• Ceclin
jul 03, 2009 0 Comentário


Sonho da nova moradia ainda distante

Publicado em 03.07.2009

Os desabrigados das chuvas de 2005 vão ter que ser ainda mais pacientes. Serão pelo menos mais seis meses de espera para realizar o sonho de ganhar uma nova casa. Em Moreno, a previsão do governo do Estado é começar a entregar os imóveis no fim do ano.

Em Jaboatão dos Guararapes, o processo levará o dobro do tempo, mas a situação mais difícil é a de Vitória de Santo Antão. Como as casas foram invadidas, os desabrigados só terão acesso a elas depois que as famílias invasoras forem retiradas, provavelmente à força, o que deve acontecer nos próximos meses.
“Infelizmente, teremos que partir para isso. Tentamos um acordo de todas as formas, inclusive com a intermediação do Ministério Público. Nos comprometemos a incluir as famílias invasoras num próximo projeto habitacional, que será executado ainda este ano, mas não houve jeito. No prazo final, determinado pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), os invasores voltaram atrás”, lamenta o presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), Amaro João.

Não há prazos, mas o departamento jurídico da Cehab aguarda apenas a retomada dos trabalhos do Judiciário, que retornou do recesso quarta-feira, para cumprir a liminar de reintegração de posse. “Vamos acertar a retirada com a Polícia Militar e apelar para que eles saíam sem resistência. A decisão está tomada. Com as casas desocupadas, levaremos de 30 a 60 dias para concluir o habitacional e, aí sim, entregá-lo aos desabrigados cadastrados inicialmente”, garante Amaro João.

Em Vitória de Santo Antão foram investidos R$ 8 milhões.

São grandes as chances de haver confronto, já que as famílias que invadiram as casas formaram uma associação e garantem que não deixam os imóveis. Custe o que custar. “Todos aqui são necessitados”, avisa o presidente da associação, Edson Araújo. Por outro lado, a promotora de Vitória de Santo Antão, Maria Amélia Gadelha Schuler argumenta que, depois que as famílias descumpriram o TAC, não tem mais como intervir. Ou seja, só resta a reintegração de posse.

Em Jaboatão, onde serão investidos R$ 38,6 milhões, as primeiras casas só deverão começar a ser erguidas em janeiro. E, mesmo assim, serão apenas 600 na primeira etapa. Não há previsão para o restante. Segundo a Cehab, houve uma série de dificuldades para conseguir os licenciamentos ambientais. “Mas a obra foi licitada e levará de 180 dias a um ano para ficar pronta”, explica Amaro João. Moreno é o município mais avançado, onde os desabrigados terão que esperar menos.

A expectativa do governo do Estado é de entregar as primeiras casas da segunda etapa, que compreende 326 residências, no fim do ano. O investimento no local é de R$ 11,3 milhões, com recursos do governo federal. O Estado entra com a infraestrutura e os municípios, com a doação dos terrenos.
(Jornal do Commercio).

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