Ceclin
jun 30, 2011 9 Comentários


Repúdio à intolerância


Ultimamente, as polêmicas envolvendo preconceitos de gênero, credo ou raça estão mais frequentes no cotidiano brasileiro. Seja em casos como o julgamento da ação de reconhecimento da união homoafetiva pelo STF, que provoca a ira dos homofóbicos ou a morte de Osama Bin Laden que trouxe à tona, entre outras questões ideológicas e políticas, as diferenças entre cristãos e mulçumanos; ou em ações calculadas e inaceitáveis como as declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ), ao programa CQC.

Nesse caso em particular as grotescas respostas – uma verdadeira ode ao racismo, à homofobia, ao preconceito e à violência – tornam-se ainda mais preocupantes por virem de um parlamentar, que no seu juramento prometeu promover o bem geral e, ao invés disso, usa a rede nacional para destilar um ódio bem ao estilo dos saudosos do arbítrio, que nada tem a ver com o jeito de ser e de agir da grande maioria do povo brasileiro.


Desde a veiculação do programa, deputados indignados com o fato, dentre os quais me incluo, entraram com representações junto à Corregedoria da Câmara, e ofereceram denúncia à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ao Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e à Procuradoria Geral da República.

Alguns tentam minimizar a importância das declarações, como se o episódio estivesse restrito à prerrogativa que garante o direito de expressão do deputado. Não nos parece tão simples assim. Antes de apenas expressar uma opinião, o que se viu ali foi um festival de insultos gratuitos e um incentivo à intolerância. Fato que se reveste de maior gravidade quando lembramos que a democracia brasileira deu, através de mártires, um salto civilizacional que repudia esses conceitos.

A nossa miscigenação é um dos maiores legados da nossa formação. Muitas das piores tragédias da história da humanidade são frutos da intolerância às diferenças. Sejamos, pois, plurais. A pluralidade é um patrimônio do povo brasileiro.

Aqui convivem em harmonia imigrante das mais diversas culturas. Aqui as religiões comungam a liberdade de professar suas crenças – ressalto a contribuição e influência do ex-deputado comunista Jorge Amado, autor da emenda que inseriu a liberdade de culto e religião na Constituição Brasileira em 1946.
Essa Nação é chamada a efetivar um novo projeto nacional de desenvolvimento onde possamos suplantar os impasses e as deformações que resultam da nossa história política e econômica. Buscamos o futuro, uma nação livre, soberana, desenvolvida econômica e socialmente, plena, forte influente, justa e solidária.


por Luciana Santos,
Deputada Federal e Vice-Presidente Nacional do PCdoB.