• Ceclin
jan 15, 2009 1 Comentário


Um confronto de caciques

As convenções que definiram ontem as chapas dos candidatos que disputarão as eleições suplementares em três municípios do Estado, em 8 de fevereiro (veja quadro abaixo), apontam para embates acirrados entre caciques das principais forças políticas do Estado.
Principalmente porque, mesmo faltando cerca de dois anos, as eleições de 2010 já motivam movimentações de oposicionistas e governistas. Não que Lagoa Grande (Sertão do São Francisco), Caetés e Pombos (ambos no Agreste) sejam bases eleitorais decisivas. Mas é importante marcar terreno e mostrar força. Não por acaso, o governador Eduardo Campos (PSB) estuda a possibilidade de participar de comício em favor de Robson Amorim (PSB), em Lagoa Grande. Por sua vez, os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Sérgio Guerra (PSDB) já acertaram presença na campanha de Rose Garziera (PMDB).
Em Lagoa Grande, aliás, a eleição deve ser carregada de simbolismo. Não só porque provocará um confronto entre Jarbas e Eduardo. Mas porque o Sertão do São Francisco vem se tornando um pesadelo para os governadores em disputa eleitorais. Durante as duas gestões (1999-2006) Jarbas amargou derrotas em Petrolina, principal cidade da região.
Em outubro passado, foi a vez de Eduardo. Seu candidato, Gonzaga Patriota (PSB), foi superado por Júlio Lossio (PMDB). Ontem, a presença do secretário de Desenvolvimento Econômico e ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra (PSB) na convenção do PSB em Lagoa Grande evidenciou a preocupação do Palácio do Campo das Princesas. “O governador deve vir. Só falta definir a data”, informou, por telefone, o secretário.
Em Caetés, terra do presidente Lula e onde o PT elegeu, em 1996, o primeiro prefeito em Pernambuco, Eduardo também é esperado para reforçar o palanque de Hermínio Sampaio (PSB). O problema é que o PTB, aliado de primeira hora do Palácio, ocupa a vice da chapa encabeçada por Lindolfo Almeida (PSDB).
O deputado Izaías Régis (PTB), que articulou a aliança do seu partido com os oposicionistas tucanos, acredita e torce para que o governador não vá a Caetés. O mesmo devem querer Sérgio Guerra e o deputado Armando Monteiro Neto (PTB). Embora adversários e potenciais candidatos ao Senado (podem se confrontar diretamente em 2010), ali estão aliados e são esperados para, juntos, pedirem votos para Lindolfo.

Em Pombos, o governador não vai. A base do governo também está dividida. Só que diretamente (nas cabeças das chapas). O PR, do deputado Inocêncio Oliveira se confrontará com o PTB, de Armando Monteiro. Ontem, a convenção que homologou o nome de Jane do Povão, o PR, sigla “da cozinha” do Palácio, não se incomodou em se aliar ao DEM e ao PPS, tornando-se “adversário” do PTB e do PSB

Crime e castigo na última eleição

As eleições suplementares são necessárias porque os eleitos em Caetés, Lagoa Grande e Pombos foram denunciados por crimes eleitorais e condenados em última instância pelo Tribunal Superior Eleitoral. A exceção é Jane do Povão, de Pombos. Mesmo eleita, ela acabou perdendo o direito de assumir por conta da punição imposta ao seu vice, Patrício Magalhães.

Ontem, enquanto participava da convenção, ela corria novo risco de ficar impedida de concorrer em fevereiro. Isso porque o TRE julgava, no mesmo horário, um recurso contra a rejeição das contas da sua campanha de outubro. O Tribunal, no entanto, aprovou a contabilidade com ressalvas e ela está habilitada à disputa.

Jane foi eleita dos 54,85% dos votos. Ontem, ela comemorou a volta ao páreo e mostrou ânimo para o novo embate, três meses depois da eleição de outubro. “Estou apta a concorrer. O que me derrubou foi o meu vice”, relembrou. Agora, ela tem como vice a empresária Adejane Silva, do DEM. Além do PPS e PMN, a prefeiturável do partido de Inocêncio conta com apoio de PT, PR, PCdoB, PV, PP e PDT e PRB. Informalmente, tem ainda o apoio do deputado federal Carlos Eduardo Cadoca (PSC).

Além dos três citados, outros municípios do estado correm o risco de passar por votações suplementares, caso os prefeitos eleitos (e empossados) sejam condenados pelo TSE. São eles: Goiana, Pesqueira, Ipojuca, Palmares, Quipapá, Bodocó, Calumbi, Exu, Itacuruba e Lajedo, além do Recife. Na capital, o prefeito João da Costa (PT) teve a diplomação questionada pelo DEM em três processos. Dois tratam do uso eleitoral da máquina municipal e outro da suposta distribuição de peixes em troca de votos. Até sair a sentença definitiva da Justiça Eleitoral os prefeitos permanecem nos cargos.

(Diario de Pernambuco)

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