• Ceclin
ago 06, 2019 0 Comentário


Preso suspeito de ataque homofóbico que deixou jovem de Moreno sem falar e andar

Jefferson festejava aprovação na escola quando foi agredido, em dezembro de 2018, em Moreno, no Grande Recife. Denunciado pelo MPPE, homem negou crime, segundo Polícia. Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Jefferson festejava aprovação na escola quando foi agredido, em dezembro de 2018, em Moreno. Denunciado pelo MPPE, homem negou crime, segundo a Polícia. Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão preventiva contra um homem acusado de espancar, estuprar e roubar o jovem Jefferson Anderson Feijó da Cruz, de 23 anos, em Moreno, no Grande Recife. O crime aconteceu em dezembro de 2018 e, segundo a família, a vítima não fala nem anda por causa das sequelas causadas pela agressão.

Robson da Silva Trindade, de 25 anos, foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) pelos crimes de roubo qualificado e estupro. A prisão ocorreu na quinta-feira (1º), em cumprimento a um mandado de prisão expedido pela Justiça na quarta-feira (31/7), mas o caso foi divulgado nesta segunda-feira (05/8).

Segundo a Polícia Civil, antes do crime, Jefferson foi ameaçado pelo acusado, depois de negar um pouco de bebida durante uma festa realizada na cidade. Após as agressões, Jefferson passou seis meses internado. Testemunhas também informaram à Polícia ter visto Robson no local das agressões, momentos antes de Jefferson ser encontrado bastante machucado. Ainda de acordo com a Polícia, contra Robson foi expedido um mandado de prisão preventiva.

A corporação informou que, apesar das evidências apresentadas contra ele, o homem nega ter praticado o crime.

As investigações foram conduzidas pela Delegada Anete Marques, da 21ª Circunscrição de Moreno. O suspeito está preso no Cotel (Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna), em Abreu e Lima, cidade da região metropolitana do Recife. O crime chocou a pequena Moreno, cidade-dormitório do Recife, pela grande violência contra a vítima, que ficou sem andar e falar. Jefferson só come por meio de sonda e respira com ajuda de uma traqueostomia. Também perdeu as funções cognitivas –não discerne fatos e nem expressa emoções.

Jefferson ficou em coma por um mês depois de ser agredido em Moreno, no Grande Recife — Foto: Reprodução/Facebook

Jefferson ficou em coma por um mês depois de ser agredido em Moreno — Foto: Reprodução/Facebook

O crime

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Jefferson foi agredido na noite do dia 7 de dezembro de 2018, quando estava na Praça da Bandeira, em Moreno. Ele comemorava a aprovação escolar com outros três amigos, durante a festa de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. Ainda segundo o MPPE, o jovem foi agredido momentos depois de negar bebida ao acusado.

Testemunhas informaram à Polícia que Robson insistiu para ter relações sexuais com Jefferson, que negou. Posteriormente, quando a vítima saiu da companhia dos amigos, foi agredida, estuprada e roubada pelo acusado. O rapaz ficou em coma por cerca de um mês. Em nota, o Tribunal de Justiça de Pernambuco afirmou que o processo está sob segredo de Justiça por se tratar de crime sexual.

Família

Prima de Jefferson, a estudante Izabella Oliveira disse que o jovem foi agredido a pauladas. “O homem [Robson] pedia bebida e os meninos davam, mas depois, não quiseram mais. Ele ficou pedindo para ficar com Jefferson, que negou porque tem namorado. Aí ele disse ‘eu vou te pegar, viadinho’ e esperou até meu primo ficar sozinho. Como é um lugar muito escuro, ninguém viu”, afirma.

Ainda segundo Izabella, a maioria das lesões ocorreu na cabeça de Jefferson. Ele passou um mês em coma e seis meses internado no Hospital da Restauração (HR), no Centro do Recife. A família mudou-se de Moreno para Olinda, para facilitar a chegada do jovem até o hospital, para realizar os tratamentos necessários.
“Ele foi submetido a uma traqueostomia, mas hoje, já respira sozinho. Ele está consciente e se comunica com os olhos, mas não consegue falar nem tem muito controle sobre o tronco. Mas atualmente, já está sentando melhor. Até uma cirurgia na cabeça ele teve que fazer, por causa de um coágulo no cérebro causado pelas lesões. O cara quis matá-lo e só parou de bater porque pensou que ele tinha morrido”, declara a jovem.

A família contratou uma equipe composta por enfermeira, fisioterapeuta e fonoaudiólogo para prestar assistência ao filho em casa. Ter essa assistência domiciliar foi a prerrogativa dada pelo hospital para liberar o jovem da unidade.
Jefferson já responde bem ao tratamento, afirma a mãe. “Ele já mexe os pés e parece estar ouvindo tudo o que a gente fala. Para todos nós, é um grande avanço.”

A assistência em casa só foi possível porque uma vaquinha virtual arrecadou R$ 123 mil, com o apoio de 1.941 doadores.