• Ceclin
fev 05, 2010 1 Comentário


População não confia no Judiciário brasileiro

Publicado em 05.02.2010
SÃO PAULO – Cerca de 70% da população brasileira duvidam da honestidade e imparcialidade do Poder Judiciário, de acordo com pesquisa realizada pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mede o Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil). Os nordestinos lideram o ranking da desconfiança. Em Salvador e no Recife, 79,2% e 78,7% dos entrevistados, respectivamente, disseram duvidar da honestidade ou imparcialidade do Judiciário. Em seguida vieram Rio de Janeiro (71,7%) e São Paulo (71,4%).

Outro ponto mal avaliado pela população foi a capacidade de solução de conflitos. Na média nacional, 60,6% dos que responderam à pesquisa afirmaram que o Judiciário não é competente ou tem pouca competência para solucionar conflitos. Mais uma vez, o Recife puxa essa média e destoa das outras capitais: 74,2% dos recifenses não acreditam que o Judiciário seja competente para solucionar conflitos. Na outra ponta da tabela vem Porto Alegre, com 51,2%. No segundo lugar, está Brasília, onde 62,4% não confiam no Judiciário, seguido por Rio (61,5%), São Paulo (60,7%), Belo Horizonte (58,9%) e Salvador (56,8%).

O ICJBrasil procurou avaliar, também, o grau de satisfação em relação ao Judiciário. Dentre uma amostra de 1.588 pessoas, 25,9% participaram de algum processo judicial nos últimos cinco anos. Dessa amostra, 30,2% informaram que ficaram muito insatisfeitos com a atuação do Judiciário, 38,8% pouco satisfeitos, 29,6% satisfeitos e apenas 1,5% muito satisfeitos.

A lentidão também foi apurada pelo índice. São Paulo continua ostentando o posto de cidade que acredita que o Judiciário resolve os conflitos de forma muito lenta, com 94,6% das respostas, acima da média nacional (93,4%). Já o Recife está no outro oposto da escala, com 90,9%.
“Mesmo com os esforços do Conselho Nacional de Justiça em reduzir o volume de processos sem julgamento nos tribunais, dando maior agilidade aos casos, continua preocupante a constatação de que, em todas as capitais, permanece a sensação de que a Justiça é muito lenta para a esmagadora maioria da população”, analisa a coordenadora do ICJBrasil, Luciana Gross Cunha.

(Jornal do Commercio).