• Ceclin
abr 15, 2016 0 Comentário


Vitória de Santo Antão na batalha pelo Cineteatro Iracema

Cineteatro Iracema, em Vitória de Santo Antão. Foto de Claudia Oliveira / Divulgação

Cineteatro Iracema, em Vitória de Santo Antão. Foto de Claudia Oliveira / Divulgação

A 1ª Mostra de Cinema do Município volta-se para debater questões urbanísticas

Jefferson Sousa, do JC Online

O abandono do histórico cineteatro Iracema, fundado em 1947, serviu de mote para a realização da Primeira Mostra de Cinema da Vitória de Santo Antão, que começa hoje e vai até domingo, no Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico. O evento traz filmes, mesas e oficinas voltados para discussões e reflexões urbanísticas, que acontecerão no Centro Acadêmico de Vitória (CAV/UFPE).

A programação começa com uma mesa redonda intitulada de Cinema e cidade: espaços de exibição e cinemas de rua, composta por André Dib, Neco Tabosa e Pedro Ferre, mediada por Walter Andrade. O propósito é debater os antigos cinemas de rua, a luta para continuar existindo e suas consequentes transformações.

Dialogar sobre o município de Vitória também é uma das prioridades do debate, levando em conta o atual estado de abandono do cineteatro Iracema (que encontra-se fechado desde 2004) e apresentando uma comparação com as soluções adotadas por outras cidades em questões semelhantes.

Uma outra ideia do evento é trazer filmes que tiveram pouquíssima circulação para serem exibidos ao lado de recentes sucessos nacionais. “A gente pegou trabalhos relevantes, como o último filme de Eduardo Coutinho e o novo de Gabriel Mascaro e abriu espaço para os curtas que não tiveram tão boa distribuição, mas sem abrir mão da qualidade e da temática proposta”, explica Walter Andrade, um dos curadores da mostra, que procurou pontos em comum entre as realizações, de modo que elas fizessem sentido dentro desse todo.

A mostra também reserva uma parte de sua programação para a educação, através das oficinas Formação de Cineclubes, ministrada por Amanda Ramos, para o público adulto, e duas outras para o público infanto-juvenil: Oficina o Olho Mágico, realizada por Darlan Galvão, e a Oficina de Introdução à Fotografia e Filmagem, por Leo Leite.

A importância deste evento, segundo os organizadores, ultrapassa seu conteúdo mais visível – a exibição dos filmes e realização das oficinas – para se tornar uma demonstração do esforço coletivo de alguns vitorienses em defender a cultura e o patrimônio da cidade. “O Iracema foi nossa inspiração nesta primeira edição, principalmente porque é um lugar que carece de preservação e atenção do poder público”, completa Walter.

 

PROGRAMAÇÃO 

SESSÃO INFANTIL – Filmes infantis, 69’
Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão
15/04 (sexta-feira), 14h
Entrada gratuita

A FUGA (Douglas Alves Ferreira, 2015, SP, 10’)
Em 50 A.C. no antigo Egito, o exército romano está conduzindo seus mais recentes prisioneiros de guerra pelo deserto. Inconformado um menino tenta fugir de seus captores.

CÉU ÁRIDO (Rafael Dayon, 2015, PE, 2’)
Um pacato cangaceiro cruza o Sertão Nordestino em seu cavalo seguido de sua pequena boiada. No caminho de terra quente e sem água, surge magicamente um laço de amizade sob o vermelho do céu árido.

CHIFRE DE CAMALEÃO (Marcelo Marão, 2000, RJ, 6’)
Cotidiano autêntico de um quintal onde convivem um camaleão e um bebê. Narrativa naturalista com informações verídicas sobre uma batalha entre dois camaleões rivais por uma fêmea. A gana da escama que ama na grama.

CORAÇÃO AZUL (Wellington Sari, 2014, PR, 25’)
Janco e Samuel são donos de uma agência de detetives, na escola. Enquanto investigam o desaparecimento de uma bola de vôlei, Janco tenta se aproximar de Dariana, menina por quem é apaixonado.

EU QUERIA SER UM MONSTRO (Marcelo Marão, 2010, RJ, 8’)
Cotidiano de uma criança com bronquite.

INSUSTENTARTE (Thiago Ottoni, 2015, GO, 4’)
Um castor fica famoso após empilhar toneladas de lixo despejadas no córrego onde vive.

SALU E O CAVALO MARINHO (Cecilia da Fonte, 2014, PE, 14’)
O filme conta a história de Mestre Salustiano, um dos artistas populares mais famosos do Brasil. Filho do rabequeiro João Salustiano, Salu logo cedo sonha em participar de um grupo de Cavalo Marinho, folguedo típico da região onde mora.

