Ceclin
dez 22, 2016 0 Comentário


Prefeito Elias Lira prioriza pagamento de fornecedores em detrimento dos atrasos de salários dos servidores de Vitória

Ocupação PMV

Mesmo a Justiça determinando bloqueio das contas da Prefeitura de Vitória para pagamento de salários, não há dinheiro suficiente em caixa, pois Elias Lira priorizou outros pagamentos

Por Lissandro Nascimento

Professores, servidores, contratados, aposentados e pensionistas ocuparam o prédio da Prefeitura da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, por falta de pagamento do 13º salário e pelo pagamento dos salários e férias. A categoria vem reivindicando o pagamento dos proventos há vários meses, em virtude de constantes atrasos salariais, quando desde o último mês de outubro, manifestações passaram a ser realizadas com frequência na cidade.

Pilako na ocupaçao PMVOs Sindicatos dos Servidores, Professores e aposentados ingressaram junto ao Ministério Público com representação denunciando as ilegalidades praticadas pelo prefeito Elias Lira (PSD), em desfavor destes servidores. A Dra. Lucile ingressou com ação judicial, acolhida pela 1ª Vara Cível, determinando o bloqueio de receitas das contas da Prefeitura para garantir os pagamentos dos salários e 13º salário até o dia 20/12, sob pena de multa diária. Essa determinação foi descumprida pela gestão, que desde então os representantes da Prefeitura e do VitóriaPrev avisaram em reunião que não tem previsão para pagar o 13º salário. Com essa informação, os Sindicatos dos Servidores e Sindicato dos Professores, ambos da rede pública, convocaram todos os servidores, pais, estudantes e comunidade em geral, a fim de ocuparem o prédio da Prefeitura da Vitória e de lá sair quando o pagamento for efetuado.

Conforme levantamento feito pelo Blog A Voz da Vitória junto ao Portal da Transparência do Tribunal de Contas (TCE-PE), precisamente R$ 201.572.947,56 foi a circulação de recursos líquidos na Prefeitura da Vitória de Santo Antão em 2015, uma média de R$ 16.797.745,63 mensal. Contudo, ao final de 2015, o Prefeito Elias Lira gastou nada mais nada menos que R$ 226.570.365,72.   Nada mais, nada menos que R$ 24.997.416,18 à mais que a capacidade de pagamento do Município.  Faria ele a mesma coisa em suas finanças pessoais pelos fatos que possa apresentar em sua defesa como gestor do Poder Executivo local?

Logo, o relatório do primeiro semestre de 2016, apresentado pelo Prefeito Elias Lira ao TCE, informa que dos R$ 24.997.416,18 gastos à mais em serviços e produtos, já foram pagos R$ 16.819.043,34 entre 01 de janeiro e 30 de junho deste ano.

Ou seja, dos R$ 18,5 milhões líquidos de receita média nos primeiros seis meses de 2016, o prefeito tirou R$ 2,8 milhões em média (15%) por mês, para pagar dívidas contraídas ao longo dos últimos três anos, para pagamento de credores, pois não pode finalizar o mandato com RESTOS À PAGAR.

Não poderia dar outra coisa.  Seis meses de constantes atrasos de pagamentos de salários dos servidores, com discursos absurdos de falta de recursos por conta da recessão.  Que RECESSÃO??   Observem a média de receita mensal em 2015, e comparem com a média dos seis primeiros meses de 2016.

O atual prefeito só não resolveu e nem assumiu o problema seríssimo do VITORIAPREV, que já acumula dívida do Município com o Fundo, algo em torno de R$ 50 milhões, só nos últimos oito anos de sua administração, e nem os Demonstrativos do Fundo de Previdência estão sendo expedidos desde janeiro de 2014.

Categoria chegou a ir conferir se dinheiro já estava na Caixa Econômica, mas não havia saldo. Foto: A Voz da Vitória

Categoria chegou a conferir se dinheiro já estava na Caixa Econômica, porém não havia saldo. Foto: A Voz da Vitória

Os sindicatos deverão informar ao Poder Judiciário e ao Ministério Público o descumprimento do pagamento do 13º salário que seria no último dia 20. Os dirigentes sindicais informaram ao Blog que mesmo chegando até o dia 20/12 com receita de R$ 10.030.590,35 (repasses totais) e R$ 4.092.658,27 (repasses do FUNDEB), os repasses até então não foram efetuados. “Um absurdo! O prefeito descumpre a lei, decisão judicial, recomendação do MPPE e o povo fica sem serviços essenciais de educação, saúde, além de privar o incremento na economia local, dificultando ainda mais a situação do comércio, da indústria e dos serviços”, comentou a dirigente do SINDPROV – Profa. Roseane Santos.