• Ceclin
abr 04, 2019 0 Comentário


Parente de vítima da ditadura militar em Vitória de Santo Antão aguarda reparação

grupo Tortura Nunca Mais de Goiás

Grupo leva famílias de evangélicos que também foram vítimas da ditadura e pede reabertura da Comissão de Anistia

Militantes dos direitos humanos bateram as portas da ministra Damares Alves ontem e  hoje (04/4) no Ministério dos Direitos Humanos, da Família e da Mulher. Eles pedem que Comissão da Anistia dê continuidade aos trabalhos de reconhecimento e reparação das vítimas da ditadura militar.

Dona Severina, 101 anos, evangélica e viuva de Albertino de Farias

Dona Severina, 101 anos, evangélica e viúva de Albertino de Farias

O grupo Tortura Nunca Mais de Goiás,  levou ao conhecimento da ministra o caso de vários camponeses que também eram evangélicos e foram perseguidos pelo regime militar.

Waldomiro Baptista, o Mirinho, presidente Tortura Nunca Mais de Goiás, apresentou conhecimento o caso do lavrador Albertino José de Farias, provavelmente um dos primeiros mortos pela ditadura militar (1964-1985).  Um dos líderes das Ligas Camponesas e leigo da Assembleia de Deus, foi dado como desaparecido em 10 de abril de 1964; seu corpo foi encontrado no dia 15 de abril, nas matas do Engenho São José, em Vitória de Santo Antão (PE).

No dia 07 de janeiro deste ano o Diário Oficial publicou a  decisão da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos que reconhece Albertino José de Farias como “vítima da ditadura militar”, conforme registrou na Revista Crusoé, o jornalista Caio Junqueira.

Apesar de reconhecido oficialmente em 26/12/2018, pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, não houve ainda reparação a família. A inclusão de Albertino  altera dados oficiais que até então só consideravam 146 mortos desaparecidos, tornando-se então o número 147. Cuja viúva, Severina da Paz Farias, completou 101 anos no dia 17 de março.

Comissão

O Tortura Nunca Mais-GO, quer a continuidade dos trabalhos da Comissão da Anistia, institucionalizada pela Lei nº 9.140, de 04  de dezembro de 1995, promulgada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, onde o Estado Brasileiro reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, no período de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979. Esta lei foi consubstanciada pela Lei  10.559, de 13 de novembro de 2002, também sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que regulamenta os direitos dos anistiados à reparação pelo Estado dos danos causados a si e a suas famílias.