Ceclin
abr 14, 2010 4 Comentários


O “fim” da política

É impossível falar em política mesmo que seja no sentido pejorativo da palavra, sem que nos reportemos ao período do Logos e consequentemente ao nascimento da Polis. O aparecimento dos Sofistas e o apogeu do pensamento socrático fizeram de Atenas o referencial do poder político representativo.

É bem verdade que a democracia ateniense era restrita, mas já era um grande avanço para a época. Todo esse cenário favoreceu ao pensamento platônico e aristotélico, sendo também responsável pelo fortalecimento da República romana. Não se tem como negar que a tão famosa era de Cícero deixou um legado ao estudo da teoria política.

Durante o período medieval no Ocidente, as figuras de Agostinho e Aquino na Patrística e na Escolástica respectivamente, robusteceram a visão cristã a respeito do pensamento político, pois a força da Igreja fazia com que tivesse o poder espiritual e temporal.

Em se tratando da chamada era moderna, o Renascimento deu ao pensamento maquiaveliano grande notoriedade, tanto é que o mundo contemporâneo recebeu influências das suas ideias. Basta lembrarmos o último pensador do Idealismo alemão e com ele todas as consequências da sua influência no materialismo.

A queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética promoveram uma nova hermenêutica para com o conceito de cidadania.

Tratando-se do Brasil, as chamadas velhas oligarquias sempre se fizeram presentes, os velhos coronéis nascidos com a Guarda Nacional, deram lugar aos do asfalto.

Atualmente, os escândalos envolvendo alguns políticos vêm promovendo a desesperança do povo para com os seus representantes, embora em um regime que se diz democrático o voto é o principal instrumento que se tem para expurgar os maus políticos.

Vale salientar que a apatia em alguns jovens tenha levado sequer acreditar que o voto seja um caminho para depuração da política democrática. Levando a muitos defenderem o fim da política.

P.S. Este artigo é um resumo da palestra proferida na 1ª Semana de Ciências Sociais da UFRPE.

Por Hely Ferreira,
Cientista Político.