• Ceclin
ago 04, 2011 8 Comentários


Não Basta parecer tem que o ser

por Helder Sóstenes

Há um adágio acontecido a cerca de 60 a. C. que conta que mulher do ditador Júlio César, (Pompéia) tinha um nobre admirador chamado Clódio. Ela teria sido suspeitada de ter traído o imperador chegando inclusive a ir ao tribunal. Mas perante o juiz, César negou a acusação, a inocentando. Após isto, a história conta que mesmo inocentando sua esposa e acreditando na versão da mesma, César passou a repudiá-la. Questionado por ter agido de forma tão contraditória, o ditador explicou seu procedimento: A mulher de César não basta que seja honesta; deve parecer honesta.

Na vida pública, observamos corriqueiramente políticos serem alvos de fortes suspeitas de desvio do erário público, e apesar de todas as provas são sempre acobertados pelos seus respectivos partidos. Na verdade, este é um erro do sistema que poucos notam, pois o próprio eleitor pouco se importa em que partido seu candidato está filiado. O eleitor esquece que antes de serem eleitos os personagens políticos foram aceitos por partidos sendo condição sine qua non para se tornarem candidatos, conforme prevê o código eleitoral.

Discute-se atualmente no Congresso o amplo debate nas questões relacionadas à Reforma Política, mas um ponto fundamental estar sendo esquecido: a questão partidária. Esta época do ano que antecede as eleições, observamos que começam as movimentações e acomodações partidárias onde antidemocraticamente são escolhidos candidatos apenas pelo critério de capacidade financeira. Os partidos menores ou nanicos, como são conhecidos, são alvo de negociatas, tudo isto à vista grossa da justiça Eleitoral, que se ampara em leis frágeis que não prevê uma punição dura a este tipo de conduta.

A grande maioria da população fica sem entender o porquê das poucas opções de candidatos disponíveis para a escolha no período eleitoral, não desconfiam que tudo isso foi negociado lá atrás pelos próprios caciques políticos, impossibilitando a democracia em sua totalidade. Os partidos, não estão preocupados na vida pregressa de quem está entrando ($) ou se este individuo possui ideal partidário em comum.

Por enquanto, cabe apenas a população saber quem verdadeiramente são seus candidatos, quem são os lobos que porventura tão transvestidos em pele de ovelha, desconfiando de mudanças repentinas de partido, qual o interesse tem por trás disto, e principalmente qual a história e ideal do partido que seu candidato compõe ou quer compor.


por Helder Sóstenes,
Colunista do Blog.