Ceclin
dez 22, 2016 0 Comentário


Sistema de bandeiras tarifárias de energia será mantido e aperfeiçoado em 2017

Medida aumenta a conta de luz dependendo do custo de acionamento das usinas térmicas

bandeira-tarifaria1O ministro de Minas e Energia (MME), Fernando Coelho Filho, disse ontem no Recife que o sistema de bandeiras tarifárias, que aumenta a conta de luz dependendo do custo de acionamento das usinas térmicas, será mantido e “aperfeiçoado” no próximo ano. A proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em consulta pública, prevê o aumento do valor da bandeira amarela de R$ 1,50 para R$ 2 a cada 100 quilowatt/hora (Kwh). Já bandeira vermelha no patamar 2 cairia de R$ 4,50 para R$ 3,50 a cada 100 Kwh e a vermelha no patamar 1 se manteria em R$ 3 a cada 100 Kwh.

Neste mês de dezembro a bandeira adotada é verde, sem ônus para o consumidor. O ministro confirmou também que haverá mudanças na direção da Chesf em janeiro, mas não antecipou os nomes.

De acordo com o ministro, já existe flexibilidade na terminação da bandeira tarifária, mas é preciso deixar o mercado se autorregular. “Em novembro, nós tivemos uma variação da bandeira, com o incremento da tarifa. Agora em dezembro nós retomamos para a bandeira verde. Isso é natural e sazonal”, lembrou Fernando Filho, que participou da inauguração da subestação Mirueira II da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), em Paulista. O que vai acontecer nos próximos meses vai depender da situação dos reservatórios das hidrelétricas. Ontem, o lago de Sobradinho (maior reservatório do Nordeste) estava com capacidade de 10%, forçando a redução da vazão de 750 metros cúbicos por segundo para 700 metros cúbicos por segundo a partir de 3 de janeiro.

O período de chuvas na bacia do Rio São Francisco começa neste mês e vai até abril. “Se chover a mesma quantidade que choveu no passado, vamos ter uma situação mais confortável. Mesmo assim, vamos ter reunião do comitê de monitoramento das bacias, no dia 11 de janeiro, para decidir se vamos manter Sobradinho com a vazão reduzida”, explicou Fernando Filho. A expectativa, segundo o ministro, é acionar as usinas térmicas para suprir as necessidades de geração de energia, além de continuar com o uso das usinas eólicas, que tiveram bom desempenho no Nordeste este ano. Em novembro, a fonte eólica foi a que apresentou maior crescimento – de 44% – quando comparado ao mesmo período de 2015, com a geração de 2.980 MW no País.

Recursos

Fernando Coelho Filho disse que está se empenhando junto ao presidente Michel Temer e à Eletrobras para liberar recursos para a Chesf retomar e concluir as obras paradas, cujos recursos somam R$ 1,7 bilhão. Afirmou que a expectativa é obter recursos via capitalização e venda de ativos para socorrer as distribuidoras do sistema Eletrobras descapitalizadas pela MP 279. Neste ano a Chesf recebeu R$ 70 milhões do governo federal. O ministro descartou a privatização da Chesf. “Não vai ter privatização da Chesf. O que estamos analisando é a venda de algumas participações de SPEs (Sociedades de Propósito Específico) de seis distribuidoras do sistema Eletrobras.” Segundo ele, um levantamento feito pelo mercado financeiro estima que os ativos das 176 SPEs do Sistema Eletrobras poderiam render até R$ 20 bilhões.

Diário de Pernambuco