Ceclin
Maio 13, 2013 0 Comentário


Poder público faz pouco caso com o patrimônio de Vitória de Santo Antão

por Uenes Gomes Barbosa, enviado especial

A árdua luta entre o poder público e as ações do Instituto contra a degradação do Patrimônio e preservação da Identidade da cidade de Braga!

Identidade, o que vem a ser isso? Dominique Wolton define identidade como o caráter do que permanece idêntico a si próprio; como uma característica de continuidade que o Ser mantém consigo mesmo. Nossa identidade nos distingue como cidadãos. Identidade também está atrelada ao conjunto de signos que enfatizam as características de um País. Mas recentemente temos acompanhado congressos e mesas redondas debatendo sobre a perda de identidade de algumas cidades importantes para a construção de nossa história. Em Pernambuco, a cidade de Olinda corre o risco de perder o título de Patrimônio da Humanidade por conta dos riscos na preservação do patrimônio material; em Vicência o centro Histórico, descaracterizado, tem perdido a graça ante os turistas que a visitavam e em Belo Jardim uma política mais contundente, tenta preservar o conjunto arquitetônico da cidade de um fenômeno irracional que tem se manifestado em todas as regiões, o descontrole e a falta de interesse ocasionando a perda de Identidade.

O que tem a ver Vitória de Santo Antão com esse contexto?

O Silogeu, teatro da cidade, foi palco do evento de comemoração pelos 170 anos de elevação de Vitória, da categoria de Vila à Cidade, que se deu em 1843 pelo então Barão da Boa Vista, vitoriense. Estiveram presentes na solenidade ocorrida na última sexta-feira (10), representantes da sociedade intelectual de Vitória, dentre professores, literários, políticos e militares que se fizeram presente na mesa de honra. O evento foi marcado por grande discussão sobre essa temática. Analisando as ações da Prefeitura, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão, Prof. Pedro Férrer, inferiu muito oportunamente chamando a atenção das autoridades para a preservação do patrimônio cultural e afirmando que o Instituto, em momento algum se omitirá ante as atrocidades e o desrespeito com a população, em deixar o patrimônio esvair-se em meio a escombros e lixo acumulado defronte às construções. É de extrema necessidade que haja um olhar mais sensível, uma vez que o poder administrativo tem a pachorra de fechar os olhos para o que está acontecendo. “O instituto não é macaquinho de mesa de escritório que não vê, não ouve e não fala, pelo contrário a Instituição tem o compromisso de autuar e punir seja quem for que esteja depredando a cidade,” afirmou o presidente numa de suas falas.

É notório que a cidade de Vitória tem relevante importância para o entendimento da História de Pernambuco. Foi no local, hoje conhecido como Monte das Tabocas, que aconteceu em 1645 a expulsão dos holandeses das terras pernambucanas, Vitória! O Instituto Histórico e Geográfico de Vitória tenta driblar as dificuldades que são ínfimas e realizar um trabalho onde possa contemplar o que mais é significativo aos vitorienses: sua história.

Vale ressaltar que a Câmara municipal na pessoa do Presidente mostrou comprometimento com a causa patrimonial numa das obras mais necessárias do Instituto Histórico: O casarão mourisco do século 18 e em estado de conservação em xeque, pois os recursos são escassos e não há interesse da administração a preservação do patrimônio.

No ensejo fez-se uma homenagem à sua filha premiada e de quem a cidade orgulha-se imensamente, Dona Maria do Carmo Tavares de Miranda em reconhecimento a sua importância para as letras pernambucanas e contribuições que deixou em trabalhos acadêmicos no campo da Filosofia. Maria do Carmo nasceu na cidade de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata do Estado. De formação erudita, a pesquisadora iniciou sua trajetória fazendo duas graduações: Letras Clássicas e Filosofia, ambas na Universidade Federal de Pernambuco. No final da vida, sabia traduzir para mais de oito idiomas, incluindo grego, latim, aramaico e hebraico, segundo conta o jornalista Leonardo Dantas, seu amigo pessoal. Mais tarde, seguiria para estudar na França, doutorando-se em Filosofia na Universidade de Sorbonne, em Paris, antes de voltar para o Brasil para lecionar na Universidade Federal de Pernambuco.

Vitória de Santo Antão precisa estar engajada na causa patrimonial. É incansável a luta do Instituto. Cabe aos vitorienses não deixar a sua identidade acabar nem a memória ser esquecida nos arquivos dos poderosos. A história precisa estar nas mãos do povo, os poderosos deturpam e fazem degringolar o processo na qual a Instituição está emergindo.

por Uenes Gomes Barbosa, enviado especial

Fotos: Uenes Gomes Barbosa.