Ceclin
nov 25, 2008 12 Comentários


Que venha o novo ciclo

Nossa Coluna no site Direto do Ponto.com
por Lissandro Nascimento*
Por deter uma rica história a tricentenária Vitória de Santo Antão requer um estudo à parte, sobretudo para avaliar os aspectos de sua história política. Caberei aqui reportar a recente historicidade política. O que se percebe é que o Município tem tido como elemento um ciclo de poder. A disputa pelo poder local tem se baseado nas quatro últimas décadas pela polarização política capitaneadas pelo tradicionalismo familiar, oligarquias pontuais e ainda a busca incessante de espaços de setores econômicos da região.
De modo que para garantir a continuidade do poder por estes grupos, os resultados do esforço, da ação e do programa de um candidato decorrem, frequentemente, do conhecimento que tenha acerca das realidades locais e do jogo de composições, interesses e mandos que caracterizam a vida política nos municípios do Interior do País.
A ideologia política das pequenas comunidades rurais se alicerça em alguns vetores e princípios que não podem ser desprezados por um programa de marketing, sob pena de se ver naufragar todo o esforço de quem se aventura no perigoso terreno da política.
Os políticos brasileiros, com bases eleitorais no Interior, conhecem a fundo a realidade rude dos “donos da política” e certamente não precisam de lições para conviver com situações, climas, fatos e pessoas que certamente constituem sua rotina de vida. Mas é nossa crença que, mesmo com esse conhecimento, cometem erros primários de conduta e ação.
Somados os outros elementos, os municípios do Interior ainda se regem, politicamente, por muitos princípios ditados pelo coronelismo. Com o abandono de velhas práticas, ele adaptou-se ao longo do tempo a contemporaneidade.
Há, portanto, um novo tipo de coronelismo, integrado às mudanças que se processam na cidade. Esse novo coronel trabalha com os mesmos valores do passado, entre os quais, basicamente, podemos apontar à prestação de favores, as barganhas, as relações pessoais, o uso de cabos eleitorais, a reciprocidade de interesses, a utilização da máquina administrativa municipal, estadual e federal.
O País elege possivelmente as últimas gerações que herdaram o poder político por tradição. A passagem do poder político, de pai para filho, está condenada fatalmente à extinção. Os novos interesses locais, a pressão dos grandes centros sobre as comunas interioranas, a nova geração que consome os alimentos da indústria cultural das metrópoles, a urbanização, constituem, entre outros, fatores que passam a direcionar a opção política no Interior. A dinâmica social certamente exigirá novas posturas, novos métodos de ação e novos compromissos. O Interior cada vez mais se aproxima da grande cidade.
Desde a década de 1970 percebe-se em Vitória a troca de poder entre a oligarquia familiar para a oligarquia econômica (ou vice versa). Percebe?
Então, constata-se que nesta década tanto as oligarquias familiares quanto a econômica encontram-se sem sucessores naturais em Vitória. Excepcionalmente está havendo uma oxigenação de novas lideranças políticas na cidade. O que vem depois do resultado das Eleições 2008? É aí que se desponta um novo ciclo.
Apesar de haver uma valorização do personalismo em detrimento de projeto político para a cidade, o cidadão vitoriense agora espera quem vai abrir o novo ciclo de poder na cidade depois que passar este momento político atual. Pessoalmente espero que o novo ciclo de poder chegue e esteja baseado em um amplo projeto político para a cidade, ao invés do projeto político pessoal ou de grupos, enraizados nas oligarquias familiares e econômicas históricas.
É preciso superar este ciclo. E a própria vida está nos empurrando para este. Da recente polarização em 2008, de um lado o grupo procura sucessor e o outro grupo tem procurado persistir. Sobra, portanto, uma lacuna para emergir um novo front político com este novo perfil urbano.
Este novo front deve buscar a valorização dos acontecimentos socialmente significativos, colocar a obra governamental acima das vaidades e interesses personalistas – esses objetivos devem servir de orientação à política da ação governamental voltada à comunidade e não às oligarquias. A perenidade de um Governo está em sua capacidade de deixar fatos para a história.

Por Lissandro Nascimento,
É Turismólogo, Professor Universitário. Presidente do PCdoB local e editor do Blog A Voz da Vitória.