Ceclin
jun 27, 2010 0 Comentário


Salvos pela dedicação do Lamepe

Publicado em 26.06.2010

da Coluna
JC Negócios
do Jornal do Commercio.

Agora que o governo do Estado cuida de reconstruir o que a torrente levou de forma arrasadora, conta a perda de 19 vidas e tenta medir os cursos do desastre, cabem dois copos d’água de conversa sobre o que um bom sistema de informações, uma rede de defesa civil que funcione e a atenção de meteorologistas treinados podem fazer numa hora dessas. E como a simples existência de um sistema de informações consegue fazer a diferença no número de mortos.

Na tarde de quinta-feira da semana passada, quando o cenário do desastre foi captado pelo Lamepe, a defesa civil de Pernambuco fez o alerta e retirou milhares de pessoas da onda gigante. Alagoas, sem sistema de defesa civil, não pôde evacuar as pessoas e perdeu 51 vidas.
Como nas cenas clássicas de cinema catástrofe, a tragédia ficou evidente nas telas dos computadores do Lamepe no final da manhã.


Segundo a meteorologista Francis Lacerda, Pernambuco tinha uma temperatura no oceano de quase 30°C, uma enorme quantidade de energia, grande liberação de calor latente para a atmosfera e já estava com três dias (desde o domingo à noite) de chuvas. O solo estava saturado, o que era uma condição favorável para aumentar o escoamento violento na calha estreita dos rios da Zona da Mata.

O nome disso no vocabulário do tempo é “ondas de leste”. E já aconteceu outras vezes. Mas o que provou o estrago foi que ele veio depois de muita chuva sobre cidades encharcadas da Zona da Mata de Pernambuco e Alagoas. O triste da história é que se investíssemos um pouco mais no Lamepe, mais gente poderia ter sido salva.

» Poderíamos ganhar oito horas

Pernambuco até hoje não tem um radar para analisar melhor o tempo. Se o Lamepe, por exemplo, tivesse um desses equipamentos em operação, a informação teria sido antecipada em até oito horas e, consequentemente, a retirada das famílias das áreas de risco teria sido mais rápida pela defesa civil. A tragédia só não foi mais grave no Estado porque o Lamepe conseguiu juntar as informações mesmo sem ele. Fica, portanto, a lição, pois os relatos do estrago econômico e social contam o resto da tragédia.

» Hora do tempo

O governo do Estado tem, no Ministério de Ciência & Tecnologia, um executivo indicado por Eduardo Campos e anuncia que vai equipar melhor o Lamepe. Vai precisar. O nível de novos fenômenos climáticos que estão ocorrendo no Brasil fazem disso uma exigência.

» Hora de chuva

E precisa ser rápido. No Hemisfério Sul, o inverno vai de 21 de junho a 23 de setembro. No leste do Nordeste, faixa continental que vai do Rio Grande do Norte ao Recôncavo Baiano, o período chuvoso se concentra em maio, junho e julho.

» Cana-de-açúcar

O nível de destruição das estradas vicinais nos 67 municípios atingidos pela enchente da semana passada vai provocar um aumento de custo nas usinas localizadas na Mata Sul. Mesmo a construção de um desvio com pontes que suportam pequenos caminhões, os custos vão explodir no setor.

» Sem banco

As dificuldades de recolocar “no ar” cidades como Plamares, Barreiros e Água Preta só agora começam a ser dimensionadas. No interior, a Lotérica da Caixa é o banco de pagamento e do recebimento do Bolsa Família. O comércio sem banco, hoje não funciona mais. Bancarização da economia é isso.

Jucepe ajuda as empresas

A Junta Comercial informa que os empresários das cidades atingidas pelas enchentes que precisem da reemissão dos documentos da empresa terão prioridade no atendimento. Informações no fone 3182-5200.