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set 21, 2016 0 Comentário


Professor Edmo, Henrique Filho e Zé Catinga participaram de debate na UFPE Vitória

Eleiçoes 2016 - Vitoria S. Antão - foto A Voz da Vitória

Por Lissandro Nascimento

Reunindo três dos cinco candidatos a prefeito da Vitória de Santo Antão, tendo em vista que o deputado Aglailson Júnior (PSB) e o candidato representante da atual gestão, Paulo Roberto (PSD), se negaram a participar do debate, a iniciativa que durou três horas nesta terça-feira (20/9), foi promovida pela Associação dos Docentes da UFPE (ADUFEPE) que juntou os prefeituráveis na Quadra Esportiva do Centro Acadêmico de Vitória (CAV), numa atividade civilizada entre os seguintes candidatos: Professor Edmo Neves (PMN), Henrique Filho (PR) e Zé Catinga (PV).

O debate foi dividido em cinco blocos, sob mediação do presidente da ADUFEPE, Augusto Barreto, voltado especificamente para atender as perspectivas da comunidade acadêmica da UFPE de Vitória. O segundo bloco foi a parte mais ‘quente’ do evento, quando os prefeituráveis fizeram perguntas entre eles. O Professor Edmo perguntou a Henrique Filho com que argumento defende um plano de governo de mudanças se ele e seu pai (Dep. Henrique Queiroz) estiveram diretamente responsáveis pelas últimas gestões na Prefeitura de Vitória. De pronto, Henrique Filho exaltou o papel político exercido pelo seu pai e fez um tipo de “mea-culpa” reconhecendo que os dois principais grupos políticos da cidade não deram, na sua visão, os resultados esperados. Edmo rebateu dizendo que o erro de Henrique Filho foi o silêncio e ou a omissão, pelo qual, por sua vez, o atual vice-prefeito retrucou dizendo que Edmo Neves também contribuiu com os governos de Elias Lira e ainda apoiou a eleição de Joaquim Lira (filho do atual gestor).

Henrique Filho e Edmo Neves

Deixando esvair a oportunidade de explicitar sua proposta para a rede municipal de Saúde, Zé Catinga respondeu a Henrique Filho que Saúde foi o que o motivou a ingressar na vida pública. Aproveitando a réplica, Henrique propôs disponibilizar recursos tecnológicos para melhorar as marcações para o atendimento médico, sem precisar enfrentar longas filas, evitando com o que acontece, por exemplo, com o Centro de Saúde da Mulher, no Livramento, alvo de constantes reclamações.

Ze Catinga - foto A Voz da VitoriaNa sequência, Zé Catinga indaga ao Professor Edmo de como se sente fazendo oposição ao atual governo Elias Lira. “Nos desligamos do governo em março de 2012 para fazermos um novo caminho político. Dei importantes contribuições enquanto Secretário, contemplando salários em dia, capacitando servidores e instituindo o Plano de Cargos e Carreira”, sintetizou. Catinga insistiu na participação do professor em gestões do “líder amarelo”, o que fez Edmo retrucar: “Zé Catinga até então estava no palanque de Elias e Joaquim Lira, tenho lembranças do senhor. Hoje faço oposição por entender que este atual modelo de gestão se encontra ultrapassado e precisamos inovar”, provocou.

Na parte que coube a única pergunta da Adufepe, foi questionado aos candidatos o que farão para assegurar a mobilidade intermunicipal dos universitários. Primeiro a responder, Edmo Neves reconheceu politicamente o movimento #RegulaBusão e garantiu, se eleito, melhorar o serviço com regulamentação e controle por parte de uma Agência Municipal de Transporte, considerando a possibilidade inclusive de terceirizar este serviço.  Zé Catinga também pretende regulamentar e renovar a frota de veículos, contudo, criticou o fato do transporte universitário tenha sido utilizado como manipulação eleitoral pelos que estiveram no Poder. Henrique Filho, na sua vez, mostrou-se sensível ao problema, chegando a afirmar que um dos motivos de ter rompido com o atual governo foi o não cumprimento das promessas dos ônibus, com 1º andar, para a categoria. Se eleito, pretende regulamentar e renovar a frota de veículos, porém discordou de Edmo quanto a terceirização. Na oportunidade, Neves esclareceu que a possível terceirização dos ônibus universitários seria em caráter emergencial “considerando que a atual frota está sucateada e não se consegue renovar os veículos no primeiro ano de mandato”, reforçou acertadamente.

