Ceclin
fev 29, 2012 0 Comentário


Sob um olhar estrangeiro

Folha de Pernambuco

Jogadora e pesquisadora, norte-americana Caitlin Fisher está no Vitória

Elas não buscam se equiparar aos homens, o que seria algo praticamente impossível. O único objetivo é serem vistas com um outro olhar, sem preconceitos e, principalmente, sem a associação com o futebol masculino. Esses são os propósitos do projeto Guerreiras do Futebol Feminino Brasileiro, que conta com o apoio do governo dos Estados Unidos e, desde 2010, já percorreu cinco países – Alemanha, Trinidad e Tobago, Inglaterra, Estados Unidos e Gana – com exposições e palestras na tentativa de desmistificar a cabeça das pessoas em relação às barreiras, falta de estrutura e o futuro da modalidade.

Há duas semanas, duas integrantes do projeto, liderado pela capitã da seleção brasileira feminina, Alinne Peregrino, que atualmente joga na Rússia, aportaram na cidade de Vitória de Santo Antão, Agreste de Pernambuco. Caitlin Fisher e Adrienne Grunwald, ambas dos EUA, vieram acompanhar e registrar todos os detalhes das meninas da Acadêmica Vitória. “Aqui, as jogadoras são tratadas como atletas profissionais, a comissão técnica é boa e o time é quase todo formado por atletas de alto rendimento. É algo nunca visto em nenhum outro clube do mundo na atualidade”, explicou a volante Caitlin Fisher, que divide o tempo entre as pesquisas e o futebol. Cabe a Adrienne, a função de registrar tudo em fotos.

Outro ponto que chamou a atenção das pesquisadoras foi a torcida. “Nos EUA, o público no estádio é quase todo formado por pais, familiares e amigos das jogadoras. O máximo que fazem é baterem palmas. Aqui é diferente. Nunca vi nada igual. Eles torcem, reclamam quando erramos e até chegam a sair mais cedo do estádio quando não gostam da partida”, comentou Caitlin Fisher, que é formada em Antropologia e Biologia pela Universidade de Harvard e concluiu o mestrado em Relações Internacionais e Igualidade de Gêneros, em 2010, pela London School Of Economics.

Bem consciente da realidade, Fisher reconhece o lento avanço na mudança de paradigmas do futebol feminino. Prefere não estipular data para o tão sonhado dia em que as mulheres conquistarão seu verdadeiro espaço nesse esporte que, tradicionalmente e historicamente, é dominado pelos homens. “As pessoas devem ir ao campo não para verem belas mulheres jogando e, sim, para assistir a uma partida de futebol. Sem comparações e com respeito”, finalizou a pesquisadora. Três grandes exposições serão preparadas para a Olimpíada de Londres, em julho, Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

COPA BRASIL

Depois de ter estreado no Pernambucano 2012 com goleada de 6×1 sobre o Igarassu, o treinador Edson Valente segue preparando o Tricolor das Tabocas para estrear na Copa do Brasil de Futebol Feminino. A primeira partida será contra o Boca Júnior de Sergipe, dia 10 de março, em Aracaju. Hoje, o clube deve anunciar a contratação de mais uma jogadora americana.