Ceclin
out 14, 2009 3 Comentários


Sempre Flamengo

Por Hely Ferreira

O Clube Regatas Flamengo tem uma das maiores torcidas do Brasil. A paixão que seus torcedores votam por ele é algo imparagonável. Basta escutar o hino para confirmar o apego. Em uma das estrofes encontramos a seguinte afirmação: uma vez Flamengo, Flamengo até morrer.

Seria bom que o eleitor transportasse aos partidos políticos o fascínio que tem pelos clubes de futebol. Só assim, evitaria algumas mazelas que estão acendradas no comportamento político nacional. Embora o Poder judiciário já tenha se posicionado em relação a quem pertence o mandato, a troca de partido continua. Grande parte dessa prática nada democrática está atrelada a alguns fatores.

O primeiro deles é a má formação política da grande maioria do eleitorado, que só se preocupa com questões políticas em ano eleitoral. Sabendo desse analfabetismo político, alguns membros da chamada classe política se aproveitam para trocar de partido, tendo geralmente como prioridade a sua sobrevivência eleitoral.

O conteúdo programático, a ideologia partidária é algo irrelevante para muitos políticos. Aliás, seria exigir muito de quem só sabe o que é política pelo método empírico.

Segundo Scott Mainwaring, a falta de disciplina partidária é uma dos principais características negativas dos partidos políticos brasileiros. Também afirma que: “o Brasil pode ser um caso único de subdesenvolvimento partidário no mundo […] Os partidos brasileiros, no longo prazo seriam capazes de servir de suporte para a democracia”.

A troca de partido no Brasil tornou-se algo comum. Entre 1983 e 1987, 31,3% dos deputados mudaram de partido; entre 1987 e 1991, 27,5%; entre 1991 e 1999, 26,9%. Entre os anos de 1983 e 1999, de um total de 2329 deputados federais, tratando-se de titulares e suplentes, 686 (29,4%), migraram para outros partidos.

Ninguém é obrigado a permanecer a vida toda em um partido político, mas o interessante é que as mudanças geralmente ocorrem em ano pré-eleitoral, iluminando a conclusão de que a saída se deu, não por divergências ideológicas ou programáticas, mas, simplesmente, por uma questão de sobrevivência eleitoral.

Por Hely Ferreira,
Cientista Político.

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