Ceclin
set 28, 2016 0 Comentário


Qual o sentido de um plano de governo em uma eleição para prefeito como na cidade de Vitória?

Prefeitura da Vitória - Foto A Voz da Vitória

Por Darlindo Ferreira

 

A obrigatoriedade de apresentação de um plano de governo pela maioria dos candidatos ao Executivo tem levado a construção de uma relação com esse dispositivo na qual o torna uma mera peça alegórica.  Todos os candidatos por força de lei são obrigados a fazer o depósito de um documento no qual delineia algumas de suas propostas, ou seja, comprometem-se a realizar aquelas ações no decorrer do mandato, mas para nossa triste impressão muitos entendem que significa somente uma obrigação legal, sem mais nada além disso.

Vejamos no caso de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata… neste pleito tem cinco chapas concorrendo a cadeira de prefeito. Tive a curiosidade de conhecer as propostas dos candidatos na última eleição e comparei com as atuais… cheguei à conclusão positiva que houve de forma geral uma evolução, pois passou-se de um documento com apenas uma página para uma construção mais elaborada e com algumas premissas realmente pertinentes ao governante municipal.

Das cinco propostas depositadas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) neste ano, três correspondem, de forma direta ou indireta, a uma continuidade política que se enraizou no Município há mais de 30 anos. Duas outras se colocam como efetivamente novas propondo uma renovação no quadro de forças políticas que teima em se apresentar como persistentemente polarização ideológica e de gestão.

Em termos técnicos, as propostas de continuidade possuem uma contradição essencial, pois ao apontarem para melhorias ou inovações, necessariamente indicam também o que foi falho ou mesmo inexistente na gestão que as apoiam, pois houve oportunidade de fazer e não se cumpriu. Incluir inúmeros pontos sem fazer referência a uma lógica que leve em consideração a logística, a competência legal para fazer, o volume de recursos que se dispensa em comparação ao que se arrecada do Município, são algumas das carências no cuidado em construir um plano de governo.

As duas outras propostas que se mostram como alternativas possuem no caráter renovação e inovação suas forças mais contundentes. Embora uma dessas propostas demonstre uma plano de governo que parece não ser sido construído visando os problemas reais da cidade, soa como se fosse um plano “standard” no qual tem que conter certo pontos os quais facilmente poderia agradar um leitor desatento.

Vale ressaltar dentre as propostas de renovação, o plano de governo proposto pela Coligação Vitória Avança do candidato Professor Edmo Neves e Zé da Juliana. Participei da construção dessa proposta como coordenador do plano de governo, mas devo sinalizar que minha contribuição foi mais de mediar as inúmeras ações de sugestão, indicações de solução de problemas, enfim, o que mais me chamou atenção foi a forma democrática que o plano foi construído. Essa atitude parece ser uma novidade na cidade, sobretudo na qual não parece ter a tradição de privilegiar o debate, a troca de ideias, o refletir e o pensar o que é público sem levar pelo lado das ofensas pessoais, sem tornar o que é de interesse público como se fosse privado.

A questão central que esperamos de todos os atuais candidatos é que levem em consideração, quando chegar janeiro de 2017, a certeza de que foram escolhidos por aquilo que se comprometeram a realizar. É necessário entender que plano de governo não pode ser entendido como peça de decoração a qual passando as eleições pode ser esquecida, não, isso em termos ideológicos pode vir a ser chamado de estelionato eleitoral.  Salvaguardando as devidas proporções… já imaginaram se escolhêssemos um “objeto” por suas características e funções e ao chegarmos em casa ele não servisse para aquilo que foi prometido?

O plano de governo é compromisso com o cidadão, pois por mais que seja um documento obrigatório reflete uma visão de mundo, uma perspectiva ideológica de como irá atacar os problemas e respeitar o cidadão.

Nesse sentido desejamos a todos os candidatos, seja quem for o vencedor, que respeitem o povo de Vitória e cumpram suas ações previstas nos seus planos de governos… penso que se isso ocorrer ao menos terão coerência em poder pedir em outra ocasião futura mais um pouco de nossa confiança ao se candidatarem novamente.

 Darlindo Ferreira

 

Por Darlindo Ferreira,

é Professor do Centro Acadêmico da UFPE de Vitória.