Ceclin
out 14, 2010 0 Comentário


Pico de população do País será em 2030

Em 2030, o Brasil deverá ter 206,8 milhões de habitantes, atingindo seu pico de população. A conclusão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), num estudo divulgado ontem sobre demografia, com base em análises de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, do IBGE. De acordo com o levantamento, a menos que ocorra um aumento na fecundidade no País, em 2040 a população brasileira já vai ter encolhido em relação a 2030, e será de 204,7 milhões de habitantes.

Nesse processo, nas próximas décadas, a tendência é de que haja um superenvelhecimento da população, contra uma redução rápida da população jovem.
Já em 2009, a proporção de idosos no País era de 11,4% da população, contra 7,6% em 1992. Num movimento inverso, o percentual de jovens de até 15 anos caiu de 33,8% em 1992 para 24% em 2009. A partir de 2030, as projeções são de que os únicos grupos populacionais que apresentarão crescimento sejam os com mais de 45 anos.
Enquanto isso, a taxa de fecundidade no País continua baixa, mantendo os índices de 2007 e 2008. Em 2009, essa taxa foi de 1,8 filho por mulher, abaixo, portanto, da reposição populacional.

O estudo também identifica alterações na estrutura familiar brasileira. O número de casal com filhos caiu de 62,8% em 1992 para 49,9% em 2009. Em compensação, houve um aumento das famílias constituídas por casais sem filhos (16,2% em 2009) e de homens e mulheres morando sozinhos (7,5% para eles e 8,9% para elas). Mães sozinhas com filhos eram 15,4% em 2009. E pais com filhos eram 2%.

Diante do ritmo acelerado de envelhecimento da população, o País deveria discutir a elevação da idade mínima de aposentadoria, defendeu ontem a coordenadora de população e cidadania do Ipea, Ana Amélia Camarano. “É bom, é importante não só para a questão fiscal, como para o próprio indivíduo não sair do mercado de trabalho”, disse.

Camarano destacou que esse não é um debate presente apenas no Brasil, e citou a França, que tem enfrentado greves e protestos contra o plano que prevê a elevação da idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos. Ela lembrou ainda o Japão, que aprovou um aumento de 60 para 65 anos da idade mínima, válido a partir de 2013. 

Ainda segundo Ana Amélia Camarano, uma das consequências do processo de envelhecimento da população é que as empresas terão de se adaptar e oferecer melhores condições de trabalho a fim de reter funcionários na ativa o maior número possível de anos. Ela ressalta que é preciso reduzir o preconceito em relação ao trabalho dos idosos e investir na capacitação para que eles acompanhem as mudanças tecnológicas.
“A própria aposentadoria compulsória aos 70 anos é fruto de preconceito. A sociedade e os empregadores terão de rever essa atitude”. 

(Jornal do Commercio).