 

SESSÃO ESPECIAL – Cinema de Bordas, 83’
Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (Praça Diogo de Braga, s/n, Matriz)

15/04 (sexta-feira), 16h
Entrada gratuita

KUNG FU VERDE (Aquiles Thomaz, 2014, PE, 20’)
Vilarejo da Esperança. Uma reserva ecológica existente há três gerações onde uma organização denominada de IDM tenta se instalar com a finalidade de fazer desmatamento ilegal. Moram neste local uma mulher chamada Marize e sua filha Carol de 8 anos e um irmão Ted Green perito em artes marciais que viaja pelo país ensinando que as pessoas devem proteger a natureza. Eles são herdeiros e protetores do lugar que garante a sustentabilidade de 20 famílias. E também existe um segredo secular que acaba despertando ainda mais a ganância dos invasores. Um filme que une educação ambiental e muita ação.

CHUPA-CABRA O FILME (JB, 2009, PE, 63’)
No ano de 2009, nove jovens fascinados por aventuras, que moram na cidade de Vitória de Santo Antão, decidem alugar um sítio para passar um final de semana. Mal sabem eles que aquele seria o início do pior pesadelo de suas vidas. Eles foram parar no lugar errado.

CURTAS – Abertura de longas-metragens

SEM CORAÇÃO (Nara Normande e Tião, 2014, PE, 25’)
Léo vai passar férias na casa de seu primo, em uma vila pesqueira. Lá, ele conhece uma menina apelidada de “Sem Coração”.

MARIA MACACA (16 min, Goiás/GO, Lázaro Ribeiro, 2015)
Maria Macaca é um documentário narrado por dona Nesci, neta de Maria, e dramatizado pela atriz Elisa Lucinda, que juntas rememoram a vida difícil de uma carregadeira de d’água, negra, alta, magra e alegre. De pés firmes nas pedras das ruas da velha Goiás, saltitante com sua lata na cabeça a equilibrar o líquido que nutre e preserva a vida. Mulher que clama por chuva e reza pelo futuro da humanidade.

 

CURTAS 1 – Cinema e Cidade, 57’

Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (Praça Diogo de Braga, s/n, Matriz)
16/04 (sábado), 16h
Entrada gratuita

WANDENKOLK (Bruno Firmino, 2015, PE, 18′)
Das silenciosas sombras às linhas que atravessam ideias e obras do arquiteto Wandenkolk Tinoco.

OS FILMES QUE MORAM EM MIM (Caio Sales, 2015, PE, 14′)
Tenho impressão de que certas imagens com as quais convivo são espécies de fissuras, fendas que, apesar de desconhecer sua profundidade, não me resta escolha senão a de atirar-me dentro delas.

O QUE SE MEMORA (Caio Dornelas e Ernesto Rodrigues, 2014, PE, 10′)
A memória viva de cinemas mortos.

A CLAVE DOS PREGÕES (Pablo Nóbrega, 2015, PE, 15′)
Quatro vendedores recortam a massa sonora da metrópole, em sua essência, musical.

 

CURTAS 2 – Cia. do Medo, 43’
Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (Praça Diogo de Braga, s/n, Matriz)
16/04 (sábado), 17h30
Entrada gratuita

DOMINGOS (Jota Bosco, 2015, PE, 11′)
Domingos é uma pessoa pacata, tímida, “invisível” e podemos notar isso na repetição de seus hábitos diários: acordar, tomar café, ir pro trabalho, voltar pra casa, assistir TV, dormir. A única “variável” em sua vida é a presença de Rosinha. Uma das únicas pessoas que o percebe. Certo dia, a jovem encontra um documento perdido por nosso protagonista e resolve ir a sua casa para devolvê-lo. Rosinha vai descobrir que Domingos possui um terrível segredo.

SUTURA (Larissa Melo, 2015, SP, 12′)
Ruan é um médico que desde criança sempre foi muito tímido. Mas ao presenciar a morte de sua mãe, tudo muda e faz toda sua vida tomar um rumo meio diferente.

NUA POR DENTRO DO COURO (Lucas Sá, 2014, MA, 20′)
Ela protege sua carne, mas o couro começa a cair.

 

CURTAS 3 – Estações, 77’

Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (Praça Diogo de Braga, s/n, Matriz)
17/04 (domingo), 14h30
Entrada gratuita

JOÃO HELENO DOS BRITO (Neco Tabosa, 2014, PE, 20′)
Bang bang, paz e amor.

