Ceclin
jan 08, 2015 0 Comentário


Ninguém se pronuncia

(Foto: Reprodução  / Diario de Pernambuco)

(Foto: Reprodução / Diario de Pernambuco).

Por Bruna Siqueira Campos, Diario de Pernambuco

Quatro anos depois das enchentes que assolaram a Mata Sul e o Agreste, a bilionária Operação Reconstrução ainda está a todo vapor. Apesar dos mais de R$ 2 bilhões empregados com a “bênção” do governo estadual na recuperação de casas, escolas, hospitais e estradas, a realidade de dezenas de municípios afetados pela tragédia de 2010 está longe de agradar. Basta ver que centenas de casas construídas em Palmares, com recursos do Minha Casa, Minha Vida, nunca abrigaram uma família sequer, como denunciado pela coluna no dia 25 de dezembro.

Mesmo assim a cidade serviu de palco, ontem, para o governador Paulo Câmara (PSB) anunciar a construção de 30 novas escolas na região – uma nova fase do programa, digamos. O ato político contou com 100% do secretariado e aliados do núcleo socialista no interior. Serão R$ 69 milhões destinados à empreitada, que sim, é necessária. Mas o que dizer da fiscalização a respeito do emprego destes recursos? Sobre as casas “fantasmas” de Palmares, prefeitura da cota do PSB, nada se comenta. Nem os telefones da gestão municipal funcionam.

De acordo com a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), 338 habitações ainda faltam ser entregues na cidade, de um total de 2.610 que, pelo menos no papel, entraram na planilha da Caixa Econômica Federal. O banco é gestor do Minha Casa, Minha Vida, que financiou 15.287 casas nos municípios afetados. Em nota, o governo do estado informou que “cabe à Caixa tomar providências no sentido de normalizar a situação, contratando novas empresas para concluir as obras”.  No entanto, basta uma voltinha pela cidade para ver que este não é o principal problema: a maior parte das residências está praticamente pronta para morar, só que sofrem com a ação do tempo e os saques. Quase um acinte ao déficit habitacional do estado.