• Ceclin
jan 26, 2009 2 Comentários


Vice-presidente do PT estadual é assassinado

Widio Joffre
O vice-presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco, o advogado Manoel Bezerra de Mattos Neto, 44 anos, foi assassinado na Praia de Acaú, em Pitimbu, na Paraíba. Por volta das 23h do sábado, o advogado conversava com oito amigos em uma mesa na parte da frente da residência quando foi surpreendido por dois homens armados com pistola e espingarda. Os criminosos teriam se aproximado do grupo e mandado todos ficarem quietos. Em seguida, se dirigiram ao advogado e efetuaram os disparos.

Para a polícia, familiares e partidários, a execução está relacionada ao trabalho do político, que há mais de dez anos combatia a atuação de grupos de extermínio em cidades da Mata Norte pernambucana.

Segundo o gerente-executivo da Polícia Civil da Paraíba, o delegado Gerson Barbosa, testemunhas contaram que antes de atirar os dois homens teriam dito: “É você mesmo, rapaz”. “Em seguida, deram um tiro de espingarda no peito dele que dilacerou o coração”, contou Barbosa. Quando Manoel Mattos caiu no chão, o homem que manuseava a espingarda efetuou um segundo disparo. Desta vez na cabeça.
Os criminosos não estavam encapuzados, mas usavam bonés que encobriam parte do rosto. Um deles vestia um blusão semelhante a uma farda do Exército. Gerson Barbosa descartou a possibilidade de assalto e relacionou a morte com a atuação do advogado no combate a pistoleiros da região. “Ele fazia muitas denúncias. É possível que tenha sido por conta disso”, considerou.


Ramon Menezes

Manoel Mattos tinha sido peça importante dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Federal entre 2003 e 2006 para apurar a existência de grupos de extermínio. O advogado mantinha os parlamentares informados sobre o modo de agir de pistoleiros no limite entre Pernambuco e Paraíba.
Seu velório foi realizado ontem no ginásio de esportes de Itambé, município da Mata Norte pernambucana em que atuava politicamente, sob forte comoção de familiares, amigos e políticos. Seu enterro foi realizado no cemitério da cidade.

Motivação – Os partidários de Manoel Mattos atestam que sua morte está relacionada as denúncias contra os grupos de extermínio. “Claro que há ligação”, declarou o deputado federal Luiz Couto (PT/PB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e que relatou para a CPI a ação desses grupos no Nordeste. Couto destacou o advogado frequentemente fornecia informações aos parlamentares da comissão.
“Como testemunha, ele passava o modus operandi das quadrilhas. Mandava sempre relatórios sobre crimes, com possíveis autores, mandantes e como eles procediam. Eram grupos que agiam em Itambé e nas cidades vizinhas, com participação de autoridades, empresários, policiais”, observou.

O deputado federal Fernando Ferro (PT/PE), de quem Manoel Mattos era assessor, contou que em um único dos dossiês preparados pelo advogado em parceria com o Ministério Público foram relacionados mais de 100 homicídios. O conteúdo do documento teria sido decisivo para a prisão, em Pernambuco, de várias pessoas e servido de guia para o desbaratamento de grupos em Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e, até, Jaboatão dos Guararapes.

As informações fornecidas pelo advogado teriam lhe rendido ameaças de morte. A últimas delas, no dia 28 de dezembro passado. Luiz Couto disse que, desde 1996, o advogado vinha sendo perseguido. Como exemplo, ele citou o comportamento de um policial militar suspeito de ter integrado um grupo de extermínio. “Quando estava embriagado ele afirmava publicamente que o mataria”.

Fernando Ferro afirmou que o ex-assessor já havia escapado de tiros e outras tentativas de homicídio. Manoel Mattos teria passado um ano sob escolta de agentes da Polícia Federal. Mas a proteção foi retirada pois a corporação não teria visto mais a necessidade. A realidade, no entanto, mostrou o contrário.
(Diario de Pernambuco).
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