Ceclin
out 20, 2009 5 Comentários


Segurança Alimentar já é preocupação de ordem pública

A Mesa Redonda do Programa A VOZ DA VITÓRIA, realizado na sexta-feira (16) pela Rádio Tabocas FM (98,5), a partir das 12:30 h. abordou como tema “Alcançar a segurança alimentar em época de crise”.

Debate com os Professores Malaquias Batista Filho, Médico Nutrologo e pesquisador do IMIPE, Professor Sebastião Rogério de Freitas Silva, Coordenador do Curso de Nutrição do Centro Acadêmico de Vitória da Universidade Federal de Pernambuco, Professor Leandro Finkler, Engenheiro de Alimentos, Coordenador do projeto Educação e Saúde em Sintonia. E representando a Secretaria de Agricultura da Prefeitura da Vitória de Santo Antão contou-se com a participação de Enásio Márcio de Lima.

O debate coordenado por Lissandro Nascimento teve início com o Professor Malaquias fazendo um relato sobre o tema. Para o professor que faz parte do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, desde o começo do governo Lula foi criado uma pasta de segurança alimentar, tornando o primeiro País latino americano a se preocupar como governo sobre esse tema.
O professor falou que o problema da insegurança alimentar tem várias vertentes a começar “pela má distribuição de renda no País passando pela instabilidade ocupacional, pois diante da fragilidade econômica os índices de desempregados oscilam deixando a população sem recursos para ter uma boa conduta alimentar”, frisou.
Outro elemento importante seria a criação de mecanismos de produção e aumento de renda e fomentação da agricultura familiar que em curto espaço de tempo corrigiria o problema do êxodo rural que a cada ano leva a população do campo a procurar os grandes centros à procura de sobrevivência que os deixa em condições piores que a vida do campo.
Malaquias Filho afirmou que outro problema sério seria a falta de informação da população que às vezes tem como se alimentar, mas não tem uma formação ideal para fazê-lo de forma correta acarretando assim uma transição nutricional.
Finalizando o professor levantou um ponto polêmico no tema segurança alimentar: a quantidade de terra que é destinada para a produção de alimentos e da maneira que o homem está explorando sem ter nenhum compromisso ecológico com a mesma.

Ao se despedir o professor comentou que essa crise atravessada recentemente teve uma conotação benéfica, “pois serviu para que as autoridades mundiais refletissem sobre a fragilidade da economia do planeta, porque bastou uma crise financeira na área da habitação dos Estados Unidos para o mundo sofrer e reconhecer que ainda somos frágeis, e de repente se deu conta de que tem mais de um bilhão de pessoas correndo risco de segurança alimentar em nosso planeta”, lamentou.

Após a explanação do professor Malaquias Batista, o apresentador Lissandro Nascimento deixou os participantes à vontade para suas considerações sobre o tema exposto.
Para o professor Sebastião Rogério “o problema da segurança alimentar não está apenas nos países pobres onde o povo passa fome, ele está perto de todos que tenham poder aquisitivo ou não”, lembrou.
Salientou que o problema principal é a carência de alimentos na mesa do cidadão. Um problema relativo é a qualidade do alimento oferecido ao cidadão: “Muitas vezes a pessoa não tem uma carência absoluta, o alimento está presente, mas a qualidade higiênica sanitária alerta se ele foi produzido com excesso de agrotóxico, além do tipo de aditivos utilizados para preservá-lo. Tudo isso entra no contexto do tema segurança alimentar, não adianta apenas dar o alimento tem que se garantir a qualidade do mesmo”, destacou.

Outro ponto importante que Sebastião Rogério abordou foi o da pequena propriedade rural, embora esse grupo corresponda a 84% dos proprietários, estes só possuem 24% das terras disponíveis para esse tipo de produção e são responsáveis por 70% do feijão que é produzido, 87% da mandioca e 58% do leite tudo em pequenas propriedades.
“Quando se fala nesse tipo de agricultura a gente só pensa na possibilidade de manter o proprietário e sua família nas suas terras, evitando os grandes problemas sociais acarretados pela falta de infra estrutura que esse povo encontra quando superlota as periferias das grandes cidades em busca de uma nova chance”, advertiu. “O homem ficando no campo resolve diversos problemas sociais entre eles a questão alimentar”, completou.

