Ceclin
jan 18, 2018 0 Comentário


Procissão de Santo Antão: tradição que se repete há 393 anos

Tornou-se abade, pai, exemplo para toda a vida religiosa. Exemplo de castidade, de obediência e pobreza.

Tornou-se abade, pai, exemplo para toda a vida religiosa. Exemplo de castidade, de obediência e pobreza. Fotos: Reprodução/Facebook

As principais ruas da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana, foi ocupada por milhares de fieis no cortejo em procissão para celebrar a 393ª edição da Festa de seu padroeiro e do seu co-padroeiro, São Sebastião. Perto de completar 04 séculos, a festividade em homenagem à Santo Antão Abade, revela na Procissão do Padroeiro o seu ápice.

Na  quarta-feira, 17 de janeiro, feriado na cidade, o dia começou com alvorada de fogos, seguido de missa celebrada pelo Dom Antônio Tourino Neto, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, reforçando o tema “Abençoai os leigos, ó Santo Antão querido, sejam templos e altares, onde Deus é conhecido”. A tricentenária Procissão aconteceu às 16h saindo pelas principais ruas da cidade, encerrando com Missa campal celebrada pelo Monsenhor Mauricio Diniz, Vigário Episcopal.

“Homem de oração, defensor da fé, de profunda interioridade e grande humildade, intitulou-se Servus servorum Dei, isto é, “Sevo dos servos de Deus”. Antão nos ensina que a intimidade com Deus na oração e a prática da caridade são duas vias indispensáveis e possíveis para alcançarmos a santidade. Que Santo Antão nos inspire e que seu testemunho de vida desperte em nós a firme decisão de amar e doar-se por aqueles que, hoje, necessitam ser alcançados pela graça de Deus. Santo Antão, rogai por nós!”, destacou o clero em momento litúrgico.

Procissão de Santo Antão 2018

Santo Antão, exemplo de castidade, de obediência e pobreza

Santo Antão 2018Santo Antão, construiu muros em um cemitério e lá viveu na penitência e na meditação

Pai do monaquismo cristão, Santo Antão nasceu no Egito em 251 e faleceu em 356; viveu mais de cem anos, mas a qualidade é maior do que a quantidade de tempo de sua vida, pois viveu com uma qualidade de vida santa que só Cristo podia lhe dar. Com apenas 20 anos, Santo Antão havia perdido os pais; ficou órfão com muitos bens materiais, mas o maior bem que os pais lhe deixaram foi uma educação cristã. Ao entrar numa igreja, ele ouviu a proclamação da Palavra e se colocou no lugar daquele jovem rico, o qual Cristo chamava para deixar tudo e segui-Lo na radicalidade. Antão vendeu parte de seus bens, garantiu a formação de sua irmã, a qual entrou para uma vida religiosa.

Enfim, Santo Antão foi passo a passo buscando a vontade do Senhor. Antão deparou-se com outra palavra de Deus em sua vida: “Não vou preocupeis, pois, com o dia de amanhã. O dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”(Mt 6,34). O Espírito Santo o iluminou e ele abandonou todas as coisas para viver como eremita. Sabendo que na região existiam homens dedicados à leitura, meditação e oração, ele foi aprender. Aprendeu a ler e, principalmente a orar e contemplar. Assim, foi crescendo na santidade e na fama também.

Sentiu-se chamado a viver num local muito abandonado, num cemitério, onde as pessoas diziam que almas andavam por lá. Por isso, era inabitável. Ele não vivia de crendices; nenhum santo viveu. Então, foi viver neste local. Na verdade, eram serpentes que estavam por lá e , por isso, ninguém se aproximava. A imaginação humana vê coisas onde não há. Santo Antão construiu muros naquele lugar e viveu ali dentro, na penitência e na meditação. As pessoas eram canais da providência, pois elas lhe mandavam comida, o pão por cima dos muros; e ele as aconselhava. Até que, com tanta gente querendo viver como Santo Antão, naquele lugar surgiram os monges. Ele foi construindo lugares e aqueles que queriam viver a santidade, seguindo seus passos, foram viver perto dele. O número de monges foi crescendo, mas o interessante é que quando iam se aconselhar com ele, chegavam naquele lugar vários monges e perguntavam: “Onde está Antão?”. E lhes respondiam: “Ande por aí e veja a pessoa mais alegre, mais sorridente, mais espontânea; este é Antão”.

Ele foi crescendo em idade, em sabedoria, graça e sensibilidade com as situações que afetavam o Cristianismo. Teve grande influência junto a Santo Atanásio no combate ao arianismo. Ele percebeu o arianismo também entre os monges, que não acreditavam na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Antão também foi a Alexandria combater essa heresia. Santo Antão viveu na alegria, na misericórdia, na verdade. Tornou-se abade, pai, exemplo para toda a vida religiosa. Exemplo de castidade, de obediência e pobreza.

Santo Antão, rogai por nós!