Henrique Filho - foto A Voz da VitoriaA fase final do debate foi voltada para três perguntas sorteadas, feitas por escrito pela plateia, composta majoritariamente por universitários e servidores do CAV-UFPE. A primeira pergunta direcionada aos três candidatos foi com relação a Educação Infantil. Primeiro a responder foi Edmo. “Se eleito, vamos instalar no primeiro ano do nosso governo pelo menos 20 creches. É possível fazer, basta vontade política”, asseverou.

Metódico, Henrique Filho preferiu defender um programa de governo abordando o setor da educação infantil como um todo. “Toda estrutura educacional é falha! Faremos intervenções pontuais, quando as creches terão a devida prioridade neste conjunto”, destacou.

Segundo Zé Catinga, seu programa de governo contempla o cuidado educacional da criança até aos 09 anos. “Este público terá total atenção do nosso governo. Pretendemos implantar na rede municipal de ensino a escola em tempo integral”, assinalou.

A segunda pergunta do público causou a parte inusitada deste debate. Foi sobre o acesso ao CAV, de como o Poder Público local iria intervir. Escolhido como o primeiro a responder, Zé Catinga não sabia o significado da sigla “CAV”, o que fez a plateia esclarecê-lo. Depois que ele entendeu que se tratava de promover intervenção urbana em torno do campus da UFPE Vitória, o mesmo sintetizou: “Lamento, não sei responder!”.

Edmo Neves - foto A Voz da VitoriaDemonstrando segurança e desenvoltura em todo o debate, o Professor Edmo afirmou à plateia que conhece a problemática desde que assumiu o atual mandato de vereador. “É preciso dizer que a Prefeitura de Vitória deu às costas ao Centro Acadêmico”, sentenciou, arrancando efusivos aplausos. “Nosso governo vai garantir acesso com sinalização, iluminação, urbanização e atenção à segurança. Quem sabe até com alternativas de entrada ao Campus pela Rua dos Borges”, sintetizou.

Por sua vez, Henrique Filho explicou que o entorno do CAV faz parte de um plano de intervenção urbana mais amplo, gestado no seu plano de governo, que envolve projetos como “Ilumina Vitória”, dentre outros, pelo qual pretende inclusive a construção de passarelas, facilitando as condições de acesso ao Campus.

Terceira pergunta da plateia foi com relação ao combate às drogas, sobretudo entre os vitorienses mais jovens. “Vamos ampliar os serviços de assistência social, garantir atenção às minorias e desenvolver parcerias e a prática dos esportes nas localidades”, sublinhou Henrique Filho. Na sequência, Catinga reforçou sua proposta de Escola Integral como parte integrante no combate ao uso das drogas pelo público infanto-juvenil. Apesar de não ter apontado medidas concretas de governo para o problema, Catinga frisou que suas ações sociais estarão diretamente envolvidas no ambiente escolar.

Por sua vez, o Professor Edmo disse que vai se utilizar dos prédios públicos escolares para atividades exclusivas nos finais de semana. O candidato do PMN considerou que a minimização do problema se dá no combate ao tráfico, pelo qual requer parcerias com outros órgãos. Ele escolheu a comunidade de Dr. Alvinho como setor prioritário na revitalização urbana e ataque direto no combate ao tráfico.

Por volta das 19h, os postulantes fizeram as considerações finais e elogiaram a iniciativa da Adufepe em estimular o debate democrático nas eleições 2016 em Vitória de Santo Antão. De fato! Tal iniciativa deve pautar um novo ambiente político na cidade nos próximos anos.

Ao que parece, debate como este só ocorreu no Clube O Leão, nas eleições para prefeito em 1992, organizado pelo Professor vitoriense Ageu Lima, reunindo na época, pelo que lembramos, José Aglailson (PDT), Dodó Carvalho (PT) e outro, com a ausência apenas do então Elias Lira (PFL), este último, nunca participou de debate em toda sua vida pública.

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