Ceclin
ago 19, 2010 5 Comentários


"SOS ONGs", bota a cara na rua

As entidades de Defesa dos Direitos Humanos da Cidade da Vitória de Santo Antão, realizaram uma Caminhada que saiu da Praça da Matriz percorrendo as principais ruas do Município e terminou defronte à Prefeitura Municipal.


O objetivo foi dar visibilidade as ONGs e entidades que atuam no Município em defesa dos direitos humanos e civis da sociedade vitoriense.
O Programa A VOZ DA VITÓRIA da sexta feira (13) em sua Mesa Redonda transmitido pela Rádio Tabocas FM (98,5), contou com a presença de representantes dessas entidades para esclarecer a população sobre seus trabalhos e a necessidade em buscar políticas públicas em benefício das pessoas que são contempladas pelos serviços sociais oferecidos por estas entidades.

Estiveram presentes em nosso estúdio, Cláudio Ferino – Presidente do Conselho dos Moradores do Loteamento Professor Mário Bezerra, Fernando Ribeiro – Diretor do Instituto Vitória Humana, Gilberto Júnior – UJS e DCE/FACOL, Adriano C. de Farias – Representante do Loteamento Real Vitória, André Castelo Branco – representando a Maçonaria, Armando Macedo – Conselho Tutelar, além de Taciana Castelo Branco – representante da Casa da Criança e coordenadora do Fórum das Entidades.

A população foi convidada a participar pelo telefone 3523-3304 e enviaram suas perguntas e questionamentos para o E-mail [email protected]
Ao ser indagado por Lissandro Nascimento, os entrevistados foram unânimes em dizer que a maior dificuldade encontrada pelas ONGs foi a ausência de dialogo com a Gestão Municipal, a dificuldade de acesso ao Prefeito Elias Lira (DEM), ocasionando a necessidade da criação desse Fórum e por conseqüência a caminhada intitulada de “SOS ONGs”.

Leia detalhes do debate:

Segundo Taciana, o objetivo principal desse Fórum foi publicizar as demandas da sociedade civil organizada que na maioria das vezes são esquecidas pelos nossos governantes nas três esferas (Municipal, Estadual e Federal).
“Estamos solicitando ao prefeito do Município uma audiência com ele, onde uma comissão irá entregar um documento com as reivindicações de cada entidade e reivindicações gerais como, por exemplo, os recursos das entidades que estão sendo repassados com defasagem”, explicou.

Taciana informou que a grande dificuldade hoje em Vitória de Santo Antão é a falta de projetos e de financiamento para as entidades.
“Estamos solicitando ao governo municipal na pessoa do senhor Elias Alves de Lira uma reunião para que possamos ter um dialogo aberto, pois todos estão cansados de intermediários e promessas, a sociedade civil está precisando de respostas”, cobrou.


Fernando Ribeiro pontuou que esse movimento é político social. Visa a melhoria de vida dos vitorienses, trabalho esse de total relevância social e que precisa ser visto e reconhecido pelas autoridades. Esse movimento existe pela dificuldade do dialogo. “Estamos querendo trabalhar junto com a gestão municipal e não contra ela”, ponderou.


O Instituto Vitória Humana nasceu por necessidade de uma organização administrativa ao trabalho iniciado por dona Nininha, que a principio tratavam-se de crianças que eram acolhidas sem uma determinação judicial, e hoje a entidade detém crianças, adolescentes e jovens, alcançando a faixa etária de 0 a 18 anos, vivendo em tempo integral sob autorização judicial.
“Essas crianças que abrigamos geram uma demanda grande de ordem material, trabalhamos para mantê-las de uma forma digna para que quando completarem a maior idade possam sair da casa com uma boa formação para enfrentar a vida.
Temos trabalhos pedagógicos e psicológicos para as crianças que passaram por grandes sofrimentos e precisamos dar continuidade a esse trabalho e para que isso aconteça precisamos do respaldo dos governos porque a demanda é grande e precisamos no momento do governo, para abrir um espaço para conversar e para propor ao governo uma maior participação nas políticas públicas sociais de Vitória de Santo Antão”, salientou.

Armando Macedo declarou que o Conselho Tutelar está engajado com as ONGs que trabalham com crianças e adolescentes, aproveitando para reivindicar uma atenção melhor dos gestores para a questão do Conselho Tutelar e das ONGs, pois o Conselho Tutelar, segundo ele, vem passando por dificuldades desde 2001 e isso é freqüente em todas as outras entidades.

