O Camelo, cofundador do Instituto Histórico da Vitória e fundador e presidente do Rotary Clube do município. Elmo Cândido Carneiro é parte da segunda geração dos fundadores da fábrica da cachaça pernambucana Pitú, e o responsável pela expansão para o mercado externo, nos anos 1970, quando iniciou negócios na Alemanha, expandindo para todos os continentes. O Engarrafamento Pitú é uma das maiores indústrias de cachaça do Brasil, criada em 1938. Hoje, engarrafa e comercializa anualmente 95 milhões de litros.

Velório: várias entidades e empresas enviaram condolências à família de Sr. Elmo

Velório: várias entidades e empresas enviaram condolências à família do Sr. Elmo

A empresa foi uma das responsáveis por transformar a aguardente uma bebida popular numa marca do Brasil no mercado de destilados. Pode-se dizer que o trabalho da Pitú, especialmente no mercado internacional onde foi pioneira e responsável pela maior parte do prestígio que a bebida adquiriu no século XXI e determinante para ser reconhecida como um destilado de cana brasileiro, diferente do rum de Cuba e da Jamaica passando a ter denominação de origem. Por trás desse reconhecimento está a figura de Elmo Cândido, um empresário que por mais de 70 anos empenhou-se em transformar o seu produto numa referência de qualidade, a despeito de ser um bebida popular e de baixo custo.

O curioso da carreira desse empresário pernambucano é que ele sempre apostou na publicidade como ferramenta de marketing de produto e promoção, conseguindo vincular seu produto, uma bebida alcoólica, a dezenas de iniciativas culturais e de promoção social notadamente o futebol e o Carnaval, sobretudo a Folia de Momo em Vitória, pelo qual a Pitú esteve sempre presente.

Em nota, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, declarou que a morte do empresário “deixa uma imensa lacuna no meio empresarial de Pernambuco” e que “Vitória de Santo Antão perde o seu maior e mais apaixonado defensor”. “Seu Elmo teve uma vida longa e produtiva, sempre sendo bem-sucedido em tudo a que dedicava. Em especial a Pitú, que propagandeia ao mundo a rica e diversificada cultura de Pernambuco. Meus sentimentos e minha solidariedade cristã aos seus familiares e amigos”, registrou.

Durante velório no Clube da Pitú, uma missa de corpo presente foi celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido. A Prefeitura da Vitória de Santo Antão deve decretar luto oficial.

ASSISTA AO VÍDEO…

História da empresa

Empresa 100% pernambucana, a Pitú foi fundada em 1938 em Vitória de Santo Antão por Joel Cândido Carneiro, Severino Ferrer de Morais e José Ferrer de Morais. No início, trabalhava com a fabricação de vinagre e bebidas à base de maracujá e jenipapo, além do engarrafamento de aguardente. Em 1948, com o ritmo de crescimento acelerado, a empresa ganhou o nome de Engarrafamento Pitú LTDA.

Hoje, a Pitú engarrafa cerca de 90 milhões de litros da bebida por ano. Atual marca líder de vendas no Nordeste e maior exportadora do país – com quase 2 milhões de litros anuais – foi pioneira no mercado internacional. Começou a exportar para a Europa nos anos 1970. Na década seguinte, a cachaça made in Vitória de Santo Antão passou a seguir também para os Estados Unidos. Hoje está presente em mais de 50 países.

No site da Pitú, Elmo Cândido Carneiro destaca que existem duas versões para a escolha do nome Pitú para a empresa. Uma delas faz referência ao nome Engenho Pitú, propriedade da família em Vitória de Santo Antão, onde existiam muitos pitus, os camarões de água doce, que eram usados como tira-gosto das reuniões para beber aguardente no engenho. A outra versão fala da cana-pitu, um tipo de cana-de-açúcar dos engenhos da Mata Norte.