• Ceclin
mar 11, 2009 4 Comentários


Sobre o dia 06 de março

Vitória de Santo Antão, 7 de março de 2009

Exmo. Sr.
Dr. Roberto Pereira

Respeitosas e cordiais saudações.

Li e gostei do seu artigo sobre a revolução de 1817, reproduzido no Blog A Voz da Vitória de Lissandro Nascimento. Parabéns.
Permita-me fazer algumas considerações sobre sua missiva. Nela V.S. escreve que em Guararapes nasceram os ideais de liberdade e justiça.
Mais adiante que é ‘triste saber que o chamado “sul maravilha” desconhece essas antecipações político-libertárias de Pernambuco”. Concordo plenamente com sua assertiva.

Façamos agora um paralelo. Triste saber que o “Recife-Olinda maravilha (s), quiçá todo Pernambuco desconhece as antecipações libertárias de Vitória de Santo Antão. Não se faz nenhuma referencia à batalha do Monte das Tabocas. Sem Tabocas não haveria Guararapes; não haveria 1710 ( lembro que o movimento de 1710, Guerra dos Mascates, teve início com Pedro Ribeiro em Vitória de Santo Antão. Foi o início de todo movimento Nativista pernambucano (Mário Melo e Nélson Barbalho); não haveria 1817; não haveria 1824.
Mais, no momento da Batalha do Monte das Tabocas, o Governador da Liberdade, João Fernandes Vieira afirmou:
“a sorte da nossa causa, depende deste primeiro combate. Não preciso, penso eu, procurar animar-vos com exortações; trata-se de reconquistar a todo o custo a liberdade; a vitória não será duvidosa. O céu que nos protege, e o vosso valor asseguram o triunfo da causa da pátria”.( José Bernardo Fernandes Gama ).

Tabocas é o berço da nossa nacionalidade, berço de nossos ideais de liberdade, de nossa pernambucanidade.
Até quando seremos injustos e omissos com os vitorienses, assim como o “sul maravilha” é injusto e omisso com as tradições, a história e a cultura do nordeste?

Tabocas, reconheço, não teve o volume de armamentos e de militantes que teve Guararapes. Entretanto foi a semente e se João Fernandes Vieira tivesse sucumbido naquela batalha todo o movimento de liberdade seria postergado ou adiado.

Agradeço lhe a atenção e aproveito o ensejo para apresentar lhe minhas respeitosas considerações.


por Pedro Ferrer de Morais*

* – Professor aposentado da UFPE
- Ex-Presidente do conselho Federal de Biologia
- Vice-Presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão
- Diretor de Cultura da Prefeitura da Cidade da Vitória de Santo Antão.

ARTIGO VINCULADO:

Seis de março, a Data Magna de Pernambuco