• Ceclin
nov 18, 2008 3 Comentários


Sadia é alvo de reclamações de trabalhadores

Publicado em 18.11.2008

Empresa contratou milhares de trabalhadores para fábrica no Mato Grosso. Quem foi, afirma que a companhia não está cumprindo acordos

Pernambucanos que deixaram o Estado para trabalhar na fábrica da Sadia, no município matogrossense de Lucas do Rio Verde, estão se queixando do não cumprimento de alguns itens do acordo firmado com a empresa. Os trabalhadores alegam que não estão recebendo o pagamento correto das horas-extras, que a promessa de reajustar os salários após o período de experiência (90 dias) ainda não se concretizou e que a companhia está descontando o vale-transporte, quando o acordo era que esse item seria bancado pela empresa. Ontem (17), a Sadia realizou uma reunião com representantes dos colaboradores do Nordeste para discutir os problemas e se colocou à disposição para receber propostas de melhorias.
A falta de mão-de-obra no município de Lucas do Rio Verde motivou a Sadia a contratar pessoas dos Estados de Pernambuco, Piauí e Maranhão para atuar como operadores na unidade do Mato Grosso. Só de Pernambuco foram contratadas 850 pessoas. Dos 4.200 colaboradores que a fábrica terá no pico de produção, a idéia é que cerca de 1.700 sejam do Nordeste. As contratações em Pernambuco começaram em agosto e devem seguir até o próximo ano.
Pedro Antônio da Silva, 23 anos, deixou um emprego como operador de máquina pesada na terraplenagem da Refinaria Abreu e Lima, em Suape, para embarcar no sonho de trabalhar em Lucas do Rio Verde. “Achei que estava fazendo um bom negócio, mas me enganei. Eles (a empresa) disseram que num prazo de três meses iam reajustar os salários, além de me promover de operador de empilhadeira para operador de produção, que tem uma remuneração melhor. Isso sem falar que a cidade tem um custo de vida muito alto e está difícil viver com R$ 500 se tenho que pagar pelo aluguel da casa, além de alimentação e transporte até a fábrica. O compromisso dele era oferecer cesta básica e pagar o transporte. Agora estão descontando 6% do nosso salário”, desabafa.
Em nota encaminhada à imprensa, a Sadia garante que está cumprindo todas as cláusulas do contrato de trabalho. A empresa afirma que as horas-extras estão sendo pagas dentro das regras (que prevê parte para um banco de horas), que o compromisso com o transporte foi para o trajeto interestadual e que a cesta básica era para ajudar no momento de chegada. O aluguel custa R$ 200 e é dividido por quatro pessoas. No contrato de trabalho obtido pela reportagem do JC, o transporte não figura na cláusula de descontos.
A diretora de Trabalho e Renda da Prefeitura do Recife – que intermediou as contratações – , Tereza Jacinta, reforça que o desconto do transporte local não estava previsto.
(Jornal do Commercio).