Ceclin
out 05, 2021 0 Comentário


Projeto Baobá pode virar festival municipal em Moreno

Realizado desde 2018 pela EREM Cardeal Dom Jaime Câmara, sempre no mês de novembro, o projeto se baseia na Lei 10.639/2003 para estimular discussões sobre a consciência negra 

Todos os anos, estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio Dom Jaime Câmara, do Município do Moreno, no Grande Recife, encaram o desafio de debater, através de um tema previamente definido, o Mês da Consciência Negra. O projeto surgiu no ano de 2018 por iniciativa do professor Antônio Arnaldo e, segundo o próprio: “enaltece a importância das pessoas africanas e afrodescendentes na formação social, econômica e política da sociedade brasileira e, naturalmente, também de Moreno, contribuindo com o reconhecimento e valorização pela população local acerca de suas origens, favorecendo sua autoestima e a sensação de pertencimento”.

O evento, que recebe o nome de uma árvore símbolo do continente africano, cheia de significado para seus povos, contempla diversas linguagens artísticas como música, literatura, pintura, dança, teatro, artesanato e culinária, realizando oficinas e também o concurso de Rei e Rainha do Baobá. A intenção é justamente demonstrar que essa história de resistência e enfrentamento contra as atrocidades da escravidão não está nem um pouco distante das origens do Município, fundado em engenhos de cana-de-açúcar que se utilizaram de mão de obra de pessoas negras escravizadas e que as marcas dessa presença perduram na sociedade morenense, mesmo que muitos tentem apagá-las.

Prestes a chegar à sua quarta edição, o Projeto Baobá se prepara para estender sua atuação para além dos muros da escola. O Projeto de Lei nº 024/2021, de autoria do vereador Toni do João Paulo (PSB), prevê a municipalização do projeto no formato de um festival cultural que deverá acontecer anualmente na Praça da Bandeira, no Centro do Moreno, elevando a contribuição da iniciativa a um patrimônio cultural do Município.

A iniciativa partiu dos organizadores do evento que entraram em contato com os vereadores de Moreno e estão animados com as sinalizações de que o projeto será aprovado pelos edis. “Será um legado importantíssimo para a cidade e temos a certeza de que fará com que a sociedade reflita mais sobre suas origens e valorize a contribuição negra à história da cidade e do País”, pondera o professor Antônio Arnaldo.