Ceclin
set 14, 2012 3 Comentários


Real ameaça tucana

por Daniel Max

As brigas internas do PT, com consequente distanciamento do atual prefeito do Recife da disputa e o lançamento da candidatura de Geraldo Júlio (PSB), mostraram as fragilidades da Frente Popular no processo eleitoral. Aparentemente alheia a tudo isso encontrava-se a oposição. Sendo considerada carta fora do baralho, em virtude da sua inexpressiva votação nos últimos pleitos em Pernambuco.

Porém, o sentimento conservador adormecido começa a vir à tona, ainda disfarçado de novo (Verde), mas repete velhos chavões e tergiversa sobre seus reais planos e projeto de poder.

Uma migração evidente está ocorrendo, diante da virtual impossibilidade do candidato do DEMOCRATAS seguir em frente. O PSDB (que aqui não usa azul), vai se tornando o herdeiro dos votos conservadores do Recife.

Enquanto isso o PSB e o PT vão se digladiando sobre quem fez ou deixou de fazer. Receita perfeita para se perder eleição. E diante do fato do candidato socialista passar a frente do petista, o sentimento revanchista vai tomando conta de parte da militância vermelha. Ou seja, se Humberto Costa não for para o 2º turno (o que é possível), sua militância não se engajaria firmemente na campanha de Geraldo. O que pode inviabilizar uma futura participação em um governo socialista e vice-versa.

Como a matemática do voto não é tão exata e as nuances de postura podem influenciar e muito o resultado, basta ver o exemplo de Roberto Magalhães, que pelo fato de não ganhar no 1º turno, viu seus votos migrarem para João Paulo (PT), que estava em ascensão nas eleições de 2000.

Daniel Coelho (hoje PSDB), herdeiro do velho jeito de fazer política (raposas em pele de cordeiro) e representante do conservadorismo, vem ganhando corpo e se tornando alternativa para uma parcela da classe média sem referência, de parte de intelectuais frustrados e para camadas populares habituadas ao fisiologismo de outrora.

Somados, esses fatores dão ao candidato TUCANO a real possibilidade de ir ao 2º turno com possibilidade de vitória, o que recolocaria o antigo grupo no poder, ou alguém acredita que o DEM não faria parte de um futuro governo do PSDB. Seria apenas uma retribuição a favores do passado.

por Daniel Max,

Sociólogo e Colunista do Blog.