ILHA (Ismael Moura, 2014, PB, 15′)
Em meio ao isolamento, pai e filho vivem presos em suas próprias correntes, transformando seu mundo em uma ilha interior.

O NOME DO DIA (Marcello Quintella E Boynard, 2015, RJ, 18′)
Uma dor profunda e silenciosa une pai e mãe na saudade do filho. Para seguir adiante, eles precisam enfrentar o sofrimento desconhecido. O filho dizia que todos os dias tinham um nome, mas partiu sem dizer o nome do dia de sua morte.

SOPRO, UIVO E ASSOBIO (Bernard Lessa, 2015, RJ, 24′)
Um amigo é um mesmo com outra pele.

 

CURTAS 4 – O amor no fim do mundo, 55’
Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (Praça Diogo de Braga, s/n, Matriz)
17/04 (domingo), 16h30
Entrada gratuita

AINDA NÃO LHE FIZ UMA CANÇÃO DE AMOR (Henrique Arruda, 2015, RN, 16′)
Greg e Alessandro estão no quarto, se olhando. O sentimento de culpa e nostalgia daquele momento até pode marcar para sempre a vida dos dois, mas é apenas uma passagem para permitir que o amor caminhe livremente entre eles. Eles se olham. Eles se sentem. Eles se amam, independente das fotos nunca reveladas ou das canções nunca escritas.

TODAS AS MEMÓRIAS FALAM DE MIM (Alice Name Bomtempo, 2015, RJ, 14′)
Nós fomos amigos por um tempo, mas não amigos próximos, até porque eu a achava completamente inatingível. E aí ela veio correndo, me abraçou e me beijou. E sei lá. Na verdade, acho que nem aconteceu.

O LUGAR MAIS FRIO DO RIO (Madiano Marcheti, 2014, RJ, 6′)

FIO-TERRA (Ian Capillé, 2015, RJ, 19′)
Dora e David se conhecem quando acordam na mesma cama.

 

LONGAS

 

ÚLTIMAS CONVERSAS (Eduardo Coutinho, 2015, BRA, 85’)
No longa póstumo que o diretor não teve tempo de montar, ele conversa com jovens cariocas estudantes do ensino médio da rede pública sobre suas vidas e o que eles esperam do futuro.

JARDIM ATLÂNTICO (Jura Capela, 2013, BRA, 90’)
O filme é uma narrativa criada a partir da história de Pierre e Syl, um casal em conflito no duelo entre posse e liberdade de um relacionamento conturbado. Pierre é inseguro e ciumento, enquanto Syl nem imagina o que o convívio com outros amigos pode provocar no emocional do namorado – e o quanto isso poderá afetá-la de forma trágica. Um musical em homenagem ao Brasil, o jardim do Oceano Atlântico.

TODAS AS CORES DA NOITE (Pedro Severien, 2015, BRA 70’)
Iris vive sozinha em um espaçoso apartamento à beira-mar. Ao anoitecer, o lugar acolhe conhecidos e desconhecidos. Numa manhã pós-festa, ela encontra um corpo na sala de estar. Iris sente-se repetindo os passos de sua amiga de infância, Tiara, uma estudante de medicina que atropelou um paquera na saída de uma boate. O caso é bastante conhecido na cidade e Iris não quer se tornar mais um fantasma desse sombrio universo de histórias.

PRAIA DO FUTURO (Karim Aïnouz, 2014, BRA/ALE, 106’)
O salva-vidas Donato trabalha na Praia do Futuro, em Fortaleza. Ao fracassar pela primeira vez em um resgate, ele acaba conhecendo o alemão Konrad, amigo da vítima. Motivado pelas circunstâncias, Donato resolve recomeçar a sua vida em Berlim, deixando para trás a família e o passado. Anos mais tarde, Ayrton, o irmão mais novo de Donato, embarca para a Europa em busca do irmão, que considerava ser seu herói.

O HOMEM DAS MULTIDÕES (Marcelo Gomes e Cao Guimarães, 2014, BRA, 95’)
Juvenal é um maquinista de metrô em Belo Horizonte, Margô controla o fluxo dos trens. Ambos vivem em um estado de profunda solidão – cada um à sua maneira. Esse filme é uma reflexão sobre diferentes formas de solidão e amizade no universo urbano brasileiro.

BOI NEON (Gabriel Mascaro, 2015, BRA/HOL/URU, 101’)
A trama acontece no Nordeste do Brasil e narra o drama particular de Iremar, um vaqueiro dono de curral, que viaja pelo Nordeste trabalhando em vaquejadas enquanto sonha em largar tudo e começar uma nova carreira na moda, como estilista.