Ceclin
abr 20, 2009 1 Comentário


O destino correto das pilhas

Elas estão nos controles remotos, brinquedos, relógios, celulares, máquinas fotográficas e a lista continua longa.

São cerca de 1,2 bilhão de pilhas consumidas no Brasil por ano, representando uma grande ameaça à natureza e à saúde humana quando jogadas no lixo. Mas o pernambucano vem mostrando que se importa e quer agir corretamente. Mesmo sem uma política pública oficial, está tirando os objetos sem uso das gavetas e encaminhando para postos de coleta. Nos principais pontos de entrega do País, do Programa Papa-Pilhas, Pernambuco se destacou como o quinto Estado mais atuante no ano passado. Foram recolhidas 2,6 toneladas de pilhas e baterias. Material que receberá tratamento e descarte correto, reduzindo o risco de contaminação dos solos, águas e lençóis freáticos.
Iniciado em 2006 pelo Banco Real em apenas três estados, o Programa Papa-Pilhas chegou a 2008 com quase 2 mil pontos de coleta em todas as capitais e municípios de São Paulo. O Estado, inclusive, foi o primeiro colocado com 70 toneladas recolhidas nos 890 coletores. No ranking, os pernambucanos estão bem. Conseguiram ultrapassar, em 2008, a Paraíba, um dos três pioneiros na chegada do programa. Ficaram atrás só dos gaúchos, cariocas e mineiros.
Numa análise superficial, os moradores do Rio Grande do Sul são os mais esforçados. Com 80 pontos, reuniram 13,5 toneladas. Meia tonelada a mais do que os cariocas que contam com 294 coletores.
O responsável pela gestão do Papa-Pilhas, Marcio Barela, esclareceu que o programa recebe pilhas e baterias portáteis, carregadores e aparelhos de celular. O material é recolhido por uma empresa especializada em reciclagem, que faz o transporte seguro do conteúdo, separa os componentes e reaproveita os metais pesados no ciclo de produção.
O perigo está na composição desses objetos, que costumam conter chumbo, cádmio, mercúrio, manganês, cobre ou zinco. “Quando esses materiais são descartados incorretamente, as substâncias podem vazar e contaminar a natureza. Isso pode atingir a saúde se chegar aos plantios”, disse. A estudante Laís Guerra, 22 anos, reúne as pilhas da família e leva aos coletores do banco, que fica próximo à faculdade onde estuda. “Uma amiga minha me disse que eles recebiam no ano passado. Desde então, junto as pilhas para deixar lá. Também digo a todos no prédio que posso levar as deles também”, contou.
Além dos coletores do programa, os colégios Boa Viagem e Apoio, em Casa Amarela, recebem pilhas e baterias e encaminham para o reaproveitamento. O serviço é aberto à população.
Na casa de Tiago Santana, 5, as pilhas e os aparelhos de celular sem uso já não “mofam” nas gavetas, nem vão para o lixo comum. Ele mesmo tem a iniciativa de pedir a mãe, Fátima Finizola, que guarde o material para levar à escola. “Ele está crescendo com essa consciência. É bom porque todos começaram a agir corretamente”, disse, citando a participação do filho mais velho, João, 7.
A Associação Meio Ambiente, Preservar e Educar (Amape), em Casa Amarela, também recebe pilhas ebaterias. “Como não há um volume muito grande, eu me encarrego de levar as pilhas para o programa Papa-Pilha quando estamos com uma boa quantidade”, ressaltou o presidente, Sérgio Nascimento.
(Diário de Pernambuco).