Ceclin
nov 16, 2010 0 Comentário


Série mostra situação de milhares de vítimas das enchentes de junho

O Bom Dia Pernambuco começou, nesta terça-feira (16), uma série de reportagens sobre as pessoas que sofreram com as chuvas no mês de junho. As enchentes atingiram 41 cidades. Cinco meses depois, o que mudou? Quem conseguiu reconstruir a vida? Quem ainda mora nos abrigos e espera por uma casa por uma boa notícia?

De longe, o acampamento de Água Preta, na Mata Sul do Estado, parece uma cidade do futuro. Trezentas pessoas vivem no local e em outros dois abrigos desde que foram expulsas de casa pela água, em 18 de junho. Uma data que não será esquecida por nenhum morador dos municípios atingidos em Pernambuco, área onde vivem 2,1 milhões de habitantes.

A região foi inundada pela enxurrada que desceu, principalmente, pelos rios: Una, Pirangi, Panelas e Sirinhaém. Foi o próprio rio Una, o maior dos quatro, que cobriu muita coisa em Água Preta, inclusive um bairro inteiro, o Jiquiazinho. O que resta das 400 casas que havia no local são ruínas e marcas de tinta na frente das moradias de famílias tristes.

Logo depois da enchente, o Governo estadual contou 27 mil pessoas sem ter onde ficar. Elas foram levadas para 200 abrigos. Aos pouquinhos, a maioria foi encontrando um lugar. Nos acampamentos, ficou apenas quem não achou alternativa.

No acampamento Confiança, em Barreiros, desabrigados e coordenadores da equipe da Operação Reconstrução se reúnem à noite. Nem todos participaram: adultos e crianças escapam da rotina num mundo de contos de fadas que salta do DVD de um colega.

A dona de casa Vera Lúcia Gomes sempre acha um jeito de tornar mais leve a realidade dos filhos. O marido está no Recife. “Por causa do calor, ele passou mal e foi levado para a (hospital) Restauração. Quem levou foi um colega meu, porque eu estou doente das pernas e não posso ir”, contou.

O gestor da Defesa Civil em Barreiros, o tenente coronel Hélder Carlos da Silva, foi ao abrigo anunciar que os acampados teriam um prazo para sair do local. Onze famílias já haviam deixado o lugar. Ele explica que o acampamento precisa ser desmontado, já que foi criado para ser provisório. “Eles estão recebendo o Auxílio Moradia, por isso podem buscar abrigo na casa de parentes e amigos e dividirem as despesas ou então eles podem pagar aluguel”, disse.

De acordo com os próprios coordenadores, das 87 famílias que estão no Confiança, 57 recebem o Auxílio Moradia. Entre elas está a do trabalhador rural Ademar Santos. Ele ficou sem casa e sem saúde. Oito dias depois da cheia, levou um choque num fio de alta tensão que se escondia entre os escombros da cidade. “Eu estou esperando prosperar, ganhar minha casa para passar esse sofrimento”, falou.

A notícia para Ademar e os companheiros de acampamento é que em Barreiros e em mais 33 cidades, há terrenos escolhidos para a construção das casas. Em sete delas, a construção de 5.774 mil casas está aprovada.

Em cinco – Barreiros, Agrestina, Jaqueira, Correntes e Gameleira, as obras não começaram. Em Maraial, a fase é de limpeza da área. O trabalho está mais adiantado em Palmares, onde a meta é construir 2,6 mil moradias.

O número de casas que deverão ser construídas é maior do que a quantidade destruída pela enchente porque existe a intenção de, na obra, garantir moradia também para quem não foi vítima da água, mas não tinha onde morar. As primeiras 300 estão em construção.

Das 41 cidades, apenas Cachoeirinha, Chã Grande, Cabo, Gravatá, Ipojuca, Pombos e Tamandaré ainda não tem terrenos identificados para construção das casas.

“Houve repasse de verba do Governo e as casas estão sendo construídas através de um programa federal, que é o ‘Minha Casa, Minha Vida’, que não tem qualquer contingenciamento. O presidente Lula determinou um limite de cerca de 20 mil casas para serem construídas em Pernambuco. O primeiro passo foi identificar os terrenos e todos os estudos já foram concluídos. Faltam apenas seis cidades, que totalizam 270 casas. Normalmente, um conjunto de casas é entregue em um ano, mas estamos trabalhando para que elas sejam entregues em oito meses de maneira gradual”, disse o secretário das Cidades, Dilson Peixoto .

(Pe360graus)