• Ceclin
nov 19, 2008 1 Comentário


Policial confessa ter agredido jovem

Publicado em 19.11.2008

O policial civil acusado de torturar um jovem de 19 anos detido na Delegacia de Glória de Goitá, Zona da Mata, no início deste mês, confessou as agressões. A informação é do delegado responsável pelo caso, Ricardo Cysneiros.
Ele conversou informalmente com o comissário, que estava foragido, mas se apresentou na última segunda-feira. “Ele assumiu que se excedeu no tratamento dado ao jovem, mas disse que não houve tortura. Alegou ter ficado revoltado ao saber que o rapaz tinha roubado dinheiro. Além disso, relatou que estava com problemas pessoais no dia do ocorrido.”
O policial foi afastado da Delegacia de Glória de Goitá e trabalhará na unidade de Amaraji, também na Zona da Mata, enquanto durarem as investigações. Cysneiros afirma que os envolvidos serão indiciados por crime de tortura. Além do comissário, um auxiliar de limpeza da delegacia da cidade e outros dois homens, que trabalhavam com a vítima, estão sendo acusados pelas agressões.
A possível participação do delegado do município, Fernando Régis, que teria dado uma tapa no rosto do rapaz, também está sendo investigada. Ontem (18), o jovem, o pai e um primo dele, prestaram depoimento. “Agora, vamos ouvir outras pessoas que tiverem informações sobre o caso. Precisamos que a população colabore, porque apenas o exame do Instituto de Medicina Legal (IML), atestando agressões, não é suficiente para indiciamento por tortura”, ressaltou Cysneiros.

O laudo ainda não foi entregue ao delegado. Mas o resultado divulgado pelo IML confirma que o jovem foi vítima de espancamento. Os acusados serão os últimos a prestarem depoimento, provavelmente na próxima semana. Se condenado por crime de tortura – cuja pena é de dois a oito anos de reclusão – o comissário poderá ser expulso da Polícia Civil. Por ser agente público, a penalidade pode aumentar em até um sexto.
O rapaz de 19 anos foi detido por suspeita de furto na casa onde trabalhava, no dia 5 deste mês. Ele denunciou ter passado a noite apanhando e sendo humilhado na delegacia. Antes disso, teria sido agredido por dois colegas de trabalho na praça da cidade. O caso veio à tona, três dias depois de o JC publicar matéria sobre vídeos no site You Tube, onde policiais militares submetem suspeitos de crimes a rituais de humilhação, como cantar refrões exaltando o trabalho policial ou beijar na boca do outro preso. Segundo a Secretaria de Defesa Social, a denúncia continua sendo investigada.
(Jornal do Commercio).