Ceclin
dez 08, 2009 1 Comentário


Secretaria de Saúde orienta população na Mesa Redonda

No Programa A VOZ DA VITÓRIA pela Rádio Tabocas FM (98,5) da sexta-feira (04/12), a Mesa Redonda tratou do encerramento da campanha de combate e prevenção da Aids, campanha iniciada pelo Governo Federal tendo em vista que o dia 1º de dezembro foi o dia mundial de combate a AIDS e a Secretaria de Saúde da Prefeitura da Vitória de Santo Antão transformou o dia em semana de prevenção à doença.
Para o debate contamos com a presença de Elaine Marques do Departamento de Vigilância em Saúde, Eudes Lorena do Departamento de Educação em Saúde e do Sanitarista Antonio Flaudiano, representantes da Secretaria de Saúde da Vitória de Santo Antão.
Após as apresentações de praxe, Lissandro Nascimento solicitou a Eudes Lorena que fizesse uma avaliação do que foi a “Semana de Combate e Prevenção da Aids em Vitória de Santo Antão” e quais suas metas para o futuro em relação ao combate da doença em nosso Município.

Para Eudes Lorena, a Secretaria de Saúde havia planejado um conjunto de ações em virtude de 1º de dezembro ser o dia mundial de combate e prevenção da AIDS. Então foi organizado no auditório da FACOL o 1º Seminário sobre o tema “Aids e Educação Popular”, que contou com a presença da Secretaria de Saúde, Educação e a de Cultura Turismo e Esporte, tendo em vista que em grandes eventos do Município há sempre a parceria destas nas campanhas de orientação e distribuição de preservativos para a população e visitantes dos eventos.

Outra preocupação da Secretaria era saber como os profissionais de saúde lidam diariamente nas unidades básicas com o fator HIV tendo em vista que estes Centros são a porta de entrada dos pacientes no Sistema Público de Saúde, bem como mostrar a população que a AIDS não é um problema apenas de saúde e sim de cunho social passando por diversos segmentos que são ligados desde a cultura indo até a defesa do cidadão.

Para Lorena, um ponto positivo foi a caminhada que contou com a participação das Secretarias do Município com a mobilização dos alunos da rede pública municipal de ensino, os quais trouxeram faixas e cartazes e abrilhantaram a campanha com suas bandas de música.

“Com isso conseguimos chamar a atenção da população para que haja um consenso que é possível diminuir a incidência da doença em nossa população”, salientou.

Ao ser indagado pelo apresentador sobre os números da AIDS em Vitória o Sanitarista Antonio Flaudiano foi didático.
“Os dados divulgados no Seminário são dados de 1990 até junho de 2009, pelo qual tivemos 199 casos registrados em sistemas de informações oficiais de pessoas soropositivas. Isso não quer dizer que sejam apenas esses, pois pode haver mais casos não identificados na rede oficial local”, explicou.

“Devido ao aumento de pessoas que procuram o CTA há uma perspectiva que estes números cheguem a 210 casos até o final do ano”, concluiu.
Segundo o Sanitarista, caso houvesse uma pesquisa completa com todas as pessoas esse número aumentaria, pois o Município já conta com mais de 120.000 habitantes. O medo dos grupos prioritários devido ao preconceito por serem profissionais do sexo ou terem preferências sexuais diferentes do restante, segundo ele, colaboram para que esse número não seja exato embora seja um número oficial.
“Há alguns dias houve a suspeita da Secretaria estadual de saúde que estava acontecendo um surto de AIDS em Vitória, mas logo foi descartado. O que foi realmente observado foi o aumento da procura das pessoas e em conseqüência das campanhas realizadas pelo CTA”, pontuou.

Antonio Flaudiano nos revelou que a faixa etária mais acometida pelo vírus HIV segundo levantamentos de 1990 até 2009 fica entre de 20 a 29 anos, mas a tendência é que os jovens sejam mais acometidos principalmente os jovens gays devido aos ímpetos da juventude fazerem sexo sem proteção. Quanto ao sexo, por enquanto é o homem o mais afetado, mas já há claros sinais de feminilização da epidemia, sobretudo nos últimos três anos houve uma significativa diminuição de casos entre os homossexuais.

Para Flaudiano o aumento de caso de soropositivo nas cidades do interior do Brasil está relacionado com aumento de trabalho nessas cidades e consequentemente a chegada de pessoas das áreas urbanas das capitais que combinado com a questão cultural das pessoas do interior, primam pela não utilização do preservativo que é a causa principal do aumento de casos do HIV no interior.

