Ceclin
jun 15, 2010 1 Comentário


O Fórum Nordeste e a competência empreendedora


O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) palestrando sobre o novo Código Florestal Brasileiro

por Luciano Siqueira*

Oportunidades são implacáveis: se não as aproveitamos, passam e dificilmente se repetem. No atual ciclo de crescimento de Pernambuco e no momento excepcional que vive o Brasil, prenhe de oportunidades, registra-se perigosa defasagem entre o horizonte que se descortina e a capacidade dos diversos atores econômicos e, em certa medida, dos gestores públicos, de compreenderem o que se passa e tirarem proveito da situação. Mas não se trata apenas de sensibilidade, senso prático e coragem empreendedora; impõe-se a competência como variável decisiva.

O Grupo EQM e a Folha de Pernambuco, com o apoio e a parceria de diversas instituições privadas e públicas, dão uma contribuição consistente nessa direção, com o Fórum Nordeste 2010 – Desafios e Oportunidades nos Setores de Biocombustíveis e Energias Limpas, que reuniu ontem (14), no Paço Alfândega, representantes do setor sucroenergético de todo o País, além de técnicos, consultores e parlamentares.

A temática do Fórum põe em relevo, a um só tempo, interesses e propósitos próprios do segmento e o compromisso com o desenvolvimento nacional em bases socialmente progressistas e ambientalmente sustentáveis. O que se expressa através de questões como marco regulatório, a que se associa a necessária segurança jurídica para empreendimentos de sentido estratégico e dimensão arrojada; tecnologias de ponta para alargar opções na produção de biocombustíveis; soluções inovadoras para a geração de energia a partir de fontes renováveis e alternativas de energia limpa. Mais: o novo Código Florestal Brasileiro, a partir de esclarecedora exposição do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

O substitutivo proposto por Aldo Rebelo procura compatibilizar, de maneira harmônica e equilibrada, meio ambiente e desenvolvimento.

Uma questão que permeou os debates – e que numa brevíssima intervenção procurei sublinhar – é a persistente defasagem entre a produção acadêmica e as atividades empresariais. É irrisório o volume de patentes registradas no Brasil, como reflexo da pesquisa aplicada, em comparação com outros países em desenvolvimento. Penso que é oportuna a adoção de mecanismos institucionais que induzam o estreitamento das relações entre esses dois polos do desenvolvimento. Por exemplo, na avaliação de projetos de pesquisa habilitados a receber financiamento público, essa seria uma variável diferenciadora.

O elevado nível do Fórum reflete, portanto, a competência com que o setor sucroenergético da região encara o atual ciclo de oportunidades.


por Luciano Siqueira,
* Vereador do Recife, pelo PCdoB, presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara Municipal.