Ceclin
jul 02, 2009 3 Comentários


Um passo adiante nas relações de trabalho

por Luciano Siqueira.

Em tempo de crise, uma boa notícia. Ótima notícia, melhor dizendo – pelo fato em si e por ocorrer no âmbito da Câmara dos Deputados.
Nem só de escândalos vive a Câmara, nem só de perdas e retrocessos vive o trabalhador brasileiro.

Ontem uma Comissão Especial da Câmara aprovou por unanimidade a proposta de autoria do deputado (hoje senador) Inácio Arruda (PCdoB-CE), de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A matéria ainda irá à votação em plenário, onde precisará de 308 votos favoráveis, e posteriormente será submetida ao Senado.
Há, portanto, uma estrada arriscosa (como diria o personagem de Guimarães Rosa) a percorrer. Mas os sindicalistas se mostram otimistas, apoiados na unidade de todas as centrais sindicais que mobilizaram ativistas para acompanharem a votação e prometem a presença de milhares de trabalhadores nas votações seguintes.

Pesa em favor da redução da jornada o significativo aumento da produtividade verificado nas últimas duas décadas em nosso país, fruto do incremento de novas tecnologias aos processos produtivos – que trouxe enormes benefícios às empresas, não compartilhados com os trabalhadores. Além disso, a redução da jornada também possibilitará uma ampliação da oferta de postos de trabalho, um dos fatores decisivos para o sucesso do enfrentamento dos efeitos da crise global sobre a economia brasileira.

Mais: nas grandes e médias cidades somam-se à jornada de trabalho as horas que o trabalhador gasta deslocando-se entre sua casa e o local de trabalho, do que resultam precárias condições de vida. Com a jornada de quarenta horas, haverá tempo para o convívio familiar e o lazer, e até para melhorar a qualificação profissional.

Motivos de sobra para que as centrais sindicais – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Força Sindical, Nova Central e União Geral dos Trabalhadores (UGT) – redobrem a pressão sobre a Câmara e o Senado.

Se a conquista se confirmar, será a terceira vez, desde o período da escravidão, que se aprova redução de jornada de trabalho no Brasil – antes isso se deu em 1943 e 1988. E significará um passo adiante nas relações de trabalho. www.lucianosiqueira.com.br

por Luciano Siqueira,
é Vereador do Recife pelo PCdoB.