Ceclin
ago 01, 2011 1 Comentário


O Jobim que não é o Tom, desnecessariamente e inconvenientemente, saiu do tom

por Décio Filho

O próprio ex-Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, em alguns pronunciamentos, admitiu que admira, saboreia e se encanta pela “água que passarinho não bebe”, e para orgulho de todos nós, vitorienses, já revelou, inclusive, a preferência pela nossa “PITU”.
Pois bem, Lula deixou o comando do País há alguns meses e parece que deixou na Esplanada dos Ministérios, a pedido dele mesmo, um “companheiro” que independente de ter a mania ou não de apreciar a branquinha, nos fez pensar, na semana passada, que anda “tomando uns goles” em horário de expediente.

Não é que o atual (até a noite em que escrevo este artigo, domingo – 31/07) Ministro da Defesa Nélson Jobim, ex-deputado federal pelo Estado dos Pampas e ex-Ministro do STF, deu declaração ao Jornal Folha de São Paulo de que não teria votado na Chefe na última eleição presidencial?!!

E isso em um momento em que o Governo Federal vem passando por crise por demais séria que se iniciou com a demissão do Ministro Antônio Palocci, ainda no primeiro semestre e que atualmente se foca, em cheio, no Ministério dos Transportes, onde a Presidenta vem buscando promover faxina com vistas ao saneamento moral de um importante “braço” administrativo de sua gestão.

Amigos, o que se passa num momento destes na mente de um Ministro que, por não ter entregado o seu Cargo a tempo, deveria estar se esforçando, isso sim, a oferecer unidade e apoio a um governo que vem sendo golpeado, seguidamente, por escândalos?! Tudo bem, se o Senhor Ministro não votou na candidata Dilma e sim no candidato Serra, poderia procurar não ser inconveniente ao extremo ou não gerar constrangimentos imensos a todos os que fazem um governo do qual ele ainda faz parte.

Pior: deveria se preocupar em preservar a imagem de sua Chefa, no tocante ao aspecto político-eleitoral da questão. Até porque, se a declaração recaísse em cima de uma discordância administrativa, o Ministro estaria, tudo bem, cumprindo com o seu papel, mostrando personalidade e o principal, deixando claro que, como técnico, tem opinião própria no tocante ao melhor caminho a ser trilhado pela Nação na esfera de sua pasta, qual seja, a da Defesa.
Mas, pelo contrário, a atitude do Ministro foi idêntica à daquele camarada que vai à mesa do bar tomar a sua cachacinha em dia de folga e, num momento de “relax”, fala mal do juiz de futebol da partida do dia anterior, critica a contratação do atacante do seu time do coração e, só pra não passar em branco, reclama do seu trabalho e diz que queria ter outro patrão.

Acontece que a declaração do Ministro foi dada em rede mundial – internet – em horário matutino de um dia útil. E, certamente, a sua intenção foi se promover e ganhar os holofotes da mídia, para isso atacando a figura da Presidenta de forma seca e direta, enfraquecendo-a como política e líder. Irresponsabilidade. Naquele momento, dane-se a figura do Representante Maior do Estado Brasileiro, dane-se o País. “Eu quero é aparecer” – é exatamente isso o que pude absolver da sua infeliz declaração.

Pede a toalha, Jobim!! Estamos precisando de um Governo Federal que tenha unidade e sintonia, mas que ao mesmo tempo remova dos seus quadros as peças que fazem o tabuleiro jogado no Poder Federal cheirar demasiadamente mal, e isto parece que a Presidenta está buscando fazer.
O Jobim que não é o Tom, desnecessariamente e inconvenientemente, saiu do tom. E por falar em poeta e em Tom, da sua obra relembremos os versos: “Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver”. Só que no caso do Ministro, não seria tão maravilhoso assim. Antes de tudo, seria deselegante. A eleição passou, o País está aí e a obrigação de todos os brasileiros, principalmente dos homens públicos que compõem o Governo Central do Brasil é procurar fortalecê-lo. Já chega, Jobim!

por Décio Filho,
Colunista do Blog.