Ceclin
abr 01, 2016 0 Comentário


Projeto do MPPE amplia discussão sobre atenção psicossocial a crianças e adolescentes

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A abertura do projeto Encontro Criando Espaços na Rede de Atenção: um CAPS para crianças e adolescentes, realizada na Sede das Promotorias de Justiça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em São Lourenço da Mata, nessa terça-feira (29), reuniu promotores de Justiça, conselheiros tutelares e representantes dos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas, Secretarias de Saúde, Educação, Assistência Social, Cultura e Lazer dos municípios de Camaragibe, Carpina, Nazaré da Mata, Paudalho e São Lourenço da Mata. No encontro, foram discutidas as ações existentes de prevenção do consumo de drogas e atendimento em saúde mental de crianças e adolescentes e como planejar o enfrentamento ao uso de substâncias psicoativas de modo mais eficaz e humanizado.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Infância e Juventude (Caop Infância e Juventude), promotor de Justiça Luiz Guilherme Lapenda, divulgou o objetivo do projeto do MPPE, que prevê a troca de informações entre as promotorias de Justiça e os órgãos que cuidam das demandas referentes à atenção psicossocial a crianças e adolescentes por todo Estado, a fim de fomentar um maior esclarecimento e dar mais êxito a abordagens, diagnósticos e tratamentos daqui para frente. “Estamos em contato com promotores de todo Estado, colhendo experiências que deram bons frutos. Vamos viajar pelos municípios para replicá-las e, assim, dar suporte às Promotorias de Justiça que têm mais dificuldade em lidar com o problema”, comentou Guilherme Lapenda.

Aline Laranjeira, que atualmente é promotora de Justiça no município de Buenos Aires, na Mata Norte, palestrou sobre sua experiência com adolescentes e crianças usuários de drogas e com problemas de saúde mental, quando ainda atuava em Arcoverde e Ibimirim, no Sertão. Na época, cerca de três anos atrás, ela acordou com as prefeituras um atendimento mais proveitoso aos pacientes. “Primeiro, os gestores precisavam conhecer o usuário, fazer a triagem e, depois, encaminhá-lo ao local mais indicado para ele, fosse dentro ou fora do município. E ainda era necessário informar ao cidadão que havia o serviço e instituições para tratar seus filhos, parentes, etc”, recordou a promotora.

Segundo ela, os gestores também precisaram se conhecer e definir os papéis de cada um. Assim, a engrenagem funcionou de maneira mais satisfatória. “Quando se estabelece quem faz o quê e onde se trata o quê, ficam bem mais fáceis os encaminhamentos e os ajustes futuros são mais rápidos de resolver”, afirmou Aline Laranjeira. A promotora ainda lembrou que a abordagem e o atendimento precisam ser humanizados e esclarecedores. “Por trás daquele caso, existe gente. Um paciente que necessita de ajuda e uma família que, na maioria das vezes, já se encontra em desespero”. Os presentes relataram suas experiências e corroboraram com a fala de Aline Laranjeira. Contaram que a maioria dos casos que chegam a eles já é de situações limite, onde o paciente ou teve diversas crises e o estado é considerado grave.

“Estamos cientes de que há casos onde o paciente mental e/ou usuário de drogas passa toda a infância e juventude sem receber atenção devida e só vai ter ajuda profissional na fase adulta. O estigma sobre esses problemas ainda é muito grande, causa medo na família e recusa da realidade. O somatório atrapalha tanto no tratamento quanto na reintegração na sociedade”, concluiu o promotor Guilherme Lapenda. O encontro também contribuiu para o debate sobre a adequação da Rede de Atenção em Saúde Mental nos municípios para crianças e adolescentes, incentivando a articulação dos atores envolvidos e estimulando a participação da sociedade na implantação de políticas públicas em saúde mental que envolvam atividades terapêuticas, educativas, esportivas, artísticas e de diversão.

com Informações da Assessoria