Ceclin
mar 01, 2009 0 Comentário


O Bicho Papão pode estar dentro de casa

SÃO PAULO (AE) – Dados do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), do Ministério da Justiça e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), reunidos entre janeiro de 1999 e janeiro de 2009, mostram que pais e mães figuram entre os principais violadores dos direitos das crianças e adolescentes no Brasil.

O le­van­ta­men­to apon­ta ainda que a fi­gu­ra da mãe apa­re­ce como vio­la­do­ra em 228.443 de­nún­cias re­ce­bi­das pelo Sistema de Informação para a Infância e Adolescência. O pai fica em se­gun­do lugar, com 198.614 das de­nún­cias. Já o pa­dras­to está em 17.376 casos e a ma­dras­ta em 4.020. O Sipia re­ce­be in­for­ma­ções de vá­rios Conselhos Tutelares de 21 Estados e do Distrito Federal.

Uma pes­qui­sa do Labora­tório de Estudos da Crian­ça (Lacri) da Univer­sidade de São Paulo apon­ta mais de 160 mil casos de maus-tra­tos a crian­ças e ado­les­cen­tes re­gis­tra­dos entre 1996 e 2007 em todo o ter­ri­tó­rio na­cio­nal. E des­cre­ve que uma cul­tu­ra do si­lên­cio, prin­ci­pal­men­te na clas­se média, li­mi­ta novas de­nún­cias. “Quanto maior o poder aqui­si­ti­vo da fa­mí­lia, mais ve­la­da fica a vio­lên­cia do­més­ti­ca con­tra crian­ças e ado­les­cen­tes. Quando se mora num apar­ta­men­to de clas­se média, a prá­ti­ca de de­nún­cia não exis­te. Quando há de­nún­cia, é a es­co­la que en­ca­mi­nha”, ex­pli­cou a con­se­lhei­ra tu­te­lar de São Bernardo do Campo, na re­gião do ABC, Vera Lúcia de Oliveira.

Na ci­da­de de São Paulo, se­gun­do o es­tu­do do Lacri, pelo menos 307 crian­ças e ado­les­cen­tes mor­re­ram ví­ti­mas de vio­lên­cia do­més­ti­ca entre 2000 e 2007. Em nú­me­ros ab­so­lu­tos, foram as­sas­si­na­dos no Brasil 8.700 crian­ças e ado­les­cen­tes – de 0 a 19 anos – em 2005, se­gun­do o Ministério da Saúde. Em 1995, eram 5.638 as­sas­si­na­tos.

Na ci­da­de de São Paulo, se­gun­do o es­tu­do do Lacri, pelo menos 307 crian­ças e ado­les­cen­tes mor­re­ram ví­ti­mas de vio­lên­cia do­més­ti­ca entre 2000 e 2007. Em nú­me­ros ab­so­lu­tos, foram as­sas­si­na­dos no Brasil 8.700 crian­ças e ado­les­cen­tes – de 0 a 19 anos – em 2005, se­gun­do o Ministério da Saúde. Em 1995, eram 5.638 as­sas­si­na­tos.
A coor­de­na­do­ra do Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae, a psi­có­lo­ga Dalka Chaves de Almeida Ferrari, conta que pes­qui­sas ela­bo­ra­das no Brasil e em ou­tros paí­ses mos­tram que ape­nas 10% das no­ti­fi­ca­ções de vio­lên­cia do­més­ti­ca che­gam a uma res­pon­sa­bi­li­za­ção, ape­sar do au­men­to das de­nún­cias. “A coisa vai se per­den­do ao longo do pro­ces­so e essa ne­gli­gên­cia é uma forte pro­pa­gan­da a não de­nún­cia”, diz.
(Folha de Pernambuco)

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