• Ceclin
mai 12, 2009 0 Comentário


O ENEM e as falsificações para atacar os direitos dos trabalhadores

A decisão do MEC em adotar as notas do ENEM como critério único de seleção para as Universidades Federais, que assim o desejarem, tem causado muita polêmica. Polêmica que vai além do que está óbvio. Para além da polêmica sobre a eficácia da medida, estão os interesses públicos e privados. Públicos, de quem defende a melhoria da Educação e não apenas de setores. Privados, daqueles que vêem nos processos seletivos apenas uma forma de engordar seus cofres e de impor suas vontades e visões para a sociedade.

Desde que a discussão começou sobre essa decisão, assistimos a uma crescente ofensiva dos donos de escola contra tal medida, imantados sob uma falsa polêmica: a de que os estudantes e os professores das escolas particulares não estão preparados para essa empreitada. Como se não bastasse, colocam os estudantes para se posicionarem contra a medida.

O que não é dito, é que, ao longo dos dez anos de existência do exame, os discentes de todas as redes participaram e, inclusive, ingressaram em Instituições de Ensino Superior (IES) vinculadas a essas escolas, que usufruem os benefícios do PROUNI até hoje. Todos preparados pelo corpo docente que trabalha nesse ramo há anos.
Ficando oculto, também, que essas empresas de ensino são negócios muito lucrativos, perdendo apenas para os bancos, durante vários anos. Que essa lucratividade se alicerça no sucateamento das escolas públicas, na venda de esperança de ingresso nas principais universidades públicas do País e na exploração da mão de obra dos professores e demais trabalhadores empregados nesse tipo de empreendimento, apesar de não serem devidamente valorizados.

Todavia, ao primeiro sinal de mudança, os vendedores de ilusão iniciaram uma gritaria contra o ENEM. Será mesmo por causa da falta de tempo que os estudantes podem ter um baixo desempenho? Ou será por terem sido estimulados a decorar esquemas pré-montados para responder questões de maneira automática? Uma outra possibilidade, do barulho, é a desaceleração no crescente mercado de apostilas vendidas pelos grupos escolares e os contratos já estabelecidos nos chamados cursinhos.

O certo é que, aproveitando o momento, os donos de escolas lançam uma campanha violenta para retirar direitos e obrigar os professores a trabalharem em julho, mês de férias. Não sinalizam com nenhuma das reivindicações e falsificam o debate sobre as mudanças ocorridas no modo de seleção das universidades públicas, buscando intensificar a exploração e aumentar seus ganhos.
Os professores e trabalhadores não podem assistir a essa ofensiva patronal, sem dar uma resposta contundente. Primeiro, porque não há nada de absurdo em uma universidade pública adotar os critérios postos pelo MEC no seu processo seletivo e, segundo, porque uma categoria não pode pagar o preço da insistência das escolas em um modelo que há muito se mostra esgotado e promotor da exclusão, ou mesmo, dos riscos que correm enquanto empresas capitalistas.

As férias serem transferidas para janeiro significa o fim do recesso, em breve, pois os patrões não vão parar por aí. Significa demissões em julho sem pagamento dos 50% do restante do semestre conforme estabelece a cláusula 41ª da convenção vigente, tornando-a inócua. Sem falar no desgaste físico e mental de professores e alunos que, certamente, terão efeito no rendimento de ambos.

por Daniel Max,
é Sociólogo e Colunista do Blog.