Ceclin
set 18, 2009 3 Comentários


PM retira 458 famílias que invadiram imóveis

Publicado em 18.09.2009

Casas, construídas em dezembro de 2008 para vítimas da chuva, não foram entregues e acabaram sendo ocupadas. Agora, precisarão de reforma e a previsão é que fiquem prontas até o fim do ano

Duzentos e trinta policiais militares, 40 caminhões de mudança, 160 ajudantes participaram da reintegração de posse de 458 casas populares em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco, ontem pela manhã. Os imóveis, construídos para vítimas de enchentes ocorridas em 2005 na cidade, ficaram prontos em dezembro do ano passado e acabaram invadidos por outras pessoas.
“A não ser por umas barricadas incendiadas, que os bombeiros apagaram logo, a desocupação foi pacífica”, relatou o coronel Romero Ribeiro, da Polícia Militar, que comandou a operação.


A liminar para reintegração foi conseguida pela Companhia Estadual de Habilitação e Obras (Cehab) na comarca de Vitória. A partir de agora, seguranças ficarão em tempo integral na área para impedir novas ocupações. Além dos R$ 10 milhões investidos na construção dos imóveis, será gasto mais R$ 1,2 milhão para reformá-los. A entrega aos verdadeiros donos será em dezembro.

As casas só não foram entregues antes da invasão porque, na época, ainda faltavam obras de infraestrutura, como iluminação pública e drenagem, segundo a Cehab. “Cadastramos 373 famílias que ocuparam irregularmente as casas para um novo projeto de conjunto habitacional”, afirmou o coordenador técnico da Cehab, Almeida Junior. De acordo com ele, os ocupantes que não tivessem nenhum lugar para ir seriam removidos para um centro social a ser definido pela prefeitura local.
A maioria das pessoas entrevistadas pelo JC afirmou que não tinha para onde ir e que ficaria provisoriamente na casa de parentes. Entre os invasores não havia apenas família. Até uma igreja evangélica Assembleia de Deus – Pentecostal do Deus Vivo foi instalada na área. “Inauguramos sábado porque a comunidade estava precisando muito”, justificou o obreiro Edmar Vitorino dos Santos, 43 anos, quando questionado sobre a irregularidade. Uma mulher, identificada apenas como pastora da igreja, afirmou à reportagem que não falaria sobre o assunto para não se “complicar” e tentou convencer o fotógrafo a apagar as imagens do templo.
O presidente da Associação de Bairro Força e Conquista, Edson Araújo, afirmou que o cadastro feito pela Cehab foi injusto e que parte dos ocupantes era vítima das enchentes. “Muita gente ficou de fora. A demanda de casas era 10 mil, só construíram 458.” Segundo ele, os expulsos estão desamparados. “Vi gente morrer de fome aqui.”
(Jornal do Commercio).

Mulher tem infarto e morre ao saber de reintegração
Publicado em 18.09.2009

Ao saber que ficaria sem teto mais uma vez na vida, a aposentada Djanira Cândida da Silva, 62 anos, passou mal e morreu de ataque cardíaco, na tarde de anteontem, um dia antes da reintegração de posse, segundo parentes e vizinhos. “Ela começou a ter uma dor de cabeça muito forte e pediu para ser levada ao hospital”, contou o filho dela, o servente Antônio Virgínio da Silva, 48.

Vizinhos de Djanira contaram ao JC que ela começou a tremer após ouvir que o batalhão estava chegando. Na verdade, eram policiais militares avisando sobre a desocupação do local no dia seguinte. A mulher vivia com uma nora e uma neta em uma das casas invadidas desde o começo do ano.
Havia perdido a casa de taipa onde morava pouco tempo antes por conta de chuvas no bairro Doutor Alvino, um dos afetados pelas enchentes de 2005. O velório dela foi na casa de um dos filhos, no mesmo bairro. Segundo a associação de moradores da área, pelo menos três pessoas passaram mal antes e durante a reintegração de posse e foram socorridas.
A maioria não tinha para onde ir na tarde de ontem. “É a derradeira vez que participo de uma invasão”, disse a aposentada Maria Francisca dos Santos, 53, que esperava um caminhão para recolher seus poucos móveis. “Falei para eles que vou para debaixo do viaduto. Me disseram que eu ia para um centro social, mas centro social não é casa.”
O ajudante Henrique Ramos, 27, cogitava ir para a casa da sogra com a mulher e os quatro filhos, de 3 a 11 anos. “Perdi minha casa na enchente, mas, como era alugada, foi o dono quem se cadastrou para ganhar uma aqui”, contou, ao ser questionado sobre o motivo de ter ocupado o local mesmo sabendo que era irregular.
(Jornal do Commercio).

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