Dando seqüência a Mesa Redonda, Lissandro Nascimento solicitou ao professor Leandro Finkler uma breve descrição de suas atribuições enquanto engenheiro de alimentos.

Segundo o professor, o engenheiro de alimentos é responsável pelo fornecimento de alimentos adequados a determinada população de acordo com suas necessidades.
“Há determinados grupos que tem restrições a determinados componentes que existem nos produtos, então cabe ao engenheiro retirar de maneira adequada esses componentes sem afetar as qualidades do mesmo”, esclareceu.
Outra grande preocupação do profissional da área de alimentos é saber como os mesmos estão sendo produzidos quanto à aplicação de pesticidas, que tipo de componentes estão colocando na ração dos animais de corte etc.
“Há uma grande preocupação no momento sobre a produção dos produtos trangênicos, quanto à segurança e garantias de não haver problemas futuros”, mencionou.
“Há necessidade de se ver a segurança alimentar focada na garantia do alimento, a partir do momento em que você tem uma planta e um determinado inseto pousa nela e existe nesta planta uma toxina que elimina o mesmo, temos que saber qual vai ser o impacto ambiental que isso pode causar”, alertou o professor.

Indagado sobre o desperdício de alimentos e o fato de pessoas que tem como se alimentar e não faz por falta de conhecimentos o professor Leandro adiantou para os ouvintes que a CAV-UFPE está elaborando cursos de aproveitamento e conservação de alimentos visando dar mais tempo de armazenamento sem a perda de suas propriedades.

Outro projeto de grande importância será uma parceria com a Secretaria de Agricultura do Município no intuito de aproveitar os desperdícios da produção dos hortifrutigranjeiros em compostos para a agricultura orgânica, evitando assim os defensivos químicos e agregando valores a agricultura da região.
“Devemos ficar alerta, pois Vitória de Santo Antão já foi observada como uma grande utilizadora de defensivos agrícolas, isso não é bom para a aceitação de seus produtos”, mencionou.
Representando a Secretaria de Agricultura da Prefeitura da Vitória de Santo Antão, Enásio Márcio fez suas observações sobre o tema.
Para ele, um fato que chama a atenção referem-se aos hábitos alimentares atuais dos habitantes da área rural vitoriense.
“Atualmente o cidadão do campo produz, colhe, comercializa seus produtos e com os ganhos compram alimentos industrializados e leva para seus familiares consumir, e não guarda nada de sua produção para consumo próprio, adquirindo assim hábitos alimentares conhecidamente urbanos”, citou.
“A Secretaria de Agricultura está com um projeto de reeducação alimentar incentivando o produtor rural a consumir seus próprios produtos que são saudáveis e nutritivos”, divulgou.
Outra grande questão é sobre a produção, “tentamos estimular o produtor a agregar valor ao seu produto diversificando seu plantio para que com a variedade ele tenha mais o que oferecer a seus clientes e aumentando seus ganhos e diminuindo o desperdício”, exemplificou.
Encerrando sua participação Enásio comentou sobre o plano de aquisição de alimentos que a Prefeitura do Município junto com o governo federal estão desenvolvendo para os pequenos agricultores que é a compra de sua produção através da Conabe e em seguida estes produtos são entregues nas escolas do município para fazer parte do programa de merenda escolar.
Enásio salientou que há um estímulo para que estes produtos sejam orgânicos, no entanto, os produtos convencionais não são descartados, basta apenas que os produtores usem seus defensivos com responsabilidade.
“Na Secretaria de Agricultura temos a disposição dos pequenos e grandes produtores do Município seis Engenheiros Agrônomos, dois Técnicos Agrícolas, um Veterinário e um biólogo que estão acessíveis para dar toda assistência possível para orientar os agricultores do plantio à colheita”, concluiu.
Os ouvintes podem sugestionar quanto as suas dúvidas participando do Momento UFPE diariamente no Programa A VOZ DA VITORIA, enviando suas perguntas no Quadro “Educação, Nutrição e Saúde” para o e-mail [email protected] os quais serão respondidos pelos Professores da UFPE da Vitória de Sto. Antão. Participem!


Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite, Cláudio Gomes.
Equipe: Gilberto Júnior, Berg Araújo, Genilda Alves.