Afirmando: “A partir do momento que entidades passam por dificuldades, os direitos da criança e do adolescente estão sendo violados. Criança e adolescente são responsabilidade de todos”.
Citou ainda que o Conselho Tutelar não consegue atender a demanda que existe em Vitória de Santo Antão devido ao aumento da população de criança e adolescente, isso já foi motivo de pauta junto à Promotoria de Justiça onde a principal discussão foi a necessidade de criar outro Conselho Tutelar em Vitória e um abrigo para acolher as crianças que são encontradas a noite em situação de risco.
O Conselho Tutelar ainda não tem uma sede própria e funciona numa sala alugada no Vitória Plaza – na sala 112 – 2º andar.

Gilberto Júnior informou que essa passeata é um ato em que a sociedade já vem se organizando há muito tempo por ver a necessidade da Vitoria de Santo Antão ter uma representatividade maior e uma discussão mais ampla entre o governo e a sociedade civil organizada, coisa que não acontece, segundo ele, há muito tempo no município.
Contou que com isso, as entidades se organizaram nesse Fórum para tentar construir e debater com os órgãos governamentais as políticas públicas que possam responder aos anseios de nossa sociedade. “Seja elas políticas para crianças, adolescentes, juventude e idoso, que possam de fato contribuir para a construção de uma sociedade melhor devido aos avanços que vem ocorrendo no Município com a chegada de indústrias de grande porte, em contraste com a falta de qualificação profissional e urbanização para o cidadão vitoriense”, ponderou.

“Estamos tentando mostrar a cara de nosso Fórum e mostrar a verdadeira situação em que as entidades de nossa cidade vivem nesse momento”, declarou Gilberto.

André Castelo Branco, informou que a Maçonaria não poderia deixar de apoiar a sociedade civel na cidade da Vitória de Santo Antão, uma vez que terá que buscar uma melhor organização da própria sociedade, afirmando que durante a história de nossa cidade, muitas entidades se perderam no tempo enquanto tinha muitos trabalhos importantes para fazer.
“Então estamos ajudando as entidades a se organizar para que se possa fazer uma política social totalmente voltada para o povo”, declarou.

Segundo Castelo Branco, está havendo um problema de comunicação entre a sociedade civil e o governo instituído, hoje enquanto o Brasil inteiro luta contra a burocratização, Vitória rema contra a maré, aprovando leis municipais que vão de encontro com a Constituição, segundo ele, burocratizando e prejudicando as entidades.


Cláudio Ferino informou que as reivindicações não serão apenas do bairro Mário Bezerra, mas sim de todo o Município, devido o problema atingir toda a população vitoriense.
“Vamos conclamar a sociedade para que passem a comparecer as reuniões da Câmara de Vereadores, pois a sociedade não comparece e não vê a aprovação de projetos como o que tira a responsabilidade do Município de custear cirurgias de funcionários públicos municipais. Além do fato de que este projeto foi aprovado sem o conhecimento da sociedade vitoriense, por não comparecer as reuniões e alguns cidadãos vitorienses estão sofrendo as conseqüências”, ponderou.


“Quando houve a Enchente aconteceram alguns problemas, algumas localidades ficaram em situação de emergência. O que eu não concordo foi decretar o Estado de Calamidade Pública, isso foi exagero”, reagiu.
“Não ficamos esperando de braços cruzados, apesar da ação das autoridades, houve alguns transtornos, mas o principal foi o esquecimento depois que a situação se estabilizou”, lamentou.

Para Adriano Campelo, este ressaltou que há 16 anos o Loteamento Real Vitória vem sofrendo os mesmos problemas e já enfrentou vários descasos em diversos governos, porém os moradores permanecem na luta. “Há casos de dengue, suspeitas de leptospirose. Neste meio tempo o bairro perdeu área verde que está sendo objeto de causa jurídica”, contou Campelo.

Citou que no momento o bairro está se mobilizando e começando a cobrar das autoridades soluções para os problemas mais graves, a exemplo do saneamento, pavimentação das ruas e campanhas voltadas para a saúde pública.
“O elemento dessa união é pela razão do único jeito que se tem para que sejamos ouvidos, pois sozinho não conseguiremos resultados, e a partir desse momento acho que conseguiremos chegar a um entendimento com a Prefeitura”, considerou.


Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.