Ceclin
jan 08, 2010 1 Comentário


Um terço dos gays assume antes dos 15

Publicado em 08.01.2010

SÃO PAULO – Um a cada três gays assume sua sexualidade diferente da hetero antes dos 15 anos, segundo pesquisa realizada pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo durante a Parada LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). O evento, maior manifestação pelos direitos dos homossexuais no País, reúne pessoas de vários Estados.

De acordo com a pasta, foram ouvidas 211 pessoas entre 10 e 24 anos que participaram do evento, em junho do ano passado. Do total, 31,3% disseram ter assumido a homossexualidade entre os 10 e os 14 anos, 62,8% entre 15 e 19 anos e apenas 5,9% após os 20. O estudo mostrou ainda que 71,1% dos entrevistados tinham assumido sua opção sexual para a mãe. Os que contaram para o pai representaram 56,8% do total.

Entre as pessoas do sexo masculino, 42% responderam que haviam se relacionado sexualmente com mais de 10 parceiros e 19,4%, com entre cinco e nove parceiros. Já entre as mulheres, 35% informaram terem tido relacionamento com mais de 10 parceiros e 30%, de cinco a nove parceiros.
Metade das pessoas ouvidas relatou ser vítima de preconceito, discriminação ou falta de respeito nos serviços de saúde. Alegaram falta de atenção, descaso ou desinteresse no atendimento 9,95%. Entre os entrevistados do sexo feminino, 61,6% vão ao médico preventivamente e, entre os homens, 52,2%.
“A rede de saúde precisa acolher esses adolescentes e não inibi-los, pois a vulnerabilidade pode fazer com que o jovem adote comportamentos de risco. O acompanhamento médico adequado dos jovens desse grupo pode evitar o surgimento ou agravamento de problemas de saúde”, afirma a coordenadora de Saúde do Adolescente da secretaria, Albertina Duarte Takiuti.
Ainda segundo a pasta, um programa específico está sendo desenvolvido para atendimento de adolescentes LGBTT em todo o Estado. Em novembro foi realizada uma grande capacitação para cerca de 800 profissionais de saúde que trabalham em serviços de saúde voltados a jovens.
O objetivo da iniciativa é preparar a rede para abordar o adolescente de forma que ele não se sinta discriminado e fique à vontade para falar sobre sua conduta sexual ou afetiva. Por conta desse programa, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) convidou a secretaria para colaborar na elaboração de diretrizes que irão nortear o atendimento em saúde de adolescentes e jovens em toda a América Latina.
(Jornal do Commercio).