“É de grande importância que a população tenha o máximo de informações possível sobre todos os tipos de doenças sexualmente transmissíveis, além do cuidado rotineiro é bom que essas campanhas sejam enfatizadas com mais freqüência e assim poderemos levar nossos serviços ao encontro da população”, salientou .

A especialista em Vigilância em Saúde, Elaine Marques enfatizou a diferença entre a pessoa portadora do vírus HIV e da pessoa com AIDS.
“O portador do HIV é a pessoa que se contaminou com o vírus e convive com ele; já a AIDS em si é quando o paciente começa a adoecer”, explicou. “Os principais sintomas são: perda de peso, fraqueza, diarréia é devido à baixa imunidade surgindo as doenças oportunistas como tuberculose, meningite ou até mesmo hepatite”, explanou Elaine.

Para Elaine ser portador do vírus HIV não é sentença de morte porque existem tratamentos que dão sobrevida as pessoas, hoje em dia têm pacientes convivendo com o vírus HIV há mais de 30 anos e tem uma rotina normal de trabalho e convívio com a sociedade.

Outro ponto mencionado por Elaine foi a forma de contágio do vírus.
Não se pega AIDS através do beijo, talheres, sanitário, doação de sangue, picada de insetos, uso correto do preservativo. Se pega AIDS praticando sexo sem preservativo, dividindo seringas, no caso de usuários de drogas.

“A maior prova de que essa caminhada surtiu efeito foi o aumento de pessoas que procuraram o CTA nesta semana, isso é a prova de que a educação é uma grande arma para a prevenção de qualquer mal quando a população sabe o risco que corre, com certeza ela consegue se proteger e o CTA está à disposição par atender aos nossos usuários”, salientou.

Elaine nos adiantou que as unidades do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamentos) são de caráter preventivo e educativo, portanto, o CTA da Vitória de Santo Antão está localizado no início da Rua Eurico Valois (mais conhecida por Estrada Nova) e funciona de segunda a sexta das 7 as 16 horas.

Citou que em Vitória de Santo Antão não há um serviço especializado de atendimento, mas já está sendo articulando estudos para implantar no próximo ano o serviço de atendimento especializado para portadores de DST’s e AIDS, pois no momento a cidade não possui infectologista e ou uma equipe que faça o tratamento. “Portanto, todos os nossos casos são referenciados para a capital. O Hospital João Murilo nos dá um suporte em alguns casos de complicação de pacientes com AIDS”, esclareceu.

“Devido ao aumento da idade da população e a descoberta de medicamentos que oportunizam a longevidade da vida sexual do homem está ocorrendo casos de pessoas que se contaminam na terceira idade e devido a qualidade desses tratamentos, há pessoas que se contaminaram e conseguiram chegar à terceira idade sendo portador do vírus HIV”, destacou. “Devido estas mudanças, o CTA organiza palestras em escolas para alunos da rede pública e particular com a devida autorização dos pais e responsáveis, além das indústrias, entidades publicas etc”, salientou.

Elaine garante que o CTA não é uma entidade criada exclusivamente para pessoas com enfermidades ou as gestantes e sim para qualquer pessoa que queira cuidar da saúde. “Por isso realiza testes e aconselhamentos para que os usuários possam ter uma vida sexual com prazer e segurança”, afirmou.
Outra importante campanha citada por Elaine Marques, foi a visita do CTA junto à comunidade carcerária o qual foi promovido palestras e aconcelhamentos. Para eles, a comunidade aderiu ao projeto realizando testes de HIV, síflis, tuberculose e hepatite.

Com relação ao preconceito os nossos entrevistados comungaram de uma mesma opinião.

“Antigamente a AIDS era rotulada de peste gay e que os homossexuais pertenciam ao grupo de risco, com o tempo foi reconhecido que não existe um grupo de risco e sim comportamento de risco”, ponderaram.
“A AIDS hoje em dia afeta homens e mulheres homossexuais ou não, por isso é importante o trabalho do CTA e todas as entidades envolvidas neste projeto enfatizando a importância da prevenção porque é mais prático e barato para o Sistema de Saúde prevenir do que tratar o cidadão portador do vírus HIV”, finalizaram.

Encerrando, os participantes disseram que o maior problema do paciente soropositivo é o preconceito que causa depressão devido à rejeição que sentem no mercado de trabalho e no convívio com a sociedade. “A pessoa portadora do vírus não tem obrigação de torná-lo público”.
Apresentação: Lissandro Nascimento.

Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite, Cláudio Gomes.

Equipe: Berg Araújo, Gilberto Júnior, Genilda Alves.