• Ceclin
jul 18, 2017 0 Comentário


“O inferno é aqui”, por Valdemiro Cruz

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Por Valdemiro Cruz

Sepulte definitivamente o conceito que, para ir ao inferno precisa morrer.

Negativo! Não precisa mesmo. Basta você ser pobre, tratado como indigente, precisar de assistência hospitalar do serviço público, pronto, começa aí.

Pessoa desassistida por Plano de Saúde, que sofra acidente traumático ou careça de tratamento de doença crônica é forte concorrente a habitar o ”inferno” hospitalar público nos corredores dos principais hospitais, particularmente o Hospital Getúlio Vargas, visitado recentemente em busca de pessoa humilde para lá encaminhado pelo Hospital João Murilo.

Pobre, maior de 60 anos, sem acompanhante, imagine o drama que enfrenta um cristão nessas circunstâncias. Depositado em uma maca, dias e mais dias, dependendo única e exclusivamente da caridade e boa vontade de alguns “anjos de Deus” que compadecidos de tanto sofrimento, voluntariamente ajudam na hora de ir ao banheiro, da alimentação ou de chamar a atarefada, exausta e incansável enfermeira para recolocar a sonda que saiu do local ou trocar o soro que acabou.

Corredores abarrotados de macas, alguns gemendo em colchões diretamente no chão, acompanhantes tentando ajudar fazendo o papel de maqueiro ou ajudante de enfermagem, puxam ou empurram mais pra lá ou mais pra cá, abrindo espaço para entrada de novos condenados ao descaso e a mais absoluta humilhação e atentado à dignidade humana.

Conseguir falar com um dos médicos de plantão e pedir por alguém que já ultrapassou 15 (quinze) dias no Corredor da Emergência, é um exercício heroico, e iniciativa não apoiada pelos vigilantes que tentam impedir, ainda, pela recepção dos médicos que não se sentem confortáveis com essa intromissão. Nada se assemelha a tanto sofrimento.

Mesmo para as pessoas habituadas a visitar presídios e conhecer os “castigos” de lá, é muito chocante o que se visualiza nas emergências hospitalares públicas.

Desfigurados por amputações, empalidecidos, anêmicos, inchados, esqueléticos, arroxeados, alguns que não seguram mais a urina e a excreção, convivendo lado a lado, homens e mulheres nesses corredores. Que nome você daria a esse cenário, céu?

A absoluta maioria é de pobres, velhos ex-trabalhadores que suaram a camisa para produzir bens e riquezas para nosso País. Ricos, políticos, não aparecem nunca num lugar desses, estão ocupadíssimos nos churrascos e comemorações, tomando seu scotch e se articulando para as próximas eleições e LICITAÇÕES.

Daí segue o baile, o povão se divide aplaudindo mais, ou menos aqueles que a mídia e o marketing dá destaque, e assim estará prontíssima a reeleger nossos honrados e dignos políticos.

 Viva o povo brasileiro…e que tudo mais vá pro inferno!

Valdemiro_Cruz

 

 

Por Valdemiro Cruz, Advogado e Colunista do Blog.