• Ceclin
dez 19, 2014 0 Comentário


Prefeitura quer sentenciar o Carnaval de Vitória em uma peça burocrática

Desta vez, a Prefeitura de Vitória inventa um tal de “Decreto do Carnaval”, e a ACTV e a ABTV engolem este engodo. Saiba as razões por que Elias e Paulo Roberto não investem no carnaval das alegorias

carnaval de vitória 2014

Por Lissandro Nascimento

Nas últimas semanas ocorreram três reuniões para tratar dos preparativos para o Carnaval da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, duas delas promovidas pelos representantes da Prefeitura e a outra pela Câmara de Vereadores, através de uma audiência pública. Não tive como participar de nenhuma delas, em virtude da minha agenda de viagens da AblogPE. Pelo que li nos demais Blogs da cidade quanto aos encaminhamentos destes encontros, arrisco seguramente num palpite: os atuais gestores públicos que tratam do Carnaval estão sendo míopes (pra não afirmar coisa pior!) no trato com a maior festa popular da cidade.

Papangus de Bezerros/PE

Papangus de Bezerros/PE

Primeiramente, para ajudar nesta reflexão, gostaria de perguntar ao leitor do meu Blog: o que define a essência (alma) do Carnaval da Vitória de Santo Antão?

Na linguagem da ciência turística, um atrativo turístico cultural se define pela sua singularidade. Exemplos: Escolas de Samba (Rio de Janeiro), Axé (Bahia), Olinda (Orquestras de Frevo); Recife (Carnaval de rua e de palco); Bezerros (Papangus) e por aí vai.  Hoje, num mundo globalizado, onde a tendência é a padronização dos costumes, as pessoas saem ou viajam a procura do “diferente”.

Pois bem, repito: o que define a essência (alma) do Carnaval da Vitória de Santo Antão?

O que fez transformar o secular Carnaval de Vitória em uma referência como o melhor do interior de Pernambuco e o fez definhar e empobrecer nas últimas décadas? Bem, esta discussão daria, certamente, um trabalho acadêmico de Doutorado. Não quero me alongar. Mas, todos concordarão que as alegorias e ou os carros alegóricos atendem ao conceito do diferente da nossa maior festa.

De modo que a experiência dos últimos anos tem demonstrado que todos nós vitorienses, principalmente os nossos gestores públicos, não estamos fazendo o “dever de casa”.

Ora, então por que o atual Prefeito Elias Lira (PSD) e a pasta responsável que é a Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes, na pessoa do visionário e empreendedor Paulo Roberto Leite de Arruda, não investem pesadamente no Carnaval das Alegorias?

Vamos lá! (…)

Carnaval para quem?: O Secretário Paulo Roberto e o Prefeito Elias Lira devem saber.

Carnaval para quem?: O Secretário Paulo Roberto e o Prefeito Elias Lira devem saber.

Os atuais gestores públicos depois da fragorosa, irresponsável, venal, covarde e anti-estratégico projeto de “desorganização” do Carnaval de 2014, decidiram retomar o percurso do Carnaval da Vitória, voltando em 2015 a ser o antigo, em decisão tomada em conjunto com os representantes das troças, clubes e blocos locais. A mudança fará com que o corredor da folia passe pela Praça da Matriz, do Livramento e Avenida Mariana Amália. A Prefeitura de Vitória ainda insiste no “Carnaval de Palco” com a criação de novos polos de animação que serão instalados nas praças do Livramento e Duque de Caxias com suas atrações, da mesma forma que ocorre no Pátio Otoni Rodrigues e Praça da Matriz.

Desta vez, a Prefeitura de Vitória inventa um tal de “Decreto do Carnaval”, pois no ano que vem a responsabilidade de ajuste às normas de segurança ficará por parte da Prefeitura, já que o malfadado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), não será elaborado.  O Decreto é uma série de normatizações definidas pelo Poder Executivo com requisitos voltados ao horário do término dos shows, segurança e outras questões técnicas. Um dos itens, por exemplo, trata-se da questão da altura da fiação, que era responsabilidade dos próprios blocos. Agora, será serviço da Prefeitura. É muita mesquinharia!

Portanto, este “Decreto do Carnaval” estabelece as diretrizes que regulamentam a festa, a fim de garantir a mobilidade e segurança da população e dos foliões. Com a produção do Decreto, o TAC será extinto, onde a dupla acima, não usará mais o Ministério Público como “escudo”. Pelo que se vê, chega Paulo Roberto Leite de Arruda e coloca debaixo do braço (melhor dizendo, debaixo do ‘sovaco’) este Decreto, como fazem os Protestantes com a Bíblia, como se fosse a coisa sagrada que irá resolver todos os problemas do evento. Sinceramente, desculpe-me… P.Q.P.!!!!!

A polêmica que persiste para a próxima edição do Carnaval é a exigência de documentação das troças e demais agremiações para que possam receber cotas de patrocínio do Poder Executivo. A regularização exige a cópia do estatuto, certidões negativas municipal e federal, além de CNPJ e ata de constituições da diretoria.

Carro Alegórico do Clube Vassouras O Camelo - Carnaval de 1928 - Acervo IHGVSA.

Carro Alegórico do Clube Vassouras O Camelo – Carnaval de 1928 – Acervo IHGVSA.

É impressionante como as duas entidades do Carnaval engolem este engodo! Falo da Associação do Carnaval Tradicional Vitoriense (ACTV) e a Associação dos Blocos de Trios Elétricos da Vitória (ABTV). Não percebo nenhuma das duas entidades abrirem uma pauta de discussão sobre a construção de uma Política de Incentivo à Cultura em Vitória. Não vejo ninguém cobrar a instalação do Conselho Municipal de Cultura. Ninguém discute um plano estratégico de longo prazo para o setor cultural. Ninguém protesta e penaliza os culpados pela falência dos Clubes Carnavalescos que produzem os carros alegóricos. Querem sentenciar o Carnaval da tricentenária Vitória de Santo Antão em uma peça burocrática.

Carnaval para quem?: Charles Romão (ABTV) e Gilberto Lorena (ACTV) devem saber

Carnaval para quem?: Charles Romão (ABTV) e Gilberto Lorena (ACTV) devem saber

Quem deve pautar a discussão do carnaval de Vitória é quem faz carnaval e os seus foliões. Sinceramente, hoje, independente da Prefeitura, o povo é que faz o verdadeiro carnaval vitoriense.

Ademais, amigo leitor deste Blog, considero que estamos muito atrasados neste debate. É preciso entender que a atual lógica que se estabelece na festa é transformá-la numa indústria elitista de lucro. Não podemos aceitar isso! Elias Lira, Joaquim Lira e Paulo Roberto estimulam a política da industrialização do carnaval vitoriense. Na audiência pública do Carnaval na Câmara, Paulo Roberto resumiu o sucesso da sua gestão na festa: “Em todos estes anos tivemos violência zero no Carnaval de Vitória e abolimos os vasilhames de vidros”, concluiu. (sem comentários!).

palco carnaval de vitóriaAgora explico por que eles não investem no Carnaval das Alegorias e insistem no ‘Carnaval de Palco’.

Nos últimos anos, a cidade tem presenciado pesados investimentos no Carnaval de Palco, em detrimento do ‘Carnaval de Rua’. É misturar água com óleo, não funciona! A nossa essência é carnaval de rua com carros alegóricos.

Lira e Paulo Roberto insistem no carnaval de palco em razão dos altos volumes de recursos públicos empregados. Não é vantagem para eles investirem em alegorias, pois implica num investimento público de longo prazo, aonde o dinheiro não chega de forma imediata. Por isso que o Decreto não menciona nenhuma linha sobre as Alegorias. Contratar estruturas metálicas gigantescas de palcos, cantores caríssimos, licitar decoração do corredor da folia em valores que poderiam financiar três carros alegóricos, montar uma gigantesca equipe para cuidar de toda esta estrutura empregando gente e ‘amarrando votos’, licitar diversos equipamentos inclusive de som, alimentação, combustível, empresas para terceirizar estes serviços e “tirar a comissão”.

Ah claro! Um detalhe interessante: vendas de camarotes. Qual a razão de retirar o Quartel General do Frevo da Praça Duque de Caxias e levar para o ‘fim do mundo’ do corredor da folia? Porque lá tem muito espaço para vender camarotes!

Camarores no São João 2014 Nossa Vitória

Investir no ‘carnaval de rua’ e nos carros alegóricos é destinar os recursos públicos diretamente aos clubes carnavalescos, é dotar de uma estrutura menor de organização urbana, é construir uma política de cultura carnavalesca de longo prazo, ou seja, dessa forma os recursos e os investimentos públicos são mínimos. Dificulta pegar no “dinheiro vivo” que sai dos cofres públicos da Prefeitura e penaliza o dinheiro imediato circulando nas mãos destes F.D.P !!!!

Carro Alegórico do Clube Abanadores O Leão

Carro Alegórico do Clube Abanadores O Leão