Ceclin
ago 10, 2009 0 Comentário


Sem-terra marcham: de Pombos, Vitória até Recife

Publicado em 10.08.2009

Trabalhadores ligados ao MST saem hoje de Pombos a pé e chegam à capital na sexta-feira

A BR-232 ganhará movimento intenso e vermelho de hoje a quarta-feira. É pela rodovia que passarão 2,5 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em caminhada que parte de Pombos, Zona da Mata. Trata-se da versão local da Jornada Nacional de Luta em Defesa da Reforma Agrária e contra a Crise – que os sem-terra promovem em 23 Estados e no Distrito Federal, esta semana, para cobrar desapropriação de propriedades ociosas e liberação de mais recursos. Em Pernambuco, a marcha exige assentamento para 18,9 mil famílias.
O protesto do MST começa às 8h, partindo em direção a Vitória de Santo Antão. Estarão presentes agricultores de 92 municípios pernambucanos. Ao mesmo tempo, a direção do movimento entrega pauta de reivindicação ao governo do Estado, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), responsável pelos pareceres que permitem ao Incra desapropriar áreas improdutivas.
Prioridade aos sem-terra acampados é o que deseja o coordenador estadual do MST, Jaime Amorim. “São 90 mil no Brasil, quase 20 mil em Pernambuco. Tememos que, com a proximidade das eleições, as ações de reforma agrária diminuam ainda mais.”
Entre as áreas expostas a conflito agrário no Estado, o dirigente do MST cita o acampamento Pontal Sul, em Petrolina, Sertão, com 1,5 mil famílias. Na Mata Norte, também estariam vulneráveis as 90 famílias do Engenho Bonito, em Condado, e as 600 que ocupam o entorno da Usina Aliança.
Amorim ressalta que as famílias acampadas nas Fazendas Consulta e Jabuticaba, em São Joaquim do Monte (Agreste), seguem sob tensão, passados cinco meses do assassinato de quatro seguranças, que teria sido cometido por sem-terra.
Após chegar a Jaboatão dos Guararapes (Grande Recife), quarta-feira, a marcha do MST segue para o Recife. Sexta-feira, eles caminham da sede da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), no Centro, até o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual.
Além da rapidez na criação de assentamentos, o movimento reclamará mais investimentos na produção e comercialização dos produtos dos assentados e acampados e recursos para infraestrutura, educação e saúde em áreas de reforma agrária.
(Jornal